“Um tumor que explode”

“Moisés com as Tábuas da Lei”, Rembrandt (1659)
“Moisés com as Tábuas da Lei” (detalhe), Rembrandt (1659)

Os festejos do carnaval, ano após ano, tornam-se mais extravagantes e imorais; cenas grotescas e práticas de nudismo são ostentadas torpemente, tudo impulsionado pelas autoridades do País. Isto nos leva a uma reflexão: é possível alguém, durante os três dias de carnaval, entrar na “folia” –– violando gravemente os princípios da moral católica, portanto infringindo os Mandamentos da Lei de Deus –– e depois voltar à normalidade?

         Esta questão é admiravelmente respondida por Plinio Corrêa de Oliveira, em artigo publicado em “O Legionário”, em 15-2-1942:

 

“Moisés com as Tábuas da Lei”, Rembrandt (1659)“Lembro-me de que, quando era menino, certo professor jesuíta do colégio São Luiz me contou que um diplomata japonês, tendo assistido [no Brasil] ao carnaval — que em sua pátria não se comemorava —, enviou ao seu governo a seguinte descrição: ‘durante três dias ficam todos loucos e praticam os maiores absurdos; depois, repentinamente, o senso lhes volta e recobram juízo’. A observação, que muito me impressionou na ocasião, é realmente interessante. Muitas pessoas já a têm feito. Entretanto, cumpre acentuar que ela não reflete toda a realidade.

“Com efeito, há uma regra de moral que afirma: ‘Nada de péssimo se faz subitamente’. É contra todas as regras da psicologia humana supor que pessoas muito dignas, muito moralizadas, muito sensatas, conseguem depor inteiramente as suas idéias durante os três dias do carnaval, e depois repô-las intactas, imaculadas, inteiriças, após os dos festejos de Momo. Idéias não são roupas que se vestem ou se despem. Se alguém procede, durante o carnaval, de modo extremamente leviano, é isto uma prova de que anteriormente já havia uma falha na couraça moral dessa pessoa. Por outro lado, se essa falha pode ter ocasionado a renúncia momentânea a certas atitudes e a certas idéias durante o carnaval, como é difícil voltar depois à primitiva linha de moral!

“Não nos iludamos. Erram, e erram miseravelmente, os que supõem que o carnaval constitui apenas um parêntese de loucura. Ele é um tumor que explode, e através de suas secreções se pode bem avaliar todo o vulto da infecção que, de maneira mais ou menos disfarçada, já minava anteriormente o organismo. Três dias depois esse tumor se cicatriza, na aparência. Fá-lo, entretanto, deixando uma base sempre mais profunda, sempre mais dolorosa, sempre mais perigosa, para o tumor do ano que vem”.

(Fonte: Revista Catolicismo, Nº 687, março/2008).

2 comentários para "“Um tumor que explode”"

  1. nisof   27 de fevereiro de 2017 at 10:51

    O CARNAVAL VIROU COISA DE VIADOS-PEDERASTAS-BICHAS E DEPRAVADOS!!!

    • Lamartine Hollanda Junior   28 de fevereiro de 2017 at 1:06

      O carnaval sempre foi isto, nisof. Mudou apenas a porcentagem viadística explícita. Carnaval é coisa muito séria. Igual a Ideologia de Gênero e a ” misericórdia”.São setores fundamentais no projeto mundial de desumanização em marcha.A meta principal é a dominação mundial de certos grupos poderosíssimos e ocultos. Para reinar, é preciso dividir, como concluiu Machiavel. Grandes agentes nesta processo de demolição das civilizações, especialmente a Ocidental Cristã, são altos hierarcas da Igreja Católica, principalmente do Clero do Rito Latino.Os Maronitas,os Coptas,os Melquitas e outros de Igrejas católicas orientais em comunhão com o Papa participam muito menos disto. Igualmente as Igrejas Católicas ditas cismáticas- Russa, Antioquina, Siriana, etc-estão fora da militância da ” revolução” anti cristã), alguns bem altos mesmo.Um ” menor” destes hierarcas aplaudiu publicamente,em ” comunhão” com a CNBB, e promoveu ” bençãos” a um grupo de orgiastas que profanaram a imagem da Mãe de Jesus agora, no Rio de Janeiro ( ou foi em São Paulo? De fato, foi em vários lugares.Ontem vi, de relance, na televisão, um desfile carnavalesco com uma enorme imagem de Maria com o Menino Jesus nos braços).