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Otimista? Pessimista? Ou “deixa disso”?

Leo Daniele

OtimismoRecentemente publicamos um artigo sobre a cor emblemática de nossa época: o cinza da confusão. Mas será mesmo?

Alguém achou que esse título é de um pessimismo escorchante porque, como diz Afrânio Peixoto, o otimismo é, e deve ser, o ânimo dos que combatem e aspiram ao bem comum. Pois o pessimismo leva à fraqueza, otimismo ao poder.

Mas a questão não é tão simples. Em sentido contrário, Lucille Ball garante que “o lugar onde o otimismo floresce melhor é o asilo de loucos” (citada em The Last word: a treasury of women’s quotes). A autora é uma mulher, que defende ser o sexo feminino geralmente inclinado à mansidão, à boa vontade, à tolerância. Será que ela tem razão?

Se tratando de pessimismo escorchante, pode-se perguntar se também não há um otimismo escorchante. Sem saber qual deles será o mais verdadeiro, sejamos sérios ou, como diz o pensador católico Plinio Corrêa de Oliveira, “pessimólogos”.

Os otimistas, dizem, não são meros espectadores: eles “são os que transformam este mundo” (François Guizo). Portanto, viva o otimismo, pois o mundo é o melhor possível! O bem sempre triunfa sobre o mal e que a tendência é ver as coisas sob uma ótica esperançosa e alegre, esperando os melhores resultados possíveis. Se fosse assim!

Há uma tendência para o otimismo geral e permanente, que faz lembrar aquela cançoneta “Tout va très bien, Madame la Marquise”, de Ray Ventura, em que o criado telefona para a marquesa dizendo que tudo está ótimo em casa dela, exceto uma série de catástrofes que ele vai contando. Conclui com um “à part ça, tout va très bien” (tirando isso, tudo vai muito bem!). Entretanto, o marquês, recebendo a noticia de que tinha falido, suicidou-se; e pôs fogo em todo o castelo! Tirando isso, tudo vai muito bem…

OtimismoDizem os partidários do otimismo que nada se pode levar a cabo sem ele. Otimismo é esperar pelo melhor. O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade. Os dicionários definem o pessimismo como uma doutrina ou crença de que o mundo é o pior possível. Que na vida há mais mal que bem, além de dar ênfase ao lado escuro das coisas. Portanto, viva o otimismo! Será bem assim?

Para ser mais completo, como em tudo na vida, há o partido do “nem sim, nem não”; nem otimista, nem pessimista. Eles dizem: “Você já notou como algumas pessoas parecem felizes, não importa o que esteja acontecendo em suas vidas? Existe uma certa leveza na personalidade delas. Seus rostos, suas palavras, e mesmo a sua maneira de andar parecem exalar um campo de energia brilhante”.

Se, num belo dia de verão, você disser: “O dia está lindo, adoro esse tipo de clima”, outros imediatamente responderão que detestam calor. “Terrível, muito suor, não dá para trabalhar, difícil de se concentrar. Só serve para plantas tropicais.” Conclusão: tudo é relativo, tudo é cinza.

Alguns argumentariam que a escolha do otimismo tornaria nossa vida mais feliz. Mas o pessimista diria: “Se você não acreditar nem esperar o melhor, nunca terá decepções. Esperando o pior, não há nada a perder.” Viva, pois, o pessimismo! Que confusão…

Até aqui, conclusões nulas ou adiadas…

*       *       *

Estamos nos aproximando do centenário das aparições de Fátima e convém recordar o que narrou a Irmã Lúcia: “Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza coisas nada otimistas, mas terminou com as palavras: ‘Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará’. Deus vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.” E triunfará mesmo! Diante de tudo isto, não sejamos indiferentes, porque a indiferença é escorchantemente cinza!

Mas, afinal, qual nossa posição nesta matéria? Otimista, pessimista, ou “deixa disso”? Plinio Corrêa de Oliveira esclarece: “Não sou propriamente pessimista. Sou ‘pessimólogo’, o que é diferente.”

É preciso, isto sim, ter seriedade. No otimismo e no pessimismo pode entrar uma dose de fuga da realidade. E o Prof. Plinio ensina: “O primeiro elemento da seriedade é uma inteira objetividade. Ver a realidade inteiramente como ela é, sem véus, nem preconceitos, nem torcidas, nem inadaptações, nem nada”. A realidade tal qual, sem tirar nem pôr! Vejamos as coisas como elas são.

Nas páginas da “Folha de S. Paulo” (25-12-1968), ele pergunta: “Quem é o pessimista autêntico? É a sentinela que brada alertando sobre o perigo, na esperança de que a gravidade da hora galvanize energias ainda capazes de vencer? Ou é quem, de dentro da cidadela, responde ao brado de alarma: ‘Não há perigo… — aliás, o inimigo não é assim tão detestável… — e, principalmente, nada há que fazer; deixe-me dormir até que ele entre, pois tudo está perdido…’”.

Cabe agora responder às pergunta do título: “Otimista? Pessimista? Ou ‘deixa disso’?” É uma pergunta importante. É a pergunta de nosso tempo. Fugir dela é nos entregarmos ao cinza que invade. Seria uma covardia. Por tudo isso, confiamos a resposta ao distinto leitor.

1 comentário para Otimista? Pessimista? Ou “deixa disso”?

  1. MARIO HECKSHER Responder

    6 de abril de 2016 à 11:36

    A experiência, adquirida ao longo da vida, ensinou-me o seguinte: DEVEMOS SER REALISTAS. Então, precisamos desenvolver nosso espírito crítico para sabermos analisar corretamente as situações que nos envolvem e para podermos reagir de forma correta às ameaças e ações das forças inimigas.

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