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AS “NETAS DE DEUS” (II)

Pe. David Francisquini (*)

Sempre com fundamento na doutrina católica, damos hoje prosseguimento à matéria sobre a liceidade da veneração de imagens a partir da vinda à Terra do Filho de Deus, encarnando-se no seio virginal de Maria Santíssima. Segundo São João Damasceno, Aquele que era e é invisível para nós se torna assim visível.

Com efeito, prossegue o Padre oriental da Igreja, uma das grandes figuras do cristianismo não só da época em que viveu (séc. VII e VIII), mas de todos os tempos: “Aquele que é puramente espiritual se torna carne e vive entre nós. É o instrumento que Deus nos deu para nossa redenção e salvação”.

Esta nova aliança com o gênero humano, Deus a quis selar tornando-se Ele próprio membro integrante desse gênero pela união hipostática.

Cientistas analisaram a mortalha com que Cristo fora envolvido no Santo Sepulcro, conhecida como Santo Sudário de Turim [foto]. Nela se encontra portentosamente a figura do divino corpo. As chagas nele impressas são de tal modo visíveis, que escultores puderam talhar em madeira uma reprodução exata de Cristo morto e pregado na cruz.

Numa época como a nossa, adiantada em conhecimento técnico e científico, mas decadente e sem fé, as descobertas no Santo Sudário vieram confirmar tudo aquilo que fora narrado nas Sagradas Escrituras: Cristo padecendo e morrendo por nós, mostrou ao mundo inteiro que Ele quis nos deixar a sua figura sagrada impressa naquele tecido.

Ainda na Paixão, o gesto de coragem e dedicação de Verônica [pintura ao lado] ao enxugar o rosto de do Divino Redentor foi recompensado com a impressão miraculosa de sua santa Face na toalha. Todas as relíquias da Paixão — a Santa Cruz, os cravos, a coroa de espinhos — merecem atos de adoração por pertencerem ao Homem-Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade.

O culto de latria, ou de adoração, é prestado somente a Deus. Aos santos são prestados cultos de dulia, ou seja, culto de veneração, de homenagem feita ao próprio santo por ser amigo de Deus. E o culto que se presta a Virgem Santíssima é o de hiperdulia, pelo fato de ser Ela a mãe de Deus por obra do Espírito Santo.

Lembramos mais uma vez que não existe na Igreja adoração de imagens de santos, da Santíssima Virgem, e nem mesmo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós católicos as veneramos, as tratamos com respeito, rendemos-lhes as devidas homenagens, porquanto elas nos animam e nos incentivam na fé, na devoção e na piedade.

Se precisarmos falar com um chefe de Estado, o expediente mais simples consiste o mais das vezes em fazê-lo através de um de seus ministros, ou mesmo de um amigo próximo dele, para assim alcançarmos o mais rapidamente possível o almejado.

Analogamente, ao rezarmos diante de uma imagem de determinado santo, nós o focalizamos enquanto amigo e intercessor junto a Deus. No Ritual Romano, a Igreja tem bênçãos especiais para que tais objetos se tornem sagrados.

Deixo mais uma vez a promessa de voltar ainda ao assunto na primeira ocasião.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira – RJ

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