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“Direitos” de rios e bichos (II)

ecologiaDeus, o homem e o uso dos seres irracionais

♦  Marcos Machado

Iniciamos, no último artigo, considerações sobre um tema tantas vezes focalizado de modo equivocado na mídia e em meios culturais influenciados pela esquerda petista e não petista: os “direitos” de seres irracionais.

Citamos o artigo de “O Globo” (1º-6-18), de Marlen Couto: “Um rio pode entrar na Justiça para defender-se da poluição? […] a Justiça Federal de Belo Horizonte analisa se aceita ou não uma ação movida em novembro pela ONG Pachamama em que o próprio Rio Doce pede seu reconhecimento. […] a mudança de tratamento na lei, na avaliação de seus defensores, amplia a proteção ambiental ao aproximar direitos de rios e animais, por exemplo, aos garantidos aos humanos”.

Vimos que Deus, autor da Criação, criou o Homem à Sua Imagem e Semelhança (inteligência, vontade) e o constituiu Rei de todos os seres: “Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais, que se movem sobre a terra” (Gen. I, 28).

Em consequência, os seres irracionais ficam submetidos ao homem, que guiado pela Lei Natural e, mais ainda, pela Moral Católica, fará o reto uso das leis da natureza em relação aos seres não inteligentes.

Queremos hoje tratar de mais um aspecto da questão.

A lei do pêndulo na História

Há uma lei histórica, que poderíamos denomina-la “lei do pêndulo”, a qual nos mostra que um extremo de intemperança provoca um cansaço na opinião pública e prepara com isso o ambiente para que ela aceite uma intemperança oposta.

Deu-se isso, por exemplo, nos extremos de sangueira provocados pelo comunismo e pelo nazismo na Segunda Guerra mundial, os quais criaram as condições psicológicas ou a apetência de um pacifismo desenfreado no pós- guerra.

A formulação corrente de que um extremo atrai outro extremo é fundamentalmente errada. Um auge de virtude nunca gera um auge de mal. Mas um extremo intemperante atrai outro extremo intemperante.

Assim, Nosso Senhor Jesus Cristo pregando e ensinando o extremo do verdadeiro, do bom e do belo, jamais foi causa do extremo oposto, ou seja, do errado, do mau ou do feio.

O mesmo se passa na sociedade humana: o reto progresso — que é fundamentalmente afim com a Tradição — prepara para novos progressos. Nunca um reto progresso cria condições para a barbárie.

A “lei do pêndulo” nos mostra, pelo contrário, que um extremo desordenado causa um cansaço e prepara a opinião pública para o extremo oposto.

O terreno fértil para o proselitismo ecológico vem exatamente de um progresso sem tradição que norteou a chamada Revolução Industrial, com seus excessos, sua poluição etc., Um abismo atrai outro abismo, diz a Sagrada Escritura.

O homem deve completar a excelência da Criação

ecologiaComenta o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: “É desígnio da Providência que, agindo segundo essa ordem [criada por Deus], a humanidade complete de algum modo, com a obra de suas mãos, a excelência da criação. Quando a técnica se deixa guiar inteiramente pela doutrina da Igreja, ela concorre para produzir o verdadeiro progresso, muito diverso do imenso caos a que nos conduziu o tecnicismo neopagão.”

Essa observação do Prof. Plinio é muito oportuna, porque a ecologia coloca uma “camisa de força” na criatividade do homem e paralisa nossos esforços na linha do reto progresso, da excelência da criação. “As obras do homem são netas de Deus”, afirmou Dante Alighieri. Deus quer que o homem aperfeiçoe a natureza.

Assim procedeu, por exemplo, o Aleijadinho, tomando a pedra sabão e fazendo com ela a verdadeira maravilha que são os Profetas em Congonhas do Campo [foto ao lado: estátua do Profeta Daniel].

O mesmo se diria do Cristo Redentor no Corcovado. O homem intuiu que uma imagem do Salvador ficava bem ali, e então corou aquela natureza, completando-a com um “possível de Deus” — ou seja, com algo que Deus poderia ter feito, mas quis deixar para o homem fazer.

Prossegue o Prof. Plinio:

“Não é verdade que o universo seja um caos: ele é, pelo contrário, uma obra ordenada e excelente de Deus; em consequência, o progresso técnico em si mesmo não pode senão trazer benefícios para a humanidade.”

Voltando à raiz do problema e apontando a solução, ele continua:

“Se, in concreto [o progresso técnico], não os trouxe, e até concorreu para agravar imensamente os problemas humanos, deve-se atribuir isto ao fato de que o progresso contemporâneo, sob muitos e muitos aspectos, não é mais um progresso autêntico: ele se deixou inspirar e guiar por doutrinas falsas, e assim passou a ser, não in totum, mas de várias maneiras, um fator de deformação do homem e de agravamento de seus problemas”.

Portanto, corrijamos o desvio no homem e não caiamos no erro crasso (dos ecologistas) de atribuir “direitos” a seres irracionais.

“Este dramático desvio do progresso foi possível porque existe na humanidade um fator de desordem, causado pelo pecado original e pelos pecados atuais. Este fator, pelo qual, como vimos, tantas vezes o progresso se deixou dominar e corromper, não é obra de Deus, mas do homem”.

Terminamos com uma nota de esperança

“O remédio para este mal consiste em [voltar-se para] Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador nosso. Se o homem não tivesse se afastado d’Ele, o progresso não teria sofrido tão trágico desvio. Se o homem se voltar para o seu Divino Salvador, o progresso se desenvencilhará de suas deturpações e produzirá os frutos mais excelentes.”1

Fica, pois, apontada a verdadeira solução: voltarmo-nos para o “Divino Salvador, e o progresso se desenvencilhará de suas deturpações e produzirá os frutos mais excelentes”.

         Para isso nos ajudem Nossa Senhora Aparecida e o Cristo Redentor.

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  1. “Catolicismo” Nº 91 – Julho/1958.  http://catolicismo.com.br/acervo/num/0091/P04-05.html

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