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Indômito defensor da Santa Igreja

Paulo BritoAo Dr. Paulo Araújo Corrêa de Brito Filho, Diretor da revista “Catolicismo” de 1976 a 2018, nossa homenagem repassada de admiração, gratidão e dor, pelo seu falecimento no dia 2 de janeiro

♦  Matéria publicada na revista Catolicismo, Nº 818, Fevereiro/2019

         Oriundo de família pernambucana tradicionalmente católica, Dr. Paulo Brito nasceu em São Paulo no dia 8 de março de 1930, filho do Prof. Paulo Araújo Corrêa de Brito, professor e engenheiro civil, e de Da. Cacilda Saraiva. Fez seu curso ginasial e colegial no Colégio São Luiz, da Companhia de Jesus, onde integrou a Congregação Mariana dirigida pelo Revmo. Pe. Walter Mariaux, SJ. Estudou Filosofia no Seminário Central da Imaculada Conceição, em São Leopoldo (RS), dirigido pelos padres jesuítas. Posteriormente cursou a Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde colou grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Foi professor de História da Idade Média na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiæ enquanto assistente do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e encarregado do curso. Lecionou a disciplina Instituições de Direito na Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais São Luiz, dos padres jesuítas. E regeu a cadeira de História da cultura artística e literária na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero.

Juntamente com membros do chamado “Grupo de Catolicismo”, reunidos em torno deste mensário e dirigidos pelo Prof. Plinio, foi sócio fundador da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), na qual ocupou diversos cargos de direção. Entre eles, o de diretor do Serviço de Imprensa, de 1969 a 2004. Até o falecimento do Prof. Plinio, em 1995, colaborou intimamente com ele nesse setor. Exerceu o cargo de Coordenador-Geral da Campanha “O Amanhã de Nossos Filhos”, promovida pela TFP contra a imoralidade e a violência na TV. A partir de 1976, assumiu a direção de Catolicismo, exercendo-a com toda dedicação até seus últimos dias. Através das páginas deste mensário, foi sempre incansável defensor da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, em irredutível combate aos erros progressistas que se infiltraram nos meios católicos.

Última “Carta do Diretor”, dirigida aos leitores pelo Dr. Paulo Brito

Última “Carta do Diretor”,
dirigida aos leitores pelo Dr. Paulo Brito

O Prof. Plinio comentou que, entre todos os membros da TFP, Dr. Paulo Brito era quem tinha temperamento mais parecido com o dele. Dotado de amplo conhecimento histórico e filosófico, proferiu inúmeras conferências em cidades brasileiras e do exterior sobre temas relacionados com a Revolução e a Contra-Revolução, bem como sobre questões morais e históricas. Em Roma, no ano de 1962, assessorou o Prof. Plinio no acompanhamento do Concílio Vaticano II. Por várias décadas exerceu importante papel na formação de jovens membros da TFP, por meio de aulas, palestras e seminários.

O velório foi realizado nos dias 3 e 4 de janeiro na sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, onde foram celebradas duas missas de corpo presente. Dali o féretro saiu em direção ao cemitério da Consolação. A Missa de 7º dia foi celebrada na Igreja de Santa Teresinha, dos padres carmelitas, na capital paulista. O Dr. Paulo Brito foi Irmão da Venerável Ordem Terceira do Carmo.

Que Deus tenha em sua santa e eterna glória o nosso querido e já tão saudoso diretor. Requiem aeternam dona ei Domine, et lux perpétua luceat ei!

Membros da Congregação Mariana comandada pelo Revmo. Pe. Walter Mariaux da qual fez parte Dr. Paulo Brito

Membros da Congregação Mariana comandada pelo Revmo. Pe. Walter Mariaux da qual fez parte Dr. Paulo Brito

Em Roma, no ano de 1962, assessorou o Prof. Plinio no acompanhamento do Concílio Vaticano II

Em Roma, no ano de 1962, assessorou o Prof. Plinio no acompanhamento do Concílio Vaticano II

No oval, Dr. Paulo Brito como Irmão da Venerável Ordem Terceira do Carmo

Dr.Paulo Brito como Irmão da Venerável Ordem Terceira do Carmo.Na foto,no sentido horário,o 4º na fileira de trás. 

