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Cardeal Kasper reacende o debate sobre a comunhão para os divorciados

Mathias von Gersdorff

Sinodo da Familia

Frankfurt, 2 de novembro de 2015 — Como era de esperar, na semana passada houve muitas tomadas de posição e comentários sobre o Sínodo da Família, encerrado no dia 25 de outubro último. A maior parte deles se ocupou da Relatio finalis, publicada no dia anterior, 24 de outubro.

Objeto de maior atenção foram os parágrafos 84, 85 e 86. Neles se tratou dos “divorciados recasados”, na verdade o tema mais candente antes e durante o Sínodo.

A discussão sobre esses parágrafos focaliza principalmente o seguinte ponto: de acordo com o relatório final, podem os divorciados recasados em certos casos receber a comunhão? Bem entendido, a Relatio finalis não é um documento magisterial de caráter vinculante. Trata-se de é um mero escrito com recomendações ao Papa, que pode fazer uso dele como bem entender. O Papa não tem qualquer obrigação com relação ao documento.

As tomadas de posição a respeito dos discutidos parágrafos 84, 85 e 86 foram bastante diferentes entre si.

O cardeal George Pell, por exemplo, disse numa entrevista com o vaticanista Edward Pentin que do relatório final não se pode deduzir a admissão dos divorciados recasados à comunhão. O documento deve, segundo ele, ser lido no contexto da doutrina católica sobre matrimônio e sexualidade e que, portanto, está excluída a comunhão para esses casos.

Por outro lado, o cardeal Raymond Leo Burke opina que o texto não é claro e pode até mesmo ser mal entendido. Em particular no que se refere à indissolubilidade do matrimônio — um elemento, portanto, essencial da doutrina católica —, o documento é deficitário. A exclusão dos divorciados recasados da comunhão está intimamente ligada à indissolubilidade conjugal.

Os delegados da Conferência Episcopal Alemã, cardeal Marx, arcebispo Koch e bispo Bode, haviam se manifestado de forma extremamente cautelosa. Eles disseram que a porta para a comunhão dos divorciados recasados não teria sido fechada inteiramente pelo Sínodo.

Em geral, as tomadas de posição situaram-se entre essas duas posições. Quanto aos teólogos, suas posições são mais definidas. Recebeu especial atenção a longa tomada de posição da professora de Direito Canônico canadense Aline Lizotte, do Instituto Karol Woytyla de Paris.

Eis aqui, bastante resumidos, suas criticas mais importantes: 1) Os §§ 84, 85 e 86 não empregam, de fato, a palavra “comunhão”, mas descrevem a situação e os direitos dos divorciados recasados de tal forma que não exclui mais uma admissão à comunhão e nem mais pode excluí-la. 2) Pior ainda é, segundo Lizotte, o fato de o documento, pelo menos nos parágrafos 84 a 86, conferir à situação subjetiva dos concernidos preferência sobre sua situação objetiva (em virtude do papel decisivo que se dá ao forum internum). Caso a Igreja se decida a favor de semelhante abordagem, estaríamos diante de uma mudança teológico-histórica, opina Lizotte.

Em meio a esse debate de conteúdo altamente explosivo, o cardeal alemão Walter Kasper, há dois anos o ícone do progressismo nessa discussão teológica, toma a seguinte posição:

“(O Sínodo) abriu por assim dizer a porta para a admissão em casos individuais dos divorciados recasados aos sacramentos, porém não a transpõe.” (Discurso por ocasião do aniversário de 75 anos de Dom Mussinghoff).

Involuntariamente surge a pergunta: como é que estando a porta aberta não se pode transpô-la?

Caso o cardeal alemão esteja dizendo realmente o que pensa, a única resposta possivel a essa questão é que ele compartilha um tanto a opinião da canadense Aline Lizotte: o relatório final transfere a decisão sobre a admissão à comunhão para o foro interno, portanto à conversa dos concernidos com seus confessores. O estado objetivo (portanto, o fato de que houve um novo casamento depois do divórcio) parece ser secundário. O único motivo por onde não se pode ainda transpor essa porta seria o aspecto vinculante, do qual carece o relatório final.

No que diz respeito à intenção do cardeal Kasper, sua tomada de posição pode ser interpretada como um convite aos teólogos progressistas para que se tornem ativos, engajando-se no debate e defendendo com argumentos essa interpretação da Relatio finalis

A voz dos teólogos tornar-se-á especialmente importante no caso de uma “descentralização” dessa questão, ou seja, se esse tema for discutido e resolvido em nível diocesano.

O Papa Francisco exprimiu reiteradas vezes em tempos recentes o seu desejo de uma descentralização. Esta poderia ser mal utilizada por muitos bispos como pretexto para procurar “soluções locais” para questões referentes à doutrina e à moral.

Por causa da melhor estruturação organizacional da esquerda católica nas dioceses, uma discussão como esta seria devastadora, podendo levar rapidamente à constituição de igrejas nacionais.

_______

(Tradução do original alemão por Renato Murta de Vasconcelos)

 

 

3 comentários para Cardeal Kasper reacende o debate sobre a comunhão para os divorciados

  1. Fernando Lopes de Almeida Soares Responder

    4 de novembro de 2015 à 11:27

    *

    Nacionais igrejas
    progressistas viabiliza
    aloprado Kasper?

    – FLASh

    http://www.abim.inf.br/cardeal-kasper-reacende-o-debate-sobre-a-comunhao-para-os-divorciados/#.VjnrGqlTvqA

    .

  2. Mario Hecksher Responder

    4 de novembro de 2015 à 11:41

    Esses indivíduos têm um objetivo a alcançar. Querem destruir a Igreja e não vão desistir de seus intentos. Mas vão perder a guerra, que será longa.

  3. ely Responder

    30 de março de 2016 à 15:20

    Jesus deu uma ordem e orientação ao Pedro: ” Edifique aqui a minha Igreja, o inferno não prevalecerá sobre ela.” Não deixe que essas palavras de Jesus fique sem validade por causa de determinados Cardeais que com a sua idéia apóstata suplante os ensinamentos de Jesus e da história dos Papas que antecederam e que não tinham pensamentos marxistas.Leiam esse texto de psiquiatra:http://homemculto.com/0-0-0-0-ciencia-prova-que-esquerdismo-e-doenca-mental-incuravel/

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