Sem filhos, sem casa, sem futuro

  • Nelson Ribeiro Fragelli(*)

A Alemanha tem as melhores casas de repouso para pessoas idosas, sem lar. Enfermeiros especializados, cozinhas aprimoradas, adegas, salas de visitas, de jogos, de projeções, jardins, etc. garantem o bem-estar dos anciãos. A qualidade dessas casas faz jus à riqueza do país.

Entretanto surpreende o resultado de uma recente pesquisa realizada a pedido de uma revista especializada “Conselheiro Sênior”. Sete entre dez idosos alemães consideram essas casas “horríveis”. Um em cada oito preferiria morrer a ir parar lá. Apesar das magníficas instalações, temem não ser bem tratados. Apenas um entre quatro afirma ter ouvido parentes falar, ou pessoalmente tido boa experiência, com essas casas, segundo notícia publicada no diário “Die Welt”, de 13- 6-08.

Contudo a população não se corrige. Se essas casas de repouso estão cheias de velhos solitários, a razão é, sobretudo, porque não tiveram filhos. E não encontram, em sua ancianidade, quem deles cuide. A população do país diminui continuamente. Em face dessa situação, o governo instituiu uma ajuda financeira para as famílias que tenham filhos.

Mesmo assim, recentes estatísticas do governo mostram um recuo de 1,1 % do número de nascimentos, no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período no ano passado. Pior ainda: o número de abortos aumenta em relação ao número de nascimentos, pois a cada mil nascimentos são praticados 172 abortos.

Parafraseando os velhinhos alemães, a continuar essa tendência, “horríveis” são as perspectivas familiares desse povo.
(*) Nelson Ribeiro Fragelli é colaborador da ABIM