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Ó Arte, quantos crimes se cometem em teu nome!

Ó Arte, quantos crimes se cometem em teu nome!H.L. Venturi

Madame Roland entregara sua alma à Revolução, cujos reveses a conduziram à guilhotina. Pouco antes do suplício, ela exclamou: “Ó Liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!”. Expressava assim a mentalidade da Gironda, que ela encarnava. Era novembro de 1793, quando a Revolução Francesa desvairada se empenhava em exterminar a nobreza e a aristocracia. Muitos fatos simbólicos se sucederam então, dos quais os mais marcantes e dolorosos foram as mortes do Rei Luís XVI e da Rainha Maria Antonieta sob a implacável lâmina da guilhotina.

O ódio da Revolução não se contentou em aniquilar os reis, cumpria extinguir também quaisquer manifestações de realeza e desigualdade. Palácios foram saqueados, e alguns incinerados. Invadido o Palácio de Versalhes, a ralé revolucionária destroçou e roubou tudo quanto pôde. Alguns bandidos reconheciam o valor intrínseco das peças, e levaram prendas da Rainha – sapatos, tapeçarias, quadros, vestidos –, guardando-os para serem reapresentados quando amainasse a tempestade revolucionária após declinar o auge do terror.

Com o passar do tempo chegaram épocas menos perigosas, e as prendas foram vendidas e revendidas, circulando de mão em mão como verdadeiras relíquias. Hoje, depois de muitas reviravoltas, compõem o importante acervo do Museu de Versalhes. Mais de duzentos anos após o sacrifício dos reis e da nobreza, milhões de pessoas visitam anualmente o cenário onde a França vê refletidos gloriosos séculos de sua história milenar. Alguns o fazem mesmo como se fossem peregrinos.

Danton, Marat, Robespierre et caterva seguiram também o caminho do patíbulo, ao qual o seu ódio revolucionário havia conduzido tantos franceses de mérito. Terá se extinguido com a execução deles o ódio que os consumia? Tudo indica que não, e a seguir veremos um exemplo significativo, pleno de simbolismos.

Na fotografia, dois sapatos gigantes ocupam o centro da Galerie des Glaces (Galeria dos Espelhos), um dos salões mais majestosos de Versalhes. São peças ilustrativas de uma exposição de “arte”, que assim conspurca salões, quartos, jardins, e até a capela, invadidos por obras que parecem resultar do trabalho aloucado de novas ralés modernas. Diante dessa monstruosidade “artística”, uma pergunta razoável se impõe, embora pareça supérflua: É necessário haver derramamento de sangue para que algo seja qualificado de odiento, violento, ou mesmo satânico?

Revolução Francesa, crimes em nome da liberdade, agressão cultural insultante à razão – tudo isso se reproduz em fotos como esta, cujo conteúdo intencional, chocante, demolidor, o prezado leitor é convidado a analisar, entender e execrar com veemência. (Fonte: Revista Catolicismo, Nº 817, Janeiro/2019).

2 comentários para Ó Arte, quantos crimes se cometem em teu nome!

  1. Luiz Guilherme Winther de Castro Responder

    28 de janeiro de 2019 à 13:54

    Simplesmente grotesco, produto de mentes que pensam enxergar algum tipo de arte, onde, na verdade, prevalece o mal gosto e o desconhecimento do que seja arte. Os sapatos, isoladamente, colocados em outro local, até que poderiam ser considerados algo artístico, pois foram muito bem feitos.
    Minha esposa sugeriu que ficariam muito bem na cidade de Itu, no Estado de São Paulo, cidade na qual a tradição local já “batizou” de ser tudo ali exagerado, de tamanho anormal.

  2. J. Saidl Responder

    28 de janeiro de 2019 à 20:13

    Na vida há uma porcao de coisas que nao se pode fazer para nao ferir o bom senso e nao ofender coisas sagradas, mas criou-se este mecanismo de que se for colocado em cima o carimbo da “arte” aí as piores loucuras e blasfêmias sao permitidas e para alguém que ouse objetar aí já estao preparados outros carimbos para pôr em cima deste: retrógado, ultra-direita, fundamentalista e nao sei mais o quê.

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