BATALHA DE LEPANTO — 450 anos da vitória da Cruz contra o Crescente

Este quadro do Palácio Ducal de Veneza representa a Batalha de Lepanto. Nele vemos, em destaque nos círculos, de cima para baixo, o Príncipe Marco Antônio Colonna (comandante da esquadra Pontifícia), Dom João d’Áustria (generalíssimo de toda a frota) e Sebastiano Venier (no comando da frota veneziana). 

De suma importância para a Igreja e a civilização, a batalha de Lepanto, vencida no dia 7 de outubro de 1571 pelas esquadras católicas no mar Jônico, decidiu os rumos do Ocidente cristão ameaçado pelas forças maometanas do Império Otomano. Foi a maior batalha naval até então travada na História.

Oscar Vidal

Após a conquista de Constantinopla em 1453 pelo Sultão Maomé II, o poderio militar do Império turco-otomano crescia assustadoramente. Em meados do século XVI dominava quase todo o Mediterrâneo. Em 1570 invadiu e capturou a ilha de Chipre, apesar da forte resistência encontrada por parte dos habitantes de Nicósia e Famagusta. Os otomanos passaram a saquear outras ilhas nas águas mediterrâneas, incendiavam igrejas, degolavam sacerdotes, escravizavam cristãos para serem seus remadores em naus de guerra, sequestravam mulheres, inclusive crianças, abusadas em práticas perversas; numerosas outras atrocidades faziam correr torrentes do sangue cristão.

 Em 1571, cumprindo ordens do Sultão Selim II, filho do mítico Solimão I (conhecido como ‘o Magnífico’), as forças maometanas — apesar da derrota no cerco de Malta em 1565 — ainda cobiçavam tomar aquela ilha, que lhes serviria de “trampolim” para a invasão da Europa. Tudo empreendiam para suprimir a Religião Católica, dominar e aniquilar o continente cristão, já muito debilitado por guerras de religião e pelas investidas da Revolução Protestante, deflagrada pelo monge apóstata Lutero em 1517.

 Na perspectiva que chamavam de “o sonho de Osmã”, os otomanos, sonhavam em subjugar a Cristandade europeia, primeiramente dominar a Itália e a França, e logo transformar em mesquitas a Basílica de São Pedro, em Roma, e a Catedral Notre-Dame de Paris.

Os três comandantes da coalizão católica, da esquerda para a direita: Dom João d’Áustria, o Príncipe Marco Antônio Colonna e o almirante veneziano Sebastiano Venier.
[Quadro: Os vitoriosos da batalha naval de Lepanto – Anônimo, atribuído à Escola Italiana, c. 1575. Kunsthistorisches Museum, Viena].

São Pio V forma uma coalizão de príncipes católicos

Em face do iminente perigo para a Cristandade, o Sumo Pontífice de então, o Papa São Pio V (nascido em 1504, na cidade italiana de Bosco Marengo, da nobre família dos Ghislieri) conclamou alguns príncipes europeus a estabelecerem uma coalizão, numa frente comum contra as hordas maometanas. Ele desejava formar uma verdadeira cruzada dotada de uma esquadra naval. As complicadas tratativas com alguns soberanos cristãos contaram com o auxílio de São Francisco de Borja, superior-geral dos Jesuítas.

Após a recusa de alguns soberanos e as hesitações de outros, a duras penas o Papa conseguiu reunir uma esquadra composta com o apoio, inclusive financeiro, de Felipe II da Espanha, da República aristocrática de Veneza, de Gênova, do Reino de Nápoles e dos cavaleiros da Ordem de Malta, além de um contingente dos Estados Pontifícios. Assim se constituiu a “Santa Liga”, sem a qual seria impossível conter o avanço do poderio otomano.

O Santo Pontífice não desanimou ante a desproporção das forças, pois confiava inteiramente na proteção do Senhor Deus dos Exércitos e da Santíssima Virgem Maria, “terribilis ut castrorum acies ordinata” (terrível como um exército em ordem de batalha – Ct 6, 9). Corroborando esse princípio, d’Ela disse São Luís Grignion de Montfort: “Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio”. (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Ed. Vozes – VI Edição, Petrópolis, 1961, pp. 54-56).

 O Papa confia na liderança de Dom João d´Áustria

Estandarte da “Santa Liga” 

Percebendo a urgência de se cortar o passo aos infiéis que avançavam na bacia do Mediterrâneