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A “guerra aos carros” tem uma ideologia por detrás?

Leo Daniele

Em São Paulo, muitas ciclovias, ou ciclofaixas, estão às moscas, dificultando ainda mais o trânsito de automóveis.

Em São Paulo, muitas ciclovias, ou ciclofaixas, estão às moscas, dificultando ainda mais o trânsito de automóveis.

Antes de tudo, os fatos. Lê-se num editorial de “O Estado de S. Paulo” (29-7-14): Ter carro já é quase um crime. A cruzada da Prefeitura de São Paulo contra os motoristas de carro parece não ter fim”.

Qual a razão dessa “cruzada” com cem aspas de cada lado? É que o carro traduz, de certa forma, o nível social de quem o possui. É preciso, portanto, na ótica vermelha, desestimular o seu uso, favorecendo para isso os transportes coletivos e as bicicletas.

Aliás, em latim, a  palavra “omnibus” significa “todos”. Os passageiros de um ônibus, pelo menos enquanto lá estiverem, são iguais a todos os outros.

Sendo assim, é fácil ver que a doutrina que está por detrás dessa cruzada (sem cruz) é o contumaz igualitarismo.

O editorial prossegue:  “O reajuste da Zona Azul muito superior à inflação indica uma política deliberada para desestimular o uso de carros em São Paulo. É uma punição para quem opta pelo carro não por gosto, mas porque a alternativa é o lento e desconfortável transporte público oferecido pelo Município. Além disso, já se espera um efeito cascata sobre os preços dos estacionamentos da cidade. Mas a Prefeitura não desiste. Além das faixas pintadas ao deus-dará, a administração petista anunciou que pretende construir 400 km de ciclovias, o que deverá resultar na supressão de até 40 mil vagas de estacionamento pela cidade”.

A intenção evidente é permitir que os autores da iniciativa “possam  posar de defensores dos ‘sem-carro’, o que pode pegar bem como propaganda, mas é terrível para a cidade”.

Entretanto, não será exagero dizer que há uma guerra aos carros?

Somente um louco poderia fazer uma guerra direta aos automóveis, nas condições de hoje em dia. Mas poderia agir, como se diz, sobre o cálculo de custo/benefício, a fim de tornar menos penoso o uso de transportes coletivos. Estes oferecem menor benefício, mas também custo muito menor, a não se considerar os prejuízos para a vida em sociedade.

Através dessa jogada, visa-se criar uma espécie de moda de não ter carro.

Vê-se por detrás dessa movimentação o espectro da luta de classes ao gosto do chavismo venezuelano, tão empenhado em se instalar no Brasil.

Mas a Sagrada Escritura sempre desmancha os prazeres ideológicos  dos adeptos da Teologia da Libertação e ensina: “Filho, se tens posses, faze com elas bem a ti mesmo, e oferece a Deus dignas oblações […] Não te prives de um bom dia, e não deixes perder nenhuma parcela do bem que te é concedido. (Ecl. 14, 11 e 14).

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(*) Leo  Daniele é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM).

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