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O vencedor da morte

Pe. David Francisquini (*)

A Ressurreição. Obra do escultor florentino, Andrea della Robbia (1435 - 1525)

A Ressurreição. Obra do escultor florentino, Andrea della Robbia (1435 – 1525)

Tal é o temor dos inimigos de Nosso Senhor que, mesmo depois de Lhe infligir morte de cruz, arrancaram de Pilatos autorização para que o Seu sepulcro fosse selado e vigiado por guardas. Mas o ódio deles era perfeito. Não se contentaram com aquilo. Era preciso difamar, acusar o Inocente de sedutor; acusar os seus discípulos de embusteiros, capazes até de violar o sepulcro e roubarem o corpo do Senhor. Com efeito, a situação de todos aqueles que tramaram a Sua morte ficaria pior do que antes, caso Cristo ressuscitasse.

Além de matar o Divino Salvador, era preciso conspurcar a sua honra. Quanto aos discípulos, tímidos e medrosos, jamais fariam por si mesmos aquilo que os inimigos lhes atribuíam. Eles, os algozes, conheciam os milagres de Nosso Senhor, inclusive a ressurreição de Lázaro. Conheciam a Sua vida exemplar, constante censura para eles. Jesus Cristo era a própria vida! Caso Ele ressuscitasse, pairaria sobre os criminosos uma séria ameaça. Seria o fim de uma vida fácil e despreocupada advinda do prestígio do mando.

Deus Pai, depois de criar o Céu e a Terra, criou numa sexta-feira o homem à Sua imagem e semelhança, e no sábado descansou. Cristo, por sua vez, morre numa sexta-feira e descansa tranquilo o sono dos justos no repouso do sepulcro. Como o profeta Jonas, que fica três dias e três noites no ventre da baleia, Cristo enquanto homem fica no seio da terra. Não há como contestar!

Posto que a nação judaica O rejeitara por infidelidade e incredulidade, os discípulos de Jesus tomaram o Antigo e o Novo Testamento e estabeleceram a Igreja Católica Apostólica Romana, fundada por Ele com as palavras: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Ela frutificou entre os povos pagãos, sobretudo pela ação dos Apóstolos, ao levar-lhes a boa-nova de Cristo ressuscitado para que pudessem crer. Assim nasceu e foi moldada a civilização cristã.

Ao imaginar a Ressurreição de Cristo, aqueles que tramaram a Sua morte temeram, pois sua situação ficaria muito pior do que antes… Ao reconhecerem a verdade da Ressurreição pela boca dos guardas, rejeitaram qualquer arrependimento e contrição pelo crime praticado, e não fizeram penitência.

São Mateus, em sua narração evangélica, afirma que alguns guardas foram até à cidade dar a notícia da Ressurreição. Apenas tomaram conhecimento dela, os príncipes dos sacerdotes se reuniram e deliberaram subornar com grande soma de dinheiro aqueles guardas, para que dissessem que enquanto dormiam os discípulos roubaram o corpo do Senhor…

Foi por meio do dinheiro que os inimigos de Jesus manifestaram a sua ignomínia comprando Judas, o infame que entregou Jesus à morte. Foi também pelo dinheiro que os guardas se venderam para satisfazer os seus interesses mesquinhos e escusos. Tratava-se de dinheiro sagrado do Templo, mas os príncipes dos sacerdotes não tiveram escrúpulos ao desviar grande soma dele para propalar a mentira e negar a Ressurreição.

Não se contentaram, diz São Severo, em matar o Mestre, mas procuraram um meio de perder os discípulos, fazendo-os passar por criminosos diante do poder estabelecido. É incontestável que os soldados se deixaram corromper; os judeus haviam perdido a sua vítima e os discípulos recobrado o seu Mestre, não por meio do furto, mas da fé; não através do engano, mas da virtude; não pelo crime, mas pela santidade; não morto, senão vivo.

Em sua maldade, a cúpula judaica acabou por fazer brilhar ainda com mais esplendor a grandeza do mistério que a Igreja comemora, pois o dinheiro para silenciar a Ressurreição de Cristo ressaltou a verdade. O verdadeiro Cordeiro Pascal imolado Se levanta glorioso e triunfante do sepulcro como vencedor da morte, do demônio, do mundo e da carne, para brilhar como um sol que espanca as trevas que cobrem o mundo e assentar sobre os escombros deste uma nova civilização marcada pela cruz.

Cristo ressuscitado, ao sair vitorioso do sepulcro, nos dá a esperança de uma nova civilização que raiará sobre o mundo descomposto em que vivemos. Os que permanecerem inabaláveis nos princípios perenes, unidos a Maria Santíssima, não terão o que temer, pois contam com a promessa de que as portas do inferno não prevalecerão.

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(*) Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria (Cardoso Moreira – RJ) é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM).

2 comentários para O vencedor da morte

  1. Mario Hecksher Responder

    15 de abril de 2015 à 11:04

    MAIS UM ARTIGO EXCELENTE.
    PARABÉNS À ABIM E AO AUTOR.
    CORDIALMENTE, MARIO HECKSHER.

  2. Francisco José Galhano Responder

    5 de maio de 2015 à 19:00

    Excelente texto e sempre os acompanho.
    Um forte abraço fraternal em todos e Deus os abençoe.

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