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AMAZÔNIA EM XEQUE

  •  Nelson Ramos Barretto
  • Fonte: Revista Catolicismo, Nº 827, Novembro/2019

Roma — Mais de duzentas pessoas lotaram o salão nobre do tradicional Quirinale Hotel, durante o dia 5 de outubro, para participar da Convenção Internacional sobre o Sínodo Pan-amazônico. Promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, na previsão do início da assembleia dos bispos, o evento ocorreu sob a proteção de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira das Américas, cuja estampa esteve presente no auditório para lembrar o papel decisivo da Mãe de Deus na gloriosa evangelização do México e do Novo Mundo pelos espanhóis e portugueses.

Às 9h30m, as orações entoadas pelo Cardeal Raymond Burke deram início à sessão, encerrada às 18 horas com a recitação do Angelus pelo Cardeal Walter Brandmüller. No período da manhã, os oradores ilustraram os aspectos históricos, missiológicos, de identidade e climáticos da região amazônica; e à tarde se concentraram no conteúdo teológico do controverso Instrumentum laboris — documento de preparação para a assembleia dos bispos.

No evento, videoconferência de Dom Athanasius Schneider

Atuou como moderador Julio Loredo, presidente da TFP italiana e autor de Teologia da Libertação – Um salva-vidas de chumbo para os pobres. Após apresentar os currículos dos expositores, ele realçou que o fórum só foi possível graças à denúncia do líder católico Plinio Corrêa de Oliveira, que nos idos de 1977 previu as consequências dos erros daqueles novos missionários da Teologia da Libertação para o século XXI.

O escritor e jornalista Giuseppe Rusconi, do site Rossoporpora, qualificou o evento de poliédrico por tratar, com a experiência de seus oradores, dos vários temas interconectados sobre a Amazônia. Em tom irônico, sugeriu que “não seria mal se ele fosse reproduzido no Salão do Sínodo, em benefício do conhecimento e das reflexões (não necessariamente compartilhadas) dos veneráveis participantes. Ou se, por exemplo, para a parte ‘climática’, fosse repetida na presença de Greta Thunberg e de seus fãs”.

O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança [foto acima], bisneto da Princesa Isabel, fez a primeira exposição, ressaltando que a maior riqueza do Brasil, País tradicionalmente chamado de Terra da Santa Cruz, reside na civilização nascida do trabalho dos missionários, que foram capazes de criar uma integração verdadeira, variada e harmoniosa entre os povos e as classes sociais. Uma civilização na qual o espírito da luta de classes não existe, apesar dos enormes esforços da esquerda, “católica” ou não, para instilá-la.

Despertou grande interesse a conferência do líder indígena macuxi Jonas Marcolino [foto acima e ao lado], de Roraima, advogado e professor de matemática, conhecida voz dos nativos, que desejam progredir junto com o País, integrar a vida dos brasileiros e seus sistemas produtivos. Baseando-se também no livro profético Tribalismo indígena – ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI, o Prof. Jonas falou com muita calma e de modo muito convincente, denunciando o trabalho desses novos missionários cujo objetivo, repudiado pela maioria dos brasileiros indígenas, é manter os povos nativos em um estado de atraso e isolamento.

O climatologista Prof. Luiz Carlos Molion [foto ao lado], da Universidade de Alagoas, um dos maiores estudiosos da influência do bioma Amazônia no clima continental e global, desmantelou completamente, com grande clareza e baseado em dados científicos, a tese propagada pela grande mídia e por muitas ONGs — e também, infelizmente, por boa parte da hierarquia eclesiástica católica — segundo a qual a Amazônia seria o pulmão do mundo, e que certos desmatamentos levariam a uma espécie de apocalipse climático.

Encerrou a programação da manhã o norte-americano James Bascon, diretor do escritório da TFP de Washington, mostrando com textos de Marx e Engels que o atual ambientalismo nada mais é do que uma nova máscara usada pelo marxismo para cumprir as suas exigências revolucionárias.

