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O Muro de Berlim e os ditadores da miséria

Gabriel J. Wilson

Inicio da construção do "Muro da Vergonha" em Berlin

Inicio da construção do “Muro da Vergonha” em Berlim

Em 9 de novembro de 1989 caía o Muro de Berlim. São 25 anos, um quarto de século — ocasião para uma análise.

A revista “Le Figaro hors série” publicou em 2009 um número comemorativo sob o título: Le jour où le mur est tombé (O dia em que o muro caiu). É como um álbum, no qual um texto primoroso e sintético dos colaboradores do jornal “Le Figaro”, ao qual pertence a revista, serve de comentário a cada foto principal. Vejamos alguns deles.

Inicio da construção do "Muro da Vergonha" em BerlinNa página 6, lê-se: “É o fim de uma época. É mesmo o fim de um mundo. […] Até ontem, a face dessa hedionda invenção do comunismo, com essas torres de vigia e esses fugitivos abatidos como animais […] Donde a vaga de alegria que explode em todo o mundo com a queda do Muro. Ele era o último grande símbolo da guerra fria” (Franz-Olivier Giesbert, “Le Figaro”, 10-11-1989).

Alain Peyrefitte destaca o fato extraordinário da ausência total de confronto, depois de tantas décadas sangrentas: “A abertura do muro de Berlim enche de estupor a opinião mundial. Muito mais do que quaisquer das manifestações da Perestroika. Antes de tudo, porque ninguém a esperava. Apenas um mês antes, a Alemanha Oriental parecia ser o bastião mais bem guardado do sistema soviético. […] Depois, o muro de Berlim era o símbolo mais visível da ‘cortina de ferro’. Em nenhum outro lugar se havia matado tantos fugitivos que tentavam passar do Leste para o Oeste. Como não se alegrar ao ver que um povo, sem desferir nenhum tiro, tenha vencido tantas resistências?” ( “Le Figaro”, 11-12/11-1989).

A menção da Perestroika e a apresentação da queda do Muro de Berlim quase como uma peça de teatro é reforçada por outro comentarista: “Em agosto de 1961 bastou uma noite para que os berlinenses ocidentais fossem exilados da Europa [pois os comunistas cercaram a cidade com arames farpados e depois ergueram o muro da vergonha]. Faltava Gorbachev, faltava o povo das cidades alemãs sublevado durante dois meses, faltava a queda de Honecker para que o seu sucessor, Egon Krenz, jogando tudo por tudo, abatesse os muros de seu Estado-prisão.

Comemoração da derrubada do Muro de Berlin

Comemoração da derrubada do Muro de Berlim

 Na noite de novembro (de 1989) os berlinenses não acreditavam no que ouviam. Os ocidentais iam em direção ao Muro para ver o milagre; os orientais avançavam timidamente rumo aos pontos de passagem, depois tomavam de assalto essa grande fortaleza de cimento e empreendiam a sua destruição a força de marteladas e picareta. Em 9 de novembro, a liberdade acabava de cair sobre Berlim como um raio. […] O mapa geopolítico da Europa modificava-se com um só golpe” (Georges Suffert, Le Figaro, 11-12/11-1989).

Ainda na página 6, é descrita a alegria que tomou conta dos alemães de ambos os lados do muro. Muitos parentes e amigos próximos não se viam havia 28 anos… “Dos dois lados, a polícia tenta canalizar o empurra-empurra. Muitos passaram mesmo sem uma carteira de identidade. Um guarda de fronteira alemão-oriental dizia sorrindo: ‘Esta noite não podemos dizer nada.’” (Jean-Jacques Mével, “Le Figaro”, 11-12/11-1989).

Click na imagem para ampliar o infográfico de como era o Muro de Berlim

Infográfico de como era o Muro de Berlim

Convite à distensão: a “Perestroika”

Derrubada do "Muro da Vergonha"

Derrubada do “Muro da Vergonha”

“O maravilhoso fim de semana dos berlinenses é um dos mais belos hinos à liberdade depois da libertação da Europa ocidental pelas forças aliadas. Como não se associar de todo coração à alegria do reencontro das duas metades do povo alemão? Como não celebrar sem reserva esta prodigiosa vitória da democracia sobre o totalitarismo comunista? […] A ordem estabelecida não existe mais. A ordem estabelecida era aquela de Yalta. Yalta, o ‘crime inexpiável’ de Roosevelt, que, com a cumplicidade de Churchill, tinha aceitado a partilha do Velho Continente proposta por Stalin, entre povos que deveriam viver e outros que seriam condenados à escravidão” (Jacques Jacquet-Francillion, “Le Figaro”, 13/11/1989).

“Ao todo, cerca de 3 milhões de alemães teriam passado para o lado ocidental em 72 horas. Em família, em grupos ou simplesmente sozinhos” (Irina de Chikoff, “Le Figaro”, 13/11-1989).

