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FIM DE UMA TRADIÇÃO? Vaqueiros protestam em Brasília

Paulo Roberto Campos

 FIM DE UMA TRADIÇÃO? Vaqueiros protestam em Brasília

Milhares vaqueiros nordestinos e trabalhadores vinculados às tradicionais “vaquejadas” fizeram, no dia 25 último, grande manifestação em Brasília: a “Marcha dos Vaqueiros. [fotos]

FIM DE UMA TRADIÇÃO? Vaqueiros protestam em BrasíliaEles levaram seus cavalos e bois na manifestação e protestaram na Esplanada dos Ministérios contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de proibir as vaquejadas, nas quais vaqueiros em cavalgada tentam derrubar o bovino. São eventos arraigados na cultura e na alma do nordestino, com demonstrações de coragem e cercados de aspectos religiosos, como homenagens aos Padroeiros das cidades onde se realizam.

O STF alegou “maus tratos nos animais”, o que é negado pelos vaqueiros, que garantem que a prática nos últimos 10 anos foi regulamentada a fim de se assegurar a proteção dos animais, que é fiscalizada por veterinários.

Zito Buarque (vaqueiro de Campina Grande, PB) disse que várias cidades do Nordeste vivem das vaquejadas, gerando trabalho para muitos na fabricação de ferraduras, arreios, criação de animais etc. Disse também que há muita desinformação sobre eventual sofrimento do animal: “Hoje o que existe é a vaquejada moderna. O boi hoje, quando corre, é com protetor de cauda. Não se pode mais usar espora e chicote. O animal cai na areia com 50 ou 60 centímetros para amortecer. No passado pode ter existido, mas hoje não há maus-tratos”.

Os vaqueiros desejam manter viva essa tradição do povo nordestino que, ademais, auxilia fortemente a economia dos estados e das famílias naquela região. Por isso, pedem ao STF a revogação da decisão, que poderá causar graves prejuízos financeiros, além de dano à cultura do Nordeste.

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A Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia afirmou em nota ser favorável às vaquejadas. “A equideocultura é a segunda atividade econômica da pecuária nacional, e a Bahia possui o 1º plantel de equídeos nacional (Equinos, Muares e Asininos), o que contribui significativamente para a economia regional do setor agropecuário, responsável pela geração de milhares de postos de trabalho”, afirma a nota.

FIM DE UMA TRADIÇÃO? Vaqueiros protestam em BrasíliaSegundo estimativas da Associação Baiana de Vaquejada, “Atualmente são realizados mais de quatro mil eventos do tipo na Bahia, movimentando R$ 800 milhões por ano, e gerando cerca de 720 mil empregos, sendo 120 mil diretos e 600 mil indiretos”. O que é confirmado pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha e pela Associação Brasileira de Vaquejadas.

Essa tradição do Brasil real, nascida no agreste nordestino — quando vaqueiros montados, usando trajes típicos e com muita habilidade, juntavam o gado no sertão —, já faz parte da história do Nordeste heroico, profundo e verdadeiro. Portanto, não se pode permitir o seu esvanecimento, muito menos a sua extinção.

A respeito, segue interessante artigo de Carlos Sodré Lanna, publicado na Revista Catolicismo, Nº 551, Novembro/1996.

 

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Vaquejadas e Rodeios

Carlos Sodré Lanna

Antigamente o gado e outros animais eram criados em campos e pastagens não divididos. O rodeio e a vaquejada anunciavam a separação e a entrega das reses aos seus respectivos donos. Daí o termo “apartação” ou “aparte”, reunião dos animais para contagem, tratamento de feridas e doenças, marcação, beneficiamento e transferência para outras partes. Com o aparecimento dos campos cercados esses métodos foram desaparecendo, e o que era trabalho foi virando festa e competição, como sucede nos rodeios e vaquejadas em nossos dias.

Os grandes rodeios começaram nos Estados Unidos no início do século XX. Hoje é competição popular no País. Na Final Nacional de Rodeios de Las Vegas, em 1991, o público pagante foi de 171.414 pessoas. 2,6 milhões de dólares em prêmios foram oferecidos aos vencedores (Guinness Book/96).

No Brasil, a competição em rodeios teve inicio em 1956 em Barretos (SP), na Festa do Peão Boiadeiro da cidade. No ano de 1991 foi atingido número recorde de 950 montarias, e em 1994 distribuíram-se 200 mil dólares em prêmios.

