Widgetized Section

Go to Admin » Appearance » Widgets » and move Gabfire Widget: Social into that MastheadOverlay zone

É por eles que os sinos dobram…

Jose Carlos Sepulveda da Fonseca

CemitérioA civilização moderna, voltada para o culto ao corpo, carregada de superstições da saúde perfeita, inebriada pela superficialidade despreocupada, não gosta de refletir sobre o sofrimento e a morte.

A Igreja, Mãe sábia e mestra da Verdade, pelo contrário, dedica um dos dias do ano à recordação daqueles que já partiram. Ela nos convida a rezar pelos que adormeceram na paz do Senhor; e nos ensina a encarar a morte com serenidade, com grandeza, mesmo no que ela tem de aflitivo e catastrófico.

A Revolução, toda voltada para a construção da Cidade do Homem, de que falava Santo Agostinho, não gosta daquilo que recorde ao homem seu destino eterno. Por isso, aos poucos, vai abolindo os cerimoniais e os símbolos do luto, como se abolindo, por exemplo, os tecidos escuros, conseguisse afastar dos homens o sofrimento e a morte. Até mesmo entre os católicos, de tendências progressistas, há um anseio de tudo tornar festivo e fazer esquecer, na liturgia, aquilo que recorde o luto.

Neste Dia de Finados, Francisco José Viegas, no seu blog do jornal português Correio da Manhã, escreveu uma reflexão, breve e contundente, que tenho o gosto de compartilhar aqui:

CemitérioNum mundo que glorifica o corpo e o seu culto narcísico (e a sua paranoia alimentar), que despreza os velhos e endeusa a juventude, a ideia de visitar os mortos – os nossos mortos – é absurda. Mas não devia.

Os sinos dobram por eles e por nós. O Dia de Finados pertence à categoria das velharias que a civilização da frivolidade dispensa como um incómodo; para os neurónios (por assim dizer) dos especialistas em “autoajuda” e “bem-estar” devemos ignorar a morte e declarar os mortos como coisa inexistente.

  • A verdade é que a morte (que nos levou os mais próximos, que nos desafia permanentemente) é essa fronteira que coloca a nossa pobre existência diante do desconhecido; é um tabu que pretendemos ignorar em vão, tal como a experiência religiosa ou o contacto com a melancolia e o silêncio.

Uma civilização arrapazada e fedelha que não relembra os mortos talvez não mereça um futuro promissor. Este dia merece uma paragem: para que contemplemos o invisível e relembremos os que partiram e viveram connosco. É por eles que os sinos dobram. Um dia será por nós.

1 comentário para É por eles que os sinos dobram…

  1. Costa Marques Responder

    10 de novembro de 2016 à 14:51

    Muito oportuno artigo de Sepulveda da Fonseca comentando de forma atual o Dia de Finados.
    Pensa nos Novissimos (morte, juizo, inferno, Paraiso) e nao pecaras eternamente, ensinou Nosso Senhor!
    Porque razao os progressistas nao falam dos Novissimos? E’ porque criaram uma igreja terrena, toda voltada ‘a pregacao da igualdade, e das reformas de estrutura.
    E o que fara’ Nosso Senhor quando estes progressistas comparecerem no Juizo? CostaMarques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *