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Putin pode ser confiável? Ele é o novo “campeão” da cristandade?

Luiz Sérgio Solimeo

O homem precisa de esperança, tanto quanto do ar que respira. Faltando ar, ele se sente asfixiado; sem esperança, ele cai em desânimo e desespero.

O resultado é que, quando assolado pelas provações da vida ou em momentos de crise que afetam países, povos e civilizações, ele se esforça em encontrar razões para ter esperança.

Um “Carlos Magno” russo?

Ninguém, com a possível exceção de uma minoria incurável de otimistas, não sabe que o mundo cristão está passando por uma de suas mais graves crises civilizacionais.

Assim (e, na maioria das vezes, inconscientemente) surge um desejo de encontrar algum paladino, ou grande figura histórica – como Carlos Magno – para contrariar os novos “bárbaros” que estão corroendo as nações através da imoralidade e da crescente propagação do socialismo.

Olhando para os líderes mundiais, muitos veem esperança num ex-coronel da KGB (a antiga polícia-política soviética) como um possível salvador.

E sim, ele não é outro senão Vladimir Vladimirovich Putin.

As suas belas palavras são sinceras?

Nós o vemos denunciar a decadência moral do Ocidente, a imposição de leis pró-homossexuais, a eutanásia e a ausência de valores morais.

Podemos vê-lo discursar na “Duma” (Câmara Baixa do Parlamento Russo), como no último dia 12 de dezembro, sobre “a necessidade de defender os valores tradicionais que formaram a base de todas as nações civilizadas, por milhares de anos”.

Podemos vê-lo desacreditar o “reconhecimento da equivalência entre o bem e o mal” no Ocidente. E podemos vê-lo afirmar que a Rússia, ao contrário, “tem um ponto de vista conservador” que “impede (o país) de cair para trás numa escuridão caótica e (num retorno) à condição de homem primitivo” 1.

O Salvador da Ucrânia de uma “Europa Corrupta”?

Alguns foram tão longe que viram na invasão da Rússia à Ucrânia (e em sua anexação da Crimeia) uma maneira de salvá-los da corrupção moral que a União Europeia impõe a seus países membros.

Para essas pessoas, ao que parece, não há alternativa para o falso dilema de ser uma presa nas garras da organizada corrupção moral na União Europeia (que a Ucrânia pretende integrar, para se defender da Rússia) ou nas garras da corrupção política e econômica, em um regime ditatorial como o de Putin.

Putin é adepto de explorar os sentimentos religiosos de seu povo – e sua aversão ao vício antinatural que o Ocidente tanto exalta. Ele também sabe despertar a admiração de muita gente fora da Rússia, que permanece fiel aos princípios morais naturais e revelados.

Truques psicológicos da KGB

O livro “A Quarta Teoria Política”, de Alexander Dugin, afirma que agora é preciso misturar democracia liberal, fascismo e marxismo.

O livro “A Quarta Teoria Política”, de Alexander Dugin, afirma que agora é preciso misturar democracia liberal, fascismo e marxismo.

 

Mas é muito difícil para a KGB – uma das instituições mais sinistras e eficientes já criadas pela maldade humana – ter um de seus agentes (bem-treinado em muitas artes, inclusive no uso inteligente da psicologia) dizendo palavras bonitas?

Em sua bem-documentada obra, “The New Cold War – Putin’s Russia and the Threat to the West” (A Nova Guerra Fria – A Rússia de Putin e a Ameaça para o Ocidente, em tradução livre), depois de mostrar como a KGB preparou a carreira política de Putin, Edward Lucas assim descreve essa organização:

“Uma carreira na KGB era sinal de distinção na União Soviética. Afastada da liderança comunista em si, a KGB tinha sido a mais experiente, eficiente e privilegiada organização do país. Ela não só atraiu as pessoas mais brilhantes; dando a elas um treinamento formidável e uma rede imbatível de contatos. Eles nutriam um sentimento de grande superioridade… Para muitos, esse sentimento foi alimentado por um treino especial em truques psicológicos – como manipular desconhecidos, ganhar sua confiança ou quebrar sua resistência. Em um sentido perverso, os oficiais da KGB sentiram-se quase como um sacerdócio laico: onisciente, onipresente e onipotente” 2.

Não podemos deixar de suspeitar que as declarações conservadoras de Putin não são nada além de “truques psicológicos” aprendidos com seus mestres da KGB.

Numa entrevista para a imprensa europeia, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, Putin enfatiza sua posição sobre o estilo de vida homossexual:

“Se você quer (saber) a minha atitude pessoal, gostaria de dizer que eu não me importo com a orientação sexual de uma pessoa” 3, Putin disse a Andrew Marr, repórter da BBC, em Sochi.

“Gays famosos, como o cantor britânico Elton John, eram populares na Rússia”, disse ele.

“Tenho parabenizado vários membros da comunidade gay neste país, mas por causa de suas realizações pessoais, independentemente da orientação sexual” 3, acrescentou.

Uma confusa ideologia antiamericana

O símbolo do movimento Eurasiano

O símbolo do movimento Eurasiano

 

Putin não se restringe a princípios morais quando precisa executar seu plano expansionista. Ele invadiu a Geórgia, sem um motivo suficiente, e agora está cortando a Ucrânia em pedaços – a começar pela Crimeia.

Embora ele não apresente uma ideologia clara e consistente, suas políticas parecem ser influenciadas pelas teorias de Aleksander Dugin. Em seu livro, “The Fourth Political Theory” (A Quarta Teoria Política, em tradução livre) 4, Dugin é apresentado como “um conselheiro de Vladimir Putin (e outras pessoas no Kremlin) sobre questões geopolíticas, sendo um eloquente defensor da retomada do poder russo no palco global; atuando como um contrapeso à dominação americana”.

As teorias de Dugin presumem que a democracia liberal, o fascismo e o marxismo falharam. De acordo com Dugin, agora é preciso “vasculhar os escombros dos três primeiros e buscar elementos que possam ser úteis, mas que continuem a ser inovadores e únicos em si mesmos” 5. Portanto, essa ideologia nova e confusa (com traços de liberalismo, fascismo e marxismo) iria perseguir seu objetivo: a destruição da influência norte-americana.

Eurásia contra Estados Unidos

Dugin defende a união da Rússia com os países asiáticos, formando a chamada Eurásia.

Dugin defende a união da Rússia com os países asiáticos, formando a chamada Eurásia.

 

Dugin defende uma união da Rússia com os países asiáticos, formando a chamada Eurásia. Timothy Snyder, professor de história na Universidade de Yale, resume esta teoria:

“A ideologia Eurasiana traça uma lição totalmente diferente do século XX. Fundada pelo cientista político russo Aleksander Dugin (em meados de 2001), ela propõe a realização de um Nacional bolchevismo. Em vez de rejeitar as ideologias totalitárias, o eurasianismo exorta políticos do século XXI a absorver o que é útil – tanto do fascismo quanto do stalinismo. O principal trabalho de Dugin, ‘The Foundations of Geopolitics’ (Os Fundamentos da Geopolítica, em tradução livre), publicado em 1997, segue de perto as ideias de Carl Schmitt, o principal teórico político nazista. O Eurasianismo não é apenas a fonte ideológica da União Eurasiana, mas também o credo de um número considerável de pessoas na administração Putin, e a força motriz de um ativo movimento juvenil russo de extrema-direita. Durante anos, Dugin apoiou abertamente a divisão e a colonização da Ucrânia” 6.

Em 09 de março deste ano, comentando a bem-sucedida anexação de parte da Ucrânia, Dugin esclareceu ainda mais seu antiamericanismo:

“Uma grande e nova Associação Continental é formada. Uma confederação entre Europa e Eurásia, União Europeia e União Eurasiana. Russos, ucranianos e europeus estão de um lado da barricada; e os americanos, de outro. A hegemonia norte-americana e a dominação do dólar, bem como a dominação atlântica, o liberalismo e a oligarquia financeira terminaram. Uma nova página na história do mundo começa. Os eslavos não estão reunidos contra a Europa, mas ao lado da Europa, na estrutura de um ‘policêntrico’ mundo multipolar. De Lisboa a Vladivostok” 7.

Putin e Mussolini

Mussolini, filho de um socialista anticlerical, era um líder socialista e editor do jornal do partido até adotar uma posição nova e confusa, anticomunista, mas também autoritária e intervencionista.

Mussolini, filho de um socialista anticlerical, era um líder socialista e editor do jornal do partido até adotar uma posição nova e confusa, anticomunista, mas também autoritária e intervencionista.

 

Putin lembra outra triste figura que também se apresentou como um novo salvador dos valores da cristandade: Benito Mussolini.

Mussolini, filho de um socialista anticlerical, era um líder socialista e editor do jornal do partido até adotar uma posição nova e confusa, anticomunista, mas também autoritária e intervencionista. Tomando o poder em 1922, ele serviu como modelo para vários partidos totalitários em todo o mundo, inclusive da Alemanha. Deposto em 1943, ele retornou com uma falsa república (claramente socialista) no norte da Itália: a chamada República de Salò.

Mas há alternativas à ditadura de Putin ou à ditadura secular da União Europeia; que impõe o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e a eutanásia?

A Esperança Natural e a Virtude Sobrenatural

Para responder a essa pergunta, precisamos – mais uma vez – falar sobre esperança. A verdadeira esperança não é aquela que põe sua confiança nos homens, mas em Deus. É a virtude teológica que, juntamente com a fé e a caridade, nos une a Deus na vida sobrenatural.

Em 1917, durante o cataclismo da Primeira Guerra Mundial, Nossa Senhora apareceu em Fátima e explicou que a guerra é um castigo pelo pecado dos homens. E ela pediu uma conversão do mundo, a devoção a seu Imaculado Coração e a consagração da Rússia, a fim de evitar uma guerra ainda pior.

A resposta dos homens foi chafurdar no pecado dos chamados “Loucos Anos Vinte”, marcados por um gozo desenfreado da vida, pelo abandono da moralidade tradicional, e pela loucura na moda e na arte moderna.

O resultado final foi o caos que tomou conta da Europa, a revolução comunista na Rússia, e o enorme crescimento dos partidos socialistas no Ocidente. Greves intermináveis ​​marcaram a vida europeia – e a agitação dominou as ruas.

Foi nesse ponto que vários tipos de fascismo apareceram, satisfazendo as esperanças humanas com uma falsa solução que evitou a ordem orgânica criada por Deus: a intervenção estatal, imposta com mão de ferro. Depois de um tempo, isso levou à terrível catástrofe da Segunda Guerra Mundial.

A história se repete. Novamente os homens estão rejeitando a única esperança que não ilude, porque vem de Deus: o chamado de Maria para a conversão em Fátima. Estão criando um falso dilema entre dois males igualmente condenáveis​​.

Voltemos nossos olhos a Deus, imploremos sua misericórdia e, sem medo, lutemos contra os erros do nosso tempo – sem propensão a engolir qualquer solução falsa, proposta pelos inimigos do Senhor.

Na capela do Seminário de Roma, está uma bela pintura de Maria Santíssima intitulada “Mater Mea, Fiducia Mea” (Minha Mãe, Minha Confiança). Voltemo-nos para ela, pedindo ajuda para esta situação calamitosa. Ela não vai nos desapontar.

(Tradução: Fabio Ramos)

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Notas
1. http://www.asianews.it/news-en/Putin-launches-Russia-as-the-global-guarantor-of-traditional-values-29804.html
2. LUCAS, Edward. The New Cold War – Putin’s Russia and the Threat to the West. Nova York: Palgrave Macmillan, 2008, p. 19-20.
3. http://www.bbc.com/news/world-europe-25799499
4. DUGIN, Alexander. The Fourth Political Theory. Londres: Arktos Media, 2012.
5. http://www.amazon.com/Fourth-Political-Theory-Alexander-Dugin/dp/1907166653
6. http://www.nybooks.com/articles/archives/2014/mar/20/fascism-russia-and-ukraine/
7. http://www.nationalreview.com/node/373064/print
Fonte: http://www.tfp.org/tfp-home/news-commentary/can-putin-be-trusted-is-he-christendom-s-new-champion.html

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