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As vaquejadas

A vaquejada consiste em demonstrações de perícia dos vaqueiros, à semelhança do rodeio, mas com característica própria, que é a derrubada do bovino pela cauda. Festa muito tradicional no nordeste brasileiro, reúne grande número de curiosos, atraindo igualmente vaqueiros famosos e animais bravios e conhecidos. O boi ou novilho corre em velocidade e dois vaqueiros o perseguem. Um procura mantê-lo na direção desejada, e o outro segura sua cauda e dá um forte puxão, afastando o cavalo para o lado. Desequilibrado, o boi é derrubado, às vezes de patas para o ar. Banda de música e foguetes comemoram o feito; mas se o vaqueiro não consegue derrubar o animal, recebe uma sonora vaia. Esse costume de derrubar o touro pela cauda é de origem espanhola.

Além do costume tradicional no Nordeste, há sempre uma nota de religiosidade nos rodeios e vaquejadas em todo o Brasil. Nos rodeios, as orações dos cavaleiros antes das provas e o desfile de bandeiras dos padroeiros nas cerimônias de abertura são sempre as mais aplaudidas pelo público.

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Os rodeios

De norte a sul do Brasil existem as exposições ou feiras agropecuárias, nas quais são promovidos grandes e famosos rodeios, além de leilões de animais, desfiles e outras atrações. Mas nem todos os rodeios são realizados nas feiras de gado, muitos são promovidos em locais exclusivamente dedicados às competições.

FIM DE UMA TRADIÇÃO? Vaqueiros protestam em BrasíliaO rodeio é uma demonstração pública de bravura e domínio do animal. Os cavalos, e muitas vezes touros bravios, tentam derrubar o cavaleiro, dando pinotes para frente e para trás e jogando-se bruscamente para todos os lados. O cavaleiro tem que permanecer no dorso do animal pelo menos durante 10 segundos. As principais competições de um rodeio são: cavalgar cavalos bravios com selas ou em pelo, cavalgar touros, laçar bezerros em plena corrida e derrubar bezerros pelos chifres. Os competidores têm que cumprir um rigoroso regulamento e concorrem a valiosos prêmios.

Existem provas de tempo e de habilidade. Nas de tempo, julga-se a rapidez do cavaleiro em realizar manobras como laçar um novilho ou um touro, derrubá-lo e amarrar suas patas, ou pular de seu cavalo para o lombo de um touro e derrubá-lo. Nas de habilidade, são realizadas provas como cavalgar cavalo ou touro bravios.

Alguns rodeios atraem cavaleiros famosos que vêm de longe, assim como seus cavalos e mesmo os touros. É a ocasião em que os repentistas, sempre presentes, improvisam a descrição da festa, num clima propício para os desafios entre eles. As vestimentas usadas são típicas das zonas rurais: botas altas, calças rancheiras, camisas coloridas e chapéus de aba larga.

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4 comentários para FIM DE UMA TRADIÇÃO? Vaqueiros protestam em Brasília

  1. MARIO HECKSHER Responder

    27 de outubro de 2016 à 22:19

    A pior coisa que existe é esta mania do Estado, por intermédio de um dos poderes, querer controlar coisas sem a menor importância e que, no final, vão causar desemprego. Atuar sobre o tráfico de entorpecentes e sobre os políticos ladrões, isto não fazem! São inimigos do povo e das tradições!

  2. Frederico Hosanan Responder

    28 de outubro de 2016 à 1:29

    A vaquejada é uma autentica festa do sertanejo, nascida das circunstâncias em épocas difíceis do desbravamento do sertão brasileiro. Está entranhada na cultura de nosso povo como expressão da riqueza de valores em que predomina a bravura e o heroísmo. A vaquejada é patrimônio da cultura sertaneja.
    Parabéns ao autor pela apresentação do tema.

  3. Renato Monteiro Responder

    30 de outubro de 2016 à 18:20

    Os vaqueiros tem razão não existem nas vaquejadas de hoje maus tratos para os animais talvez coisas do passado.Nas vaquejadas modernas não se pode usar chicotes ou esporas e se o animal cai é em areia com 60 centímetros para amortecer a queda. As vaquejadas ajudam a economia nos estados do nordeste brasileiro e das famílias da região gerando trabalhos na fabricação de arreios, ferraduras e na criação dos animais.