O “celebrar sem reserva” de Jacquet-Francillon parece um tanto apressado. O que viria Derrubada do "Muro da Vergonha"depois? A Perestroika de Gorbachev [foto], destinada a desarmar a opinião ocidental. Com efeito, esse não é o único texto que apresenta com simpatia Gorbachev e a Perestroika. A alegria e o alívio dos alemães e de seus próximos, que se viram libertados da opressão comunista após partilharem os sofrimentos de uma cidade cercada por todos os lados pelo muro da vergonha, contribuiu para afrouxar a vigilância em relação aos soviéticos.

 

A difusão da miséria e a cumplicidade ocidental

A respeito da queda do Muro de Berlim, a televisão espanhola entrevistou em 9 de fevereiro de 1990 o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Este comentou:

“Até aqui o comunismo se apresentava como uma luta reivindicatória dos pobres contra os ricos. Agora, com a queda do Muro, torna-se evidente que para além dele há uma pobreza e uma miséria que é terrível, e que torna impossível que os comunistas se apresentem como defensores dos pobres, contra a miséria. Pelo contrário, organizam um movimento que faz com que a miséria dos pobres se estenda como um polvo, para dominar e incluir todos, e todo o mundo ficar pobre. Portanto, o aspecto da luta comunismo versus anticomunismo tem que mudar”.

Plinio Correa de OliveiraDr. Plinio [foto] insiste: “Os comunistas precisam explicar — depois da experiência terrível de 70 anos de um regime, câncer devorador sócio-econômico, que reduz a Rússia à situação que vemos: por que durante todo esse tempo, eles, que conheciam dentro de casa essa miséria, eram partidários da expansão dela pelo mundo inteiro? Enquanto isso não se explicar, nós nem sequer sabemos com quem estamos lutando. Ora, eles não mostram nenhuma vontade explicar isso…”

O eminente pensador chama a atenção para o fato de os meios de comunicação omitirem essa realidade, no entanto evidente.

“Gorbachev, mais a Perestroika, mais a derrubada da cortina de ferro — acrescenta Plinio Corrêa de Oliveira —, mais a visita do chefe russo a João Paulo II, mais o encontro Gorbachev-Bush nas gloriosas águas de Malta […], tudo isso não constitui uma colossal manobra de envolvimento do mundo inteiro nas malhas de uma política convergencialista e augestionária que deixe todos os povos a dois passos do comunismo?”

O entrevistado aventou ainda a possibilidade de se incluir uma Rússia “homogeneizada” numa federação continental, hipótese que não esteve longe de realizar-se com a liberalização promovida pelo presidente Yeltsin, mas que recuou mais tarde com a ascensão do ex-chefe da KGB, Vladimir Putin, ao comando supremo da Rússia. Hoje, ele é cortejado inclusive por certas direitas europeias, apesar de conduzir claramente a invasão da Ucrânia e de portar-se por toda parte como um autêntico ditador. No momento mesmo em que é escrito este artigo, milhares de georgianos protestam contra a tirania russa em seu país.

Não obstante, certos meios de comunicação continuam a dar toda cobertura publicitária a Putin. A OTAN e os governantes de países de maior peso da União Europeia se dizem sem meios ou fingem que nada acontece. Até o momento, pouco se fez de efetivo para defender a Ucrânia das garras da Rússia. Esta não esconde seu plano de retomar grande parte do território ucraniano e os países bálticos.

 

A miséria, caldo de cultura da “Teologia da Libertação”

Havana, outrora bela e próspera, hoje reduzida a uma favela pelo regime comunista

Havana, outrora bela e próspera, hoje reduzida a uma favela pelo regime comunista

Assim, neste final de 2014, continuam mais atuais do que nunca as questões levantadas pelo saudoso Plinio Corrêa de Oliveira. Se ele estivesse entre nós, certamente poderia interpelar, no mesmo sentido, os chefes dos regimes “bolivarianos” que espalham a miséria na América Latina. As populações da Venezuela, Argentina e outros países são testemunhas do descambar de suas pátrias no mesmo rumo da miséria dominante em Cuba. Os governos autoritários mantêm-se nesses países através de fraudes eleitorais e da corrupção, infelizmente generalizada entre os políticos sul-americanos.

Um triste pormenor: a difusão das ideias marxistas e filo-comunistas na América Latina são obra da chamada “Teologia da Libertação”, pregada por sacerdotes como os irmãos Boff, Gustavo Gutiérrez, Jon Sobrino etc.

Como podem teólogos católicos propagar uma ideologia ateia que diz defender os pobres mas conduz à miséria, como o demonstra a realidade dos países onde foi aplicada? É uma pergunta à qual as mais altas autoridades da Igreja têm o dever de responder, se não quiserem perder toda credibilidade. Nenhuma demagogia pode esconder esta contradição flagrante.

Também não podem escondê-la as canonizações de “santos” do progressismo e da “Teologia da Libertação”, pois o sangue das vítimas do comunismo está a clamar por justiça pelas matanças no Muro de Berlim, no paredón cubano, nos campos de concentração da Sibéria e nas prisões dos países dos países da “cortina de ferro”.

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Gabriel J. Wilson é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM).

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