Verdadeiro varão no qual não há fraude

Elogio fúnebre ao Dr. Paulo Corrêa de Brito Filho,

pronunciado junto à sepultura por Dr. Caio Xavier da Silveira*

Dr. Paulo, junto a Plinio Corrêa de Oliveira, durante Missa Pelas Vítimas do Comunismo, como responsável pelo Serviço de Imprensa da TFP brasileira

Dr. Paulo, junto a Plinio Corrêa de Oliveira,
durante Missa Pelas Vítimas do Comunismo, como
responsável pelo Serviço de Imprensa da TFP brasileira

Meu caríssimo Dr. Paulinho,

Nestas derradeiras palavras de despedida desta Terra, autoriza-me a familiaridade chamá-lo pelo diminutivo. Sei que, após o falecimento do Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, as altas responsabilidades que lhe coube assumir o levaram, muito apropriadamente, a preferir ser tratado pelos demais, mesmo na intimidade, de Dr. Paulo Brito. Acontece que, ao deixar esta vida mortal, todo o passado de uma pessoa recobra seus direitos, e ressurge aos olhos dos que aqui ficam a figura de sempre, ou seja, aquela figura que foi somando as idades, sem dúvida, mas permaneceu essencialmente a mesma.

Assim, para todos aqui presentes junto à sua sepultura, o membro de nosso grupo que nos deixa, e que permanecerá nas memórias com imensas saudades, é aquele Dr. Paulinho da juventude e da idade madura, que Dr. Plinio chamava afetuosamente de “meu Paulinho”, e que todos nós admirávamos e respeitávamos como “Dr. Paulinho”.

Enquanto os demais éramos chamados por Dr. Plinio pelo nome ou pelo sobrenome, o senhor e Dr. Luiz Nazareno de Assumpção Filho tinham o privilégio de serem chamados pelo diminutivo, por razões circunstanciais da história de nosso grupo. Não por qualquer imaturidade, pois mesmo na juventude o senhor era um dos mais sérios dos membros do grupo que se reunia na sede da Rua Martim Francisco. Não apenas como sinal de particular afeto de Dr. Plinio, mas porque algo em ambas as personalidades pedia o diminutivo.

Os melhores aspectos da sua personalidade inclinavam-nos a dar-lhe esse tratamento. Em primeiro lugar, seu temperamento inalterável, sempre plácido, bem-humorado, animado, muito comunicativo e extremamente loquaz. Não é descabido lembrar que Dr. Plinio identificou no senhor o temperamento mais parecido com o dele. Em segundo lugar, sua inegável despretensão e total ausência de vaidade ou arrogância, no trato com os demais e no desenvolvimento de suas importantes e por vezes graves tarefas e responsabilidades. Sem nada de populista ou de revolucionário, o seu trato com todos teve sempre a naturalidade e a singeleza que os adultos prezamos nas crianças inocentes.

Durante mais de uma década, incentivou uma jornada anual de formação de jovens universitários de vários estados brasileiros, da qual fazia questão de participar ativamente

Durante mais de uma década, incentivou uma jornada anual de formação de jovens universitários de vários estados brasileiros, da qual fazia questão de participar ativamente

Ainda que possamos situar tais qualidades nos limites do plano natural, o que mais transluzia na sua personalidade era a pureza ilibada, toda ela sobrenatural, até no modo de dormir como um gisant de cavaleiro medieval, a ponto de Dr. Plinio comentar que o nosso caro desaparecido era um “monumento de pureza”. Pureza de alma, que tinha como corolário uma firmeza inflexível na salvaguarda e defesa dos princípios, especialmente nas questões de moral, mas que ia até o zelo pelo respeito às boas regras da linguagem. Era linear a sua retidão nas intenções e no trato com as pessoas. Poderíamos adaptar ao senhor o elogio de Nosso Redentor ao Apóstolo São Bartolomeu: “Eis um verdadeiro membro do grupo no qual não há fraude”.

Por tudo isso, somado à sua particular inclinação pelas questões teóricas da doutrina católica, não é de estranhar que recebesse incumbências muito graves e importantes, que destoavam do diminutivo Paulinho e requeriam, pelo contrário, um encarregado muitíssimo sério e de inteira confiança doutrinária e humana. Basta pensar que durante várias décadas, enquanto responsável pelo Serviço de Imprensa, o senhor foi o porta-voz oficial da TFP brasileira, mesmo quando Dr. Plinio estava entre nós, enfrentando valentemente e de viseira erguida a imprensa socialista, inimiga da Contra-Revolução e da Civilização Cristã.