  4. Frederico Hosanan Responder

    1 de novembro de 2016 à 23:39

    Sobre esta matéria sobre as VAQUEJADAS, aqui uma (boa) notícia de hoje:
    PRONTO PARA SANÇÃO
    Senado reconhece vaquejada e rodeio como patrimônios culturais

    1 de novembro de 2016, 18h52
    O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (1º/11) proposta que eleva a vaquejada e o rodeio à condição de manifestações da cultura nacional e patrimônio cultural imaterial. A medida passou em votação simbólica, sem ampla discussão, e já será encaminhada para sanção ou veto do presidente da República, Michel Temer (PMDB).
    A vaquejada consiste na perseguição de bovinos por pessoas montadas a cavalo, com o objetivo de derrubá-los, puxando-os pela cauda, e é promovida em municípios brasileiros há mais de 100 anos, segundo o autor do texto, deputado Efraim Filho (DEM-PB).
    Na manhã desta terça, quando o Projeto de Lei Complementar 24/2016 foi aprovado na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, senadores contrários consideraram o texto inconstitucional — no dia 6 de outubro, o Supremo Tribunal Federal derrubou uma lei do Ceará que regulamentou a vaquejada como prática desportiva e cultural no estado.
    O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) afirmou que a aprovação do PLC não terá nenhum efeito prático sobre a liberação da vaquejada. Segundo ele, o Supremo discutiu dois valores conflitantes na Constituição Federal: as manifestações culturais e a proibição à crueldade com animais. “A última palavra em relação a esse conflito continuará sendo do STF”, disse o tucano.
    Vaqueiros aplaudem aprovação de PLC sobre vaquejada, em comissão do Senado.
    Marcos Oliveira/Agência Senado
    Marta Suplicy (PMDB-SP) citou relatórios do Conselho Federal de Medicina Veterinária contrários à vaquejada. Afirmou ainda que a proposta foi aprovada sem que órgãos técnicos ligados ao Ministério da Cultura tenham sido consultados.
    Já para o senador José Agripino (DEM-RN), “o que se precisa é corrigir o que ainda é feito de forma errada”. Ele afirmou que hoje a manifestação já é acompanhada por veterinários e adota meios mais seguros para os animais. O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) disse que a vaquejada tem dimensão econômica em áreas rurais nordestinas, gerando centenas de milhares de empregos diretos e indiretos.
    Roberto Muniz (PP-BA) também entende que a questão sofreria um “viés de preconceito” que setores urbanos teriam com a visão de mundo própria do campo. Segundo ele, o debate sobre o bem-estar do animal pode ser ampliado em virtude da polêmica provocada pela decisão do STF, afetando já em um futuro próximo outras atividades culturais no Sul e no Sudeste em que também se faz uso abundante de animais.
    O senador Otto Alencar (PSD-BA) aproveitou a sessão para criticar a decisão do STF e defender a manifestação: “A vaquejada pede liberdade no Brasil para que seja mantida a tradição do vaqueiro”.
    Debate constitucional
    No Supremo, venceu o voto do ministro Marco Aurélio, relator do caso. Ele afirmou que laudos técnicos contidos no processo demonstram consequências nocivas à saúde dos animais: fraturas nas patas e rabo, ruptura de ligamentos e vasos sanguíneos, eventual arrancamento do rabo e comprometimento da medula óssea.
    Aprovação no Senado ocorre quase um mês após o STF considerar inconstitucional lei cearense regulamentando a prática.
    Reprodução
    Para Marco Aurélio, o sentido da expressão “crueldade” está no inciso VII do parágrafo 1º do artigo 225 da Constituição e alcança a tortura e os maus-tratos infringidos aos bois durante a prática.
    Em voto divergente, o ministro Edson Fachin disse que a vaquejada consiste em manifestação cultural, como reconheceu a Procuradoria-Geral da República na petição inicial. Esse entendimento também foi seguido pelos ministros Gilmar Mendes,Teori Zavascki e Luiz Fux.
    Apesar de reconhecer o valor da manifestação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o STF deveria ter posicionamento contramajoritário para vencer situações consolidadas pelo tempo, citando dois casos classificados como “evolução da jurisprudência”: a farra do boi e as rinhas de galos. Com informações da Agência Senado.

    Revista Consultor Jurídico, 1 de novembro de 2016, 18h52

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