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A Colômbia rechaça as FARC

Em Armenia, pessoas impedem a passagem do carro de Timochenko, candidato à Presidência pelo partido das FARC, e exigem a saída dele da cidade.

Em Armenia, pessoas impedem a passagem do carro de Timochenko, candidato à Presidência pelo partido das FARC, e exigem a saída dele da cidade.

Apesar da recusa maciça da opinião pública colombiana, governantes insistem em conceder cargos públicos a terroristas, permitindo até que o chefe da guerrilha se candidate à Presidência

  • Eugenio Trujillo Villegas *

 

O dia 3 de fevereiro de 2018 passará para a história da Colômbia como a data em que o país profundo manifestou seu rechaço aos candidatos das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). A opinião pública havia sido consultada, e a maioria foi contrária às concessões oferecidas pelo governo nas negociações com esse grupo terrorista. Especialmente contestada foi a impunidade, pois as FARC são responsáveis por mais de duzentas mil mortes, além de incluírem na sua ficha criminal incontáveis outras violações à legislação colombiana. Mas o governo decidiu tocar tudo como se o resultado tivesse sido favorável aos acordos de paz, passando por cima da vontade da opinião pública, claramente manifestada.

O líder máximo desse grupo terrorista, apelidado Timochenko (seu verdadeiro nome é Rodrigo Londoño), participou em toda a negociação e obteve a inimaginável concessão de poder candidatar-se à presidência da república. E assim temos terroristas e criminosos transformados em cidadãos comuns, com a ‘ficha limpa’ e todos os direitos civis, podendo mesmo passar a governar o país que lhes é contrário.

Essa concessão atropelou claramente um princípio fundamental, vigente na legislação nacional e universalmente reconhecido, segundo o qual as pessoas que cometeram crimes de lesa humanidade não podem gozar de total e absoluta impunidade, nem aspirar a cargos públicos. O presidente Juan Manuel Santos afirmou reiteradamente que isso não aconteceria, e que os autores de crimes de lesa humanidade e terrorismo seriam presos, revelando ao final grosseira falsidade.

 

Privilégios e contratempos de um terrorista

Timochenko é protegido até o carro, em meio a uma chuva de ovos e garrafas de água, em Yumbo, perto de Cali

Timochenko é protegido até o carro, em meio a uma chuva de ovos e garrafas de água, em Yumbo, perto de Cali

Um ano bastou para baixar a poeira, e no atual período eleitoral Timochenko consta como candidato à Presidência, graças à absurda benevolência do presidente Juan Manuel Santos nos “Acordos de Paz”. Além de total impunidade, a atividade política do terrorista será financiada com dinheiro do Estado, privilégio negado aos demais candidatos à Presidência.

Desafiando a indignação das vítimas, as FARC iniciaram na primeira semana de fevereiro a campanha presidencial, e Timochenko escolheu Armenia, sua cidade natal, para uma de suas primeiras incursões como candidato. Armenia é a capital do Departamento (Estado) de Quindío, no coração da região onde se cultiva o café, um dos símbolos da nação.

Nem tudo são rosas para o terrorista, que não goza da mesma leniência presidencial junto à opinião pública. No dia 3 de fevereiro, em Armenia, bastou que uma multidão de cidadãos o visse fazendo proselitismo político nas ruas, para lançar-se de dedo em riste contra ele, proferindo insultos e impropérios, até fazê-lo abandonar o lugar sob forte proteção policial. Três camionetes blindadas, colocadas à disposição de Timochenko, foram gravemente danificadas pela população indignada.

 

A democracia posta à prova

        Este fato tão significativo levanta diante do mundo algumas interrogações: Qual é a legitimidade do processo de paz, atualmente em aplicação na Colômbia? Aceitará a população como governantes aqueles que durante meio século foram seus verdugos? Conduzirá o Processo de Paz a uma verdadeira pacificação do país, ou acontecerá exatamente o oposto?

O plebiscito de outubro de 2016 perguntou aos colombianos se concordavam com os Acordos de Paz. A maioria respondeu: NÃO. No entanto, o presidente Juan Manuel Santos preferiu apoiar-se nas máximas autoridades europeias e norte-americanas, em quase toda a comunidade internacional, e especialmente do Vaticano, e decidiu levar adiante esses acordos que o povo colombiano havia repelido. Foi uma imposição antidemocrática, contra a opinião pública, obrigando o Congresso a aprová-los e regulamentá-los. Como resultado dessa inaudita enganação, as FARC estão agora em campanha presidencial, com a garantia de 26 cadeiras gratuitas no Congresso Nacional que será eleito no próximo dia 11 de março – ou seja, candidatos antecipadamente eleitos, sem necessidade de votos.