Não podemos encerrar estas palavras sem mencionar aquela que foi a máxima paixão de sua vida, ao lado das reuniões sobre temas doutrinários com Dr. Plinio e alguns outros discípulos, denominadas MNF. Refiro-me ao seu querido Catolicismo, cuja direção herdou do saudoso Dr. José Carlos Castilho de Andrade em 1976. Assumiu-a com tal entusiasmo e dedicação, que poderia ser tomado, por quem não o conhecesse de perto, como se fosse uma espécie de santo exclusivismo. Catolicismo era, para o senhor, mais ou menos o que o Sepulcro do Salvador foi para os Cruzados: não descuidavam dos demais interesses da Igreja e da Cristandade, mas a posse do Santo Sepulcro era o que lhes dava ânimo para todo o resto. Dir-se-ia que a Providência Divina veio buscá-lo com a pena na mão, revisando minuciosamente as provas do próximo número da revista, com a esperança de que ele contribuísse para apressar a vinda dos acontecimentos previstos por Nossa Senhora de Fátima em 1917.

Dr. Paulo Brito discursa em ato público realizado em 3-10-2015 no Pátio do Colégio (SP).

Dr. Paulo Brito discursa em ato público
realizado em 3-10-2015 no Pátio do Colégio (SP).

Seu ânimo comunicativo manifestou-se tanto no apostolado externo — desde a época das viagens pela América Latina e a assistência aos grupos da Espanha e Portugal — quanto no apostolado interno das reuniões; e mais recentemente, junto aos demais residentes da sede Janua Cœli, assim como no labor jornalístico junto com a equipe editorial que formou e dirigiu até o último hausto.

Nessa hora extrema, o senhor deu um jeito de ser o mesmo até o fim, indo apresentar-se diante de Deus e da Santíssima Virgem com a mesma discrição e singeleza com que viveu — sem incomodar ninguém, como o próprio Dr. Plinio havia anunciado. Nem por isso, caro Dr. Paulinho, o senhor será um anônimo aos olhos de Deus e das futuras gerações de membros do nosso grupo. Pois, ao acolhê-lo na eternidade, Nosso Senhor dirigir-lhe-á as palavras que uma voz misteriosa dirigiu a Jeremias: “Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado”. E o senhor não poderá objetar como o Profeta — “Ah! Senhor Javé, eu nem sei falar, pois sou apenas uma criança” — pois o Reino dos Céus é precisamente para os despretensiosos.

Vá, inesquecível Dr. Paulinho, vá receber esse prêmio demasiadamente grande, e interceda junto a Nossa Senhora e nossos santos padroeiros a fim de nos obterem de Deus a graça de, também nós, sermos despretensiosos e fiéis até o fim. Sobretudo, peça para nós a graça de termos a alegria de ver raiar o quanto antes os primeiros albores do Reino de Maria anunciado em Fátima!

Amém!

_____________

(*) Caio Xavier da Silveira é presidente da “Société Française pour la défense de la Tradition, Famille et Propriété (TFP) e da “Fédération Pro Europa Christiana”.

O féretro sai da sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

O féretro sai da sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

Encomendação do corpo na capela do cemitério

Encomendação do corpo na capela do cemitério

O cortejo se dirige ao local do túmulo

O cortejo se dirige ao local do túmulo

Palavras de despedida pronunciadas pelo Dr. Caio Xavier da Silveira

Palavras de despedida pronunciadas pelo Dr. Caio Xavier da Silveira

Aos pés do túmulo, o belo conjunto das coroas oferecidas em respeitosa homenagem

Aos pés do túmulo, o belo conjunto das coroas oferecidas em respeitosa homenagem

1 comentário para Indômito defensor da Santa Igreja

  1. RALPH ROSÁRIO SOLIMEO Responder

    6 de Fevereiro de 2019 à 10:23

    Conheci o Dr. Paulo na década de 70, por intermédio dos meus irmãos, os Solimeos e posso dizer que privei de sua amizade. Em 1974, ele me convidou para partilhar de sua cadeira de História da Cultura, nas Faculdades Casper Libero, da qual se retirou logo após, repassando-me as suas classes; evidentemente ão pude substituí-lo à altura, pois a sua bagagem cultural era impar e admirável.Tenho a certeza que ele está na glória de Deus, em companhia do, também saudoso, Dr. Plínio

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