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Notre Dame – Final

  • Plinio Maria Solimeo

         O capelão-mor dos bombeiros, Pe. Jean-Marie Fournier [foto], encontrava-se no trânsito parisiense com um grupo de colegas militares quando percebeu colunas negras de fumaça sobre a região central da cidade. Bastou consultar o seu celular para saber que um incêndio devastava nada menos que a Catedral de Notre Dame.

         Sabendo que seus bombeiros já se achavam lá para dar combate ao fogo, o sacerdote correu rapidamente para o local a fim de assisti-los. Ao chegar, ele afirmou em entrevista a um canal de televisão: “Duas coisas me parecem essenciais fazer. A primeira é salvar a Coroa de Espinhos. E, claro, Jesus presente no Santíssimo Sacramento”.

         Segundo o serviço de emergência local, o sacerdote não demonstrava temor algum quando, decididamente, partiu rumo ao local da Coroa de Espinhos para se assegurar que ela estivesse a salvo. O fato de ele acompanhar os bombeiros em suas mais perigosas empresas, quando vê a morte de perto quase todos os dias, parece ter-lhe dado segurança de enfrentar as chamas.

         O objetivo não poderia ser outro que o de salvar o máximo possível as sagradas relíquias. O Pe. Fournier afirmou: “Acompanhado de um oficial superior, a nossa dificuldade maior foi encontrar quem nos desse o código para abrirmos a caixa forte que abrigava as relíquias. Fomos forçados a romper o relicário, lamentavelmente”.

Foi assim que se conseguiu retirar as relíquias e colocá-las em um lugar seguro sob a proteção das forças da ordem, neste caso os funcionários da prefeitura de polícia.O capelão ainda esclareceu não ter havido pânico, mas um pouco de tensão, pois o tempo jogava contra eles. “A tensão nessa hora costuma ser boa, ajuda a tomar decisões rápidas”, explicou.

            O diligente capelão depois de se certificar onde se encontravam as hóstias consagradas, foi antes ao altar dos Cônegos onde as havia em maior quantidade, segundo o sacristão.Mas no local já havia um “emaranhado de vigas fumegantes e chumbo derretido” que caíam continuamente do telhado. “Uma visão do que é o inferno”, disse o Padre. Absolutamente impossível alcançar as sagradas hóstias que lá estavam, e as deixou aos cuidados de Deus.

            Entretanto, ele podia recolher as que estavam num segundo local mais acessível, no sacrário do altar de São Jorge. Essa operação foi mais fácil pois “havia encontrado a chave do sacrário”. Assim ele pode recuperar as Hóstias consagradas. Quando o fogo começava a atingiu a torre norte, explicou o capelão, ele saía do interior da catedral com o Santíssimo Sacramento.

            Diante das circunstâncias, aproveitou para dar uma bênção com o Santíssimo. Ele estava completamente só na catedral em meio às chamas e às coisas que caíam. Ao dar a bênção, num ato de fé na presença real, pediu a Jesus Sacramentado que ajudasse a preservar o templo dedicado à sua Mãe Santíssima.

            Com efeito, sua bênção coincidiu com o início de fogo na Torre Norte, que logo depois debelado. Os dois campanários foram salvos. Questionado sobre os seus pensamentos naqueles momentos, o Pe. Jean-Marie lembrou que o fogo se dera no começo da Semana Santa… E também das palavras pronunciados no início da Quaresma: “Lembra-te de que és pó e em pó hás de tornar”.

            Ao mesmo tempo que manifestou grande tristeza por todas as perdas causadas pelo terrível incêndio na catedral, demonstrou muita confiaça de que, à maneira de uma ressurreição, em breve ela será reconstruída ainda mais bela, mais forte e mais viva.

 

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