Widgetized Section

Go to Admin » Appearance » Widgets » and move Gabfire Widget: Social into that MastheadOverlay zone

No ápice da derrota, o ápice da vitória

Pe. David Francisquini (*)

Nosso Senhor Jesus Cristo

Na aparência, Nosso Senhor Jesus Cristo na sepultura Se apresentava como o grande derrotado. Quem seria capaz de imaginar que depois de tantos milagres, como a transformação da água em vinho, da ressurreição de mortos, da multiplicação de pães e peixes, da pesca miraculosa, da cura de cego de nascença, além do poder que possuía sobre os demônios e a natureza, Ele terminaria a sua vida de maneira tão trágica?

A multidão que se aproximava para ver, ouvir e tocar o Divino Salvador, encontrava-se silenciosa diante de seu Corpo sem vida no Santo Sepulcro, sob a guarda de soldados. Mas Jesus jazia ali como triunfador glorioso, impondo terror aos seus inimigos, pois mesmo apesar de morto, aniquilado e derrotado, precisava ser vigiado como inimigo perigoso, tendo o seu sepulcro sido lacrado com o selo imperial de Roma e cercado de guardas.

Por que tanto temor diante de um morto? Ainda há pouco o Mestre de Nazaré lembrara aos seus inimigos que, se eles destruíssem o Templo, em três dias Ele o reedificaria… Na verdade, referia-se a seu próprio corpo mortal. Elucida-o a figura de Jonas em relação a Cristo, pois, aquele profeta, tendo permanecido no ventre da baleia três dias e três noites, simbolizou o corpo do Filho de Deus no ventre da terra durante três dias, após os quais ressurgiu dos mortos.

Depois que Cristo Nosso Senhor dormiu o sono da morte no alto da Cruz, na Sexta-feira Santa às três horas da tarde, foi sepultado logo depois com ajuda de seus discípulos José de Arimateia, Nicodemos e São João Evangelista, além de sua Mãe Santíssima e algumas destemidas mulheres que estavam aos pés da cruz. Com a devida permissão para O retirar da Cruz, seu Corpo foi sepultado num jardim próximo do Calvário.

Nosso Senhor Jesus CristoMas ao terceiro dia, pela madrugada, sua alma santíssima uniu-se ao corpo que estivera morto. Para entender o mistério da Ressurreição, recorremos a uma comparação simbólica. Ao lançar o semeador a semente na terra, para dela surgir nova vida, é imperativo que a semente morra. Assim aconteceu com Cristo que, colocado no sepulcro, resplandeceu como luz ao terceiro dia, o que prova sua divindade.

A aurora — desdobramento do próprio sol que ela anuncia — desponta para que o dia recomece. Assim, glorioso e refulgente, vitorioso da morte e do mundo, Cristo ressurgiu nesse dia com seu próprio poder e virtude. Dia glorioso, que passou para a História como primeiro da semana e, portanto, consagrado a Deus, porque Jesus Cristo selou sua missão divina de Homem-Deus. Como Vítima adorável, sacrificou-se pelos homens para redimi-los e lhes abrir as portas do Céu.

Ele funda depois sua Igreja e A enriquece com os tesouros divinos da salvação. Sua maneira de ressurgir foi própria, pois “não está nas leis da natureza, nem homem algum teve jamais o poder de passar da morte à vida por própria virtude. Isto cabe ao poder de Deus, como se depreende das palavras do Apóstolo: ‘Embora fosse crucificado na fraqueza, vive, todavia, pelo poder de Deus’” (II Cor. 13, 4 e Catecismo Romano de Trento).

Por ser Homem-Deus, a divindade nunca se separou do corpo nem da alma. Donde estavam postas as condições para Cristo ressurgir dos mortos por virtude própria. Por força da união hipostática — pela qual a divindade e a humanidade estão unidas tão estreitamente à Pessoa do Verbo numa só pessoa — sendo homem não deixou de ser Deus, Senhor da vida e da morte.

“Cristo ressurgiu dos mortos, como dos que dormem; porquanto por um homem veio a morte, assim também por um Homem sobreveio a ressurreição dos mortos. E como todos sofrem a morte em Adão, assim todos receberão a vida em Cristo.  Cada qual, porém, conforme sua ordem. Cristo como primeiro de todos, em seguida os que pertencem a Cristo” (Romanos, 6, 9). Nossa Senhora, pela sua missão de Mãe e Corredentora, ao contemplar Cristo Morto e sepultado, é o modelo exímio da Fé, do espírito de Fé e do senso católico.

Hoje, as possibilidades de ressurreição plena de todas as coisas segundo a Lei e a Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo parecem tão irremediavelmente sepultadas quanto aos Apóstolos parecia irremediavelmente sepultado Nosso Senhor Jesus Cristo em seu sepulcro. E os verdadeiros devotos de Nossa Senhora recebem d’Ela o inestimável dom do senso católico, esperando ser tudo possível. E que a aparente inviabilidade dos mais ousados e extremados sonhos apostólicos não impedirá uma verdadeira ressurreição de todas as coisas.

Nossa Senhora nos ensina a perseverança na Fé, no senso católico, na virtude do apostolado destemido, mesmo quando pareça tudo perdido. A ressurreição virá logo, porque baseia-se na promessa de Nossa Senhora de Fátima, do triunfo do Imaculado Coração de Maria (Cfr. Via Sacra, Plinio Corrêa de Oliveira, “O Legionário”, 18-4-1943).

_______

(*) Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ)

 

 

1 comentário para No ápice da derrota, o ápice da vitória

  1. MARIO HECKSHER Responder

    1 de Abril de 2016 à 13:00

    Parabéns Padre Francisquini! Nas horas de crise, na Igreja e em nosso Brasil, é muito bom termos um Pastor que possua capacidade para nos mostrar o bom caminho, colaborando para que possamos entender a Verdade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *