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Muito reverente, muito filial e muito firme

Leo Daniele

Agencia Boa Imprensa

No centro da Praça de São Pedro, no Vaticano, ergue-se este multimilenário obelisco, trazido do antigo Egito. O monólito monumental é encimado pela Cruz de Cristo, tendo em sua base o dístico “Stat Crux, dum volvitur urbis!” (Enquanto o mundo gira, a Cruz permanece firme). É símbolo da própria Igreja — monumental, monolítica, altiva, desafia o mundo, perene ao tempo e à maldade humana.

O homem moderno sente-se órfão mesmo quando possui uma família, até quando tem um pai e uma mãe; sente-se órfão porque as elites não existem ou não atuam, e muitas vezes dão os piores exemplos; sente-se órfão porque a voz da Igreja não se faz ouvir como antes; e porque não existem mais na sociedade grandes personagens e grandes valores, já nem digo na ordem moral, mas simplesmente na ordem da sabedoria, do talento e da força de personalidade.

O mundo moderno está órfão. Ele se sente, na colorida expressão de Plinio Corrêa de Oliveira, “cheio de nada e vazio de tudo”. O vazio é hoje seu pai e sua mãe.

Em sentido contrário, Donoso Cortés assim descreve belamente o exemplo que Nosso Senhor nos dá: “Sei que Tu és como a mãe e eu como o menino pequenino, em quem a mãe infunde o desejo de andar, e em seguida lhe dá a mão para que ande, e depois lhe dá um beijo na testa porque quis andar e andou com a ajuda de sua mão.(1) É sublime!

Estava eu nestas cogitações sobre a orfandade, a paternidade e a filialidade, quando chega às minhas mãos a mensagem do príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança ao Papa Francisco. E que vejo? Um magnífico exemplo de filialidade numa situação delicada, pois se tratava de apontar alguns fatos, em que o Pontífice estava mal informado .

Os fatos que o príncipe menciona são estarrecedores, mas a atitude dele sempre é serena embora clarividente, e muito filial. Por exemplo: “Permita-me, Santo Padre, frisar a ameaça com a qual Stédile concluiu sua arenga: assinalando que é preciso que ‘a classe trabalhadora se reúna a nível internacional’, mas que isto seja feito por fora das ONGs e dos Fóruns Sociais — dado que estes teriam fracassado na tarefa de ‘organizar o povo’ —, indicou que agora é preciso reunir ‘todos os movimentos sociais do mundo’ em um ‘outro espaço’ de confrontação ao capital financeiro internacional. Dessa forma, concluiu, “a curva da luta de classes será mundial e, portanto, quando começar a fase de ascensão, será assim por toda parte. E a terra tremerá’”.

É uma chantagem: ou faz o que desejamos, ou a terra tremerá!

O agitador espera, ademais, que se estabeleça “‘de agora em diante um diálogo maior do Vaticano com os movimentos sociais’, cujo resultado seria que ‘em nossos países […] as igrejas locais ouçam os povos e não o Núncio apostólico, que é um burocrata a serviço de não sei quem’. É assim que ele retribui o convite e a passagem aérea que diz ter recebido do Vaticano…”

Acrescenta:  “Convém não esquecer o que Miguel Stédile (filho de J.P. Stédile), da coordenação nacional do MST, declarou à revista Época (n° 268, julho de 2003): ‘Queremos a socialização dos meios de pro-dução. Vamos adaptar as experiências cubana e soviética ao Brasil’”. Ele está apontando para a desejada por ele República Socialista e Popular do Brasil…

Esta perspectiva, e mais numerosas citações, levam Dom Bertrand a exclamar: “Santidade, para meu coração de católico e brasileiro resulta inexplicável que nos recintos sagrados da Cidade do Vaticano tenha ressoado uma tal apologia do comunismo — com sua ideologia fundada na negação da propriedade privada e na luta de classes — feita pelo Sr. Grabois(2) 76 anos depois que o Papa Pio XI houvesse condenado esse sistema antinatural como ‘intrinsecamente perverso’”!(3)

Infelizmente, citações análogas às aqui mencionadas abundam na documentadíssima Reverente e Filial Mensagem enviada por Dom Bertrand ao Papa Francisco.

Concluo observando que um dos deveres do pai é defender o filho quando este está em perigo, e um dos deveres do filho, com o devido respeito, é sempre que necessário ajudar o pai a tomar as atitudes cabíveis. É o que se lê no documento(4) que estamos comentando.

____________________ 

  1. Juán Donoso Cortés, Ensayo Sobre El Catolicismo, el Liberalismo y el Socialismo Considerados En Sus Principios Fundamentales, Madrid, 1851.
  2. Juan Grabois: líder da extrema esquerda rural argentina.
  3. Carta Encíclica Divini Redemptoris, de 19 de março de 1937, § 5.
  4. A íntegra encontra-se disponível no link: http://www.paznocampo.org.br/

 

1 comentário para Muito reverente, muito filial e muito firme

  1. Machado_Costa Responder

    18 de fevereiro de 2014 à 10:40

    “”Ele se sente, na colorida expressão de Plinio Corrêa de Oliveira, “cheio de nada e vazio de tudo””.
    Meus cumprimentos a Leo Daniele que reproduz essa definição brilhante e exata do homem contemporâno dada pelo grande batalhador Dr Plinio Corrêa de Oliveira.
    Como pode o médico curar se não entende de diagnóstico?
    Pode o engenheiro construir se olvida da matemática? Ou o sacerdote orientar se perdeu o “senso católico”?
    Entro num onibus, num metro e vejo o que se passa naquela “tv minuto” ou coisa equivalente. Fico com pena do homem comum, cansado do trabalho, sentado (ou de pé) num desses meios de locomoção a ler anúncios, noticias rápidas que nada tem a ver com os seus problemas nem lhe traz um alivio, um conforto, uma palavra de esperança nessa Babel contemporânea.
    Permita que eu lembre aqui outro comentário do Prof Plinio: “o Brasil é um deserto de homens e de idéias”. Parece que hoje está pior: o deserto está produzindo mais serpentes, mais espinhos e mais stress.
    Voltemos os nossos olhos para a Providência Divina, que pelas mãos de Maria, em Fatima indicou a solução para o mundo moderno. Machado_Costa

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