O presidente Santos [foto acima] jogou irresponsavelmente
todo seu crédito na paz incondicional com os guerrilheiros das FARC

A opinião pública continua contrária às FARC

Como não poderia deixar de ser, o desrespeito à vontade do povo colombiano deveria manifestar-se a partir de algum momento. Foi o que aconteceu em Armenia, onde uma verdadeira “mina de explosivos” detonou sob os pés do demagogo chefe terrorista.

A analogia com a mina explosiva não é sem propósito, pois na maioria das barbáries cometidas pelas FARC contra milhares de colombianos que tiveram membros do corpo despedaçados, foram usadas bombas e minas quebra-pernas, proibidas por todos os protocolos de guerra modernos. Eram minas de dinamite pura, que matam ou deixam pessoas inocentes estropiadas pelo resto da vida. Elas foram uma das armas favoritas das FARC para submeter pelo terror populações camponesas que nunca aceitaram nem deram qualquer apoio à guerrilha.

As minas das FARC, usadas em todas as regiões da Colômbia, não eram “minas de opinião”, como a que “explodiu” sob os pés de Timochenko e o colocou em fuga em Armenia. As “minas de opinião” são muito mais fortes, indestrutíveis, e é de se esperar que tais minas (no sentido analógico) se repitam em outros lugares da Colômbia onde ele venha a fazer campanha política.

 

Paradoxo midiático

O presidente Santos jogou irresponsavelmente todo seu crédito na paz incondicional com os guerrilheiros das FARCGrandes e louváveis campanhas midiáticas internacionais são lançadas para exigir tolerância zero contra alguns crimes, como pedofilia, violação, abuso sexual, e atentados terroristas bárbaros em cidades do primeiro mundo. Na Colômbia, parece que a preferência midiática caminha no lado oposto, mostrando a maioria dos dirigentes ocidentais como favoráveis à tolerância total e absoluta para milhares desses crimes. Foi o que aconteceu em favor dos integrantes dessa organização terrorista, que cometeram todos os tipos de crimes horrendos e prejudicaram uma nação durante 50 anos. Mídia e dirigentes mundiais, neste caso, cumularam os criminosos terroristas de impunidade e benefícios.

A comunidade internacional prodigalizou aplausos ao Presidente atual, posição em que se enfileirou a maioria dos líderes da Europa; a começar pelo Papa Francisco, seguido pela quase totalidade do Episcopado colombiano; e também não podemos eximir de culpa os que concederam o Prêmio Nobel da Paz ao presidente Juan Manuel Santos. Estarão todos eles desinformados sobre a desaprovação categórica de 90% da opinião pública colombiana?

O Presidente está tão ciente de sua impopularidade, que raramente sai às ruas ou participa de atos públicos, pois cada vez que o faz é rechaçado e vaiado. A comunidade internacional será cúmplice dos seus desatinos? Nos próximos seis meses que lhe restam no governo, Santos, ao que tudo indica, só receberá aplausos provenientes de fora da Colômbia, de lugares onde se acreditou em suas mentiras crassas.

Em pronunciamento público de Tradición y Acción pouco antes do plebiscito de 2016, fazíamos uma afirmação que adquire grande vigência com esses fatos: “Os promotores do processo [de paz] passarão a ser objeto da mais profunda repulsa da parte da maioria dos quase 50 milhões de colombianos. E a glória que esses personagens se atribuem se transformará muito em breve em vergonha e repúdio de todo o País” (cf. “El País”, Cali, 29-9-2016).

É exatamente o que está acontecendo atualmente na Colômbia.

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* Diretor da Sociedad Colombiana Tradición y Acción

1 comentário para A Colômbia rechaça as FARC

  1. Luiz Guilherme Winther de Castro Responder

    1 de Março de 2018 à 15:06

    Com a presença desses terroristas em setores governamentais, aos poucos ou até muito rápido, adquirirão forças para subjugar o país. Não conseguiram pelas guerrilhas terroristas, resolveram “aceitar um acordo” de paz. Dá para acreditar? Se você não pode com o inimigo, alie-se a ele!
    Será que o atual presidente não recebeu promessas deles para algum lugar de destaque em um mais que provável governo dos terroristas? O tiro sairá pela culatra, com as bênçãos e aprovação do Vaticano e outros mais.
    Para onde caminha a nossa Igreja, aquela que Jesus criou dizendo a Pedro que as portas do inferno não prevalecerão contra ela? Mas, vidas e mais vidas já foram sacrificadas por amor a ela, infelizmente, e muitas ainda estão sendo e sempre serão sacrificadas.

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