Agentes da Revolução trocam a civilização pela barbárie

  • João Carlos Leal da Costa

Foram divulgados por toda a imprensa os horríveis quebra-quebras nos EUA, analisados pela revista Catolicismo em sua matéria de capa de agosto. Grupos organizados gritam palavras de ordem contra a ‘opressão’ dos brancos contra os negros, exigindo corrigir isso através de mudanças do ‘sistema’. A dissolução da polícia tem sido apresentada como exigência, e a verba liberada seria redirecionada para a assistência social. Alegam que esse redirecionamento tornaria desnecessária a atividade dos criminosos, apontados como filhos da opressão de uma classe social sobre a outra. Porém, contraditoriamente, agem eles mesmos como criminosos.

Mesmo se fossem atendidas essas exigências, e além disso se multiplicasse a verba de assistência social, quem conhece as motivações e a pertinácia de agitadores como esses pode afirmar com segurança que eles não parariam. Doses cavalares de concessões não extinguem a rebelião de tais movimentos, pois estariam contrariando frontalmente o princípio que manda premiar os honestos e punir os desonestos. Atendê-los seria inverter o sistema premiação/punição.

O fundamento da sociedade civilizada está num mecanismo recôndito, na ordem do ser, que faz o homem tender para a ordem, o belo e o bem. Por sua própria natureza, os homens são estimulados a procurar as coisas boas, verdadeiras, belas. Esse impulso para o bem ocorre naturalmente, coloca em movimento poderosas forças dentro de nós, e desencadeia intensos movimentos nobres, que são os fundamentos da cultura.

O espírito humano tem sido levado a imaginar panoramas extraordinários, obras de arte, música, ideias, feitos heroicos, que se situam na categoria de sublimes. Não é simplesmente o aspecto físico dessas coisas que nos inspira a agir. Mais do que isso, é a apreciação racional das qualidades de magnificência, amplitude ou grandeza, que cativam a alma e a impulsionam na procura da plenitude. Quando esse desejo de plenitude está em ordem, as pessoas não praticam atos de barbárie. Pelo contrário, produzem coisas maravilhosas.

O impulso humano para o bom e o belo suscita uma visão da vida que é a inspiradora das verdadeiras civilizações. Vemos isso na vida dos grandes santos, heróis e mártires, que converteram os bárbaros e os fizeram voltar-se para os ideais cristãos. Surgiram assim bons movimentos desse impulso fundamental, que conduziram a sociedade civil medieval a dar “frutos superiores a toda expectativa”, como afirmou Leão XIII na Encíclica Immortale Dei.

Num quadro muito bem pintado, pode-se imaginar com bom grau de similitude a própria pessoa que nele foi reproduzida. Da mesma forma, as coisas existentes nos sugerem imaginar outro mundo mais maravilhoso, do qual essas coisas são apenas as imagens. Vendo o mundo todo assim, sente-se que há algo mais, algo sobrenatural acima do natural, onde se pode entrever Alguém, um Ser absoluto que é Deus. Desta forma a sociedade e as coisas naturais nos levam a Deus.

Mas nos que praticam aqueles atos bárbaros, os anseios mais fundamentais orientam-se na direção oposta à ordem, à beleza. Por ordem, o revolucionário entende ‘opressão’. Ante a beleza, que pode se traduzir por uma apresentação pessoal decente, digna e agradável, o revolucionário contrapõe os desmandos de seus apetites libertários. Contra as normas da vida civilizada, que são o reflexo da dignidade humana, o revolucionário agita suas pretensões e desordens internas.

O tipo humano que promove atualmente essas aberrações é de fato o resultado de um longo processo revolucionário, que vem corroendo a Cristandade através de sucessivas revoluções, com vistas ao final estabelecimento da desordem completa nas almas. E vão sendo assim disseminados instintos bárbaros, provocando sério impacto em toda a atividade humana, individual e social.

O tecido social vai assim se desfazendo. Centenas de anos de trabalho árduo e disciplinado, destinados a criar o que chamamos civilização, parecem agora ir água abaixo, depois que a civilização passou a ser considerada “racista”. Caminha em direção ao antigo caos, à conhecida barbárie, a anarquia desejada pelo movimento Black Lives Matter.