No intervalo do almoço — servido no salão e no aprazível jardim do hotel — houve oportunidade para conversas animadas entre eclesiásticos, membros da nobreza europeia, professores, intelectuais, líderes da mídia digital e participantes de associações católicas pró-vida. Foi também o momento de a imprensa entrevistar os palestrantes, especialmente o Príncipe Dom Bertrand e o cacique Jonas Marcolino.

Na sessão da tarde, marcada pela presença do Cardeal Walter Brandmüller [2º à dir.], as intervenções versaram mais especificamente sobre as questões teológicas a serem tratadas pelo Sínodo Pan-amazônico. É oportuno lembrar que este prelado alemão, em declarações amplamente divulgadas na imprensa, qualificou o Instrumentum laboris de “herético e apóstata”.

O Prof. Stefano Fontana [foto ao lado], diretor do Observatório Cardeal Van Thuân, mostrou com brilho que tanto a teologia indígena quanto a teologia da libertação — na base dos documentos preparatórios do Sínodo — não constituem invenções da América Latina, mas são o resultado da filosofia e da teologia imanentista que, a partir de Hegel, penetraram pouco a pouco na Igreja Católica europeia, de modo especial na alemã.

O Prof. Roberto de Mattei [foto ao lado], conhecido historiador e presidente da Fundação Lepanto, em sua exposição observou a diferença radical entre o espírito que anima o Instrumentum laboris do Sínodo e o que inspirou as missões católicas nas Américas.

José Antonio Ureta [foto abaixo], escritor e pesquisador da TFP francesa, expôs os principais pontos do Instrumentum laboris, os quais contrastam com o ensinamento bimilenar da Igreja, e convidou o público a uma resistência legítima, caso essas diretrizes sejam impostas ao mundo católico.

O último ato consistiu na projeção de um audiovisual sobre a caravana de jovens colaboradores do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, que percorreram 10 mil km na região amazônica e coletaram mais de 20 mil assinaturas pedindo ao Papa e aos padres sinodais que não deixem a Amazônia no atraso ao qual seria relegada pela adoção do modelo ideológico tribal.

Após a oração do Angelus, os participantes cantaram com o Cardeal Brandmüller a Salve Regina, pedindo a Nossa Senhora de Guadalupe sua intervenção providencial para evitar os males que o Sínodo poderá causar à Igreja, à civilização e à própria Amazônia.

O evento do Quirinale Hotel foi um oportuno contraponto aos graves erros propostos pelo Instrumentum laboris, e teve grande repercussão na capital italiana e na imprensa católica internacional.

A versão completa das palestras está publicada no site https://ipco.org.br/ e também no https://panamazonsynodwatch.info/_

Entrega do abaixo-assinado na secretaria do Sínodo

Que o Sínodo Especial para a Região Pan-Amazônica seja a oportunidade para um verdadeiro reavivamento do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, evitando qualquer tentação ao sincretismo religioso. Este foi o apelo lançado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira aos padres sinodais, que se reuniriam em Roma de 6 a 27 de outubro.

No dia 4 de outubro, o jornalista Nelson Ramos Barretto [foto ao lado] entregou no Vaticano mais de 22 mil assinaturas recentemente coletadas durante campanha organizada pelos jovens voluntários do Instituto, que em vinte dias percorreram vastas regiões amazônicas.

Em carta destinada ao encaminhamento do abaixo-assinado, endereçada ao Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário-geral do Sínodo dos Bispos, o presidente do Instituto, Dr. Adolpho Lindenberg, lembrou o trabalho meritório realizado pela Igreja na América ao longo dos séculos, destacando também como o Brasil sempre foi chamado “Terra da Santa Cruz”.

Ele destacou que a maioria da população da região amazônica pede à Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos “que não atue como uma caixa de ressonância de teorias que estão longe de ter a aprovação da comunidade científica, e que poderiam jogar esse imenso território no atraso social e econômico. Essas teorias, embora amplamente divulgadas pelos poderosos deste mundo — como as Nações Unidas, inúmeras ONGs extremamente ideológicas e a grande mídia — não representam o sentimento comum do homem da rua daquela região, como nossos jovens puderam ver e comprovar”.

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