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O cego que guia outro cego

Plinio Corrêa de Oliveira

LEGENDA: “O cego que guia outros”, obra de Sebastian Vrancx (1573-1647), coleção privada, Johnny Van Haeften Ltd., Londres.

“O cego que guia outros”, obra de Sebastian Vrancx (1573-1647), coleção privada, Johnny Van Haeften Ltd., Londres.

Como explicar os enganos da mídia em relação ao Brasil? Por exemplo, a respeito de avaliações prévias a recentes eleições. Em análise antiga, mas muito atual, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira mostra que o engano da mídia consiste em ter os olhos voltados para um Brasil fictício, inautêntico e esquerdista, quando a opinião pública brasileira é conservadora. Eis alguns trechos do artigo no qual ele faz essa análise, publicado na “Folha de S. Paulo” em 6-1-1986.

    

“As grandes multidões estão exaustas de trabalhar, de penar, de ser constantemente excitadas pelas mídias para emoções paroxísticas que lotem suas horas de lazer. Elas estão exaustas de perambular com espanto no caos dos acontecimentos sem nexo do dia-a-dia religioso, cultural, político, social e econômico de nossa existência moderna. Elas querem fugir de tudo isto que as mídias lhes entrouxam continuamente no espírito, através dos olhos como dos ouvidos. Elas querem sossego, normalidade, despreocupação. E isto as mídias lhes recusam a todo instante. Daí, pelo menos em boa parte, o insucesso.

As mídias, pelo menos no Brasil, não parecem ter aprendido a lição. Elas procedem como se vivessem num grande mito hoje em dia inteiramente vazio de conteúdo real. […] Imaginando como inteiramente real o mito marxista, mais do que secular, da luta de classes […].

Na realidade, nossas massas são tranquilas, ordeiras e de boa paz. Elas não têm ojeriza aos ricos nem à polícia. E a indignação que lhes vai na alma contra o Poder público, não é porque este mantém os direitos da grande e média propriedade, mas, pelo contrário, porque não protege a pequena propriedade e a segurança pessoal do homem comum, porque deixa as ruas entregues ao roubo impune, como aliás também à sanha sexual. […]

O comunismo não desperta nelas [nas massas] a apetência agitada e sôfrega que as mídias imaginam. Mas também, em larga medida, porque o povo — o “povão”, como em certa gíria se diz — deseja que as coisas continuem em sossego, e não que se abrasem num incêndio trágico.

Como se explica que assim se enganaram as mídias?

A meu ver, porque elas têm os olhares postos prevalentemente num Brasil fictício. Isto é, o Brasil formado por uma imensa panelinha (perdoe o leitor a contradição dos termos, mas a coisa é assim: uma grande quantidade de pessoas que constitui no Brasil uma minoria proporcionadamente pequena): 1) clérigos e católicos progressistas ou
“bofistas”; 2) uns tantos miliardários comunistas; 3) certos grã-finos idólatras da extravagância, da pornografia sofisticada e dos imprevistos escandalosos; 4) intelectuais que imaginam soprar sempre para a esquerda a última moda; e 5) publicistas de esquerda ou em vias de se tornarem tais.

Em suma, um Brasil inautêntico, pois o Brasil nem é uma panela nem é esquerdista. Mas o Brasil tanto e tanto é descrito como sendo assim, que acabam acreditando na descrição até mesmo os que, por arroubos ideológicos, acabaram fabricando o mito. […]

E assim são incontáveis os que vão consentindo mais ou menos resignadamente que o Brasil vá resvalando para a esquerda porque, iludidos pelo mito, imaginam que nosso País tem na alma uma preponderância esquerdista… que não existe!

Um povo que se deixa guiar por um mito, máxime tão falso, corre o risco de ter o destino do cego guiado por outro cego, contra o qual advertiu o Divino Salvador (Mt. 15,14)”.

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