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E por que não uma Cruzada?

Revista Catolicismo, Nº 767 (novembro/2014)

Ante a agressão do extremismo islâmico,

a atitude autenticamente católica

               Alejandro Ezcurra Naón 

Agência Boa ImprensaÀ medida que vão sendo conhecidos os massacres perpetrados pelos terroristas do Estado Islâmico e seus congêneres contra cristãos da Ásia Menor e da África, cresce a indignação na opinião pública do Ocidente. E muitos começam a perguntar se não se deveria convocar uma nova Cruzada em defesa desses povos, vítimas de uma inédita guerra de extermínio em nome de Alá.

A palavra “Cruzada” pode causar calafrios a liberais inveterados, como também a católicos picados pela mosca do relativismo progressista. Uns e outros procuraram estigmatizá-la, associando-a ao abuso, à cobiça, ao afã de domínio político, etc. Mas, felizmente, sua tentativa foi vã.

Embora tenha havido cruzados indignos desse nome, como os há em todas as categorias de pessoas, o protótipo do Cruzado é um só: o Cavaleiro cristão, cujo idealismo e virtudes mil vezes comprovadas converteram-no em paradigma, em modelo de homem de honra perfeito e acabado, inigualado na História. E a gesta das Cruzadas ficou de tal maneira unida aos valores da Cavalaria, que ela perdura até hoje no imaginário do Ocidente, aureolada de merecido prestígio.

Na origem das Cruzadas, a defesa dos

cristãos oprimidos

Ao contrário do que se tenta impingir como verdade, as Cruzadas, de fato, nasceram como defesa das populações cristãs em situação de fraqueza diante das agressões, abusos e vexames sem conta cometidos contra elas pelos muçulmanos — em tudo similares aos praticados hoje pelos guerrilheiros do Estado Islâmico.

A notícia desses abusos moveu o Papa Urbano II a convocar em 1095 o Concílio de Clermont, Agência Boa Imprensaassistido por 300 bispos e milhares de nobres. Ali, o retrato da terrível situação dos peregrinos e dos habitantes cristãos da Terra Santa, agredidos e oprimidos pelo poder muçulmano, e das profanações contra os lugares santos, determinou que ao grito de Deus vult! (“Deus o quer!”), um vento de coragem e decisão percorresse as fileiras dos cavaleiros presentes, e se propagasse em seguida pela França e pela Europa.

Milhares decidiram fazer um voto de cruzada e partir para a Terra Santa. Nasceu assim a Primeira Cruzada, que culminaria vitoriosamente em 1099 com a conquista de Jerusalém, arrebatada aos egípcios pelo lendário Godofredo de Bouillon e pela flor da nobreza francesa.

 

Uma gesta impulsionada e

protagonizada por santos da Igreja

Ávidos de lhes encontrar defeitos, os críticos das Cruzadas se esquecem de que o essencial dessa gesta foi a justiça de seu objetivo, servida pela santidade de seus propulsores e protagonistas. Santo foi o propulsor da Primeira Cruzada, o bem-aventurado Urbano II; santo foi o Doctor Melífluo, São Bernardo de Claraval — a quem se deve a belíssima oração do Lembrai-vos… —, autor da regra de vida dos Cavaleiros Templários, na qual figura o famoso voto de não recuar no campo de batalha; santos foram os reis cruzados São Luís IX da França (que comandou não uma, mas duas Cruzadas!) e seu primo espanhol, São Fernando III de Castela, que com ímpeto incontenível, em poucos anos recuperou aos mouros metade da Espanha, inclusive as cidades de Córdoba e Sevilla.

Santo foi também o heroico frade franciscano São João de Capistrano, cognominado de “o padre piedoso”, que com risco de perder a vida alentou os cruzados em pleno campo de batalha e contribuiu decisivamente para a vitória contra os turcos em Belgrado (1456); santo foi igualmente o Papa São Pio V, organizador da grande cruzada naval que, no golfo de Lepanto, quebrou definitivamente em 1571 o poderio naval dos turcos; do mesmo modo santo foi o bem-aventurado Inocêncio XI, o qual convocou a Cruzada contra os turcos que assediavam Viena (1683). Com ele cooperou outro beato franciscano, Marco d’Aviano, que ajudou a organizar o vitorioso exército cristão, o qual, embora três vezes inferior em número (60 mil contra 180 mil), derrotou os turcos e extinguiu para sempre a ameaça terrestre otomana à Europa central.

Poderíamos citar ainda muitos outros santos com espírito de Cruzado, como o caritativo São Vicente de Paulo, que ao ser surpreendido pela morte impulsionava um projeto de Cruzada ao norte da África.

 

São Francisco de Assis defende as

Cruzadas e insta o sultão a se converter

Alguém poderá objetar: não entendo São João de Capistrano e o bem-aventurado Marco d’Aviano: como é possível que pacíficos santos franciscanos tenham se envolvido numa Cruzada? Tal ação não contradiz sua vocação de homens de paz?

Agência Boa Imprensa

São Francisco de Assis diante do sultão do Egito (Giotto di Bondone, 1267-1337)

De nenhum modo! Estando a Cristandade em perigo, o que há de mais lógico do que defendê-la e apoiar os que a defendem? Tanto é assim que o próprio São Francisco de Assis deu o exemplo a seus frades: ele acompanhou a Quinta Cruzada e teve a coragem de proclamar sua legitimidade diante do próprio sultão do Egito!

Essa santa ousadia ocorreu em 1219, quando o sultão Malik al-Kamil recebeu São Francisco próximo de Damieta. O episódio é assim narrado por Frei Illuminato, seu companheiro de incursão:

O Sultão apresentou [a São Francisco] outra questão: ‘Teu Senhor ensina nos Evangelhos que não se deve pagar o mal com o mal, e que inclusive não deves negar o manto a quem quiser subtrair-te a túnica. Portanto, os senhores cristãos não deveriam invadir nossas terras’.

Ao que o Beato Francisco respondeu:

Parece-me que tu não leste todo o Evangelho. Em outras passagens, na verdade, está dito: ‘Se teu olho te é ocasião de pecado, arranca-o e atira-o fora de ti’. Com isto quis Jesus nos ensinar que caso tenhamos um parente, por mais querido que este nos seja, ainda que tão querido como a menina de nossos olhos, se tentasse nos afastar da fé e do amor de nosso Deus, devemos estar decididos a separá-lo, a afastá-lo, a erradicá-lo de nós. Por tudo isso, os cristãos agem segundo a justiça quando invadem vossas terras e vos combatem, porque vós blasfemais contra o nome de Cristo e porfiais em afastar de Sua religião todos os homens que podeis. Entretanto, se tu quiseres conhecer, confessar e adorar o Criador e Redentor do mundo, amar-te-ei como a mim mesmo”.

Todos os presentes ficaram tomados de admiração por sua resposta”.(*)

*     *     *

Os santos que acima citamos, por sua virtude e elevação moral, são exemplos para nós. Quando até São Francisco de Assis justifica plenamente, em nome do Evangelho, a Cruzada contra aqueles que usam a violência para arrancar das almas a fé em Jesus Cristo, nada impede, em princípio, que nós, católicos, o imitemos.

Sendo assim, não será uma Cruzada o que Deus pede neste momento às nações ocidentais e ainda cristãs, para deter o extremismo islâmico e evitar ao mundo males maiores?

E-mail para o autor: catolicismo@terra.com.br

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Nota:

(*) “Fonti Francescane”, Seção terceira, Outros depoimentos franciscanos, N° 2691, http://www.ofs-monza.it/files/altretestimonianzefrancescane.pdf

 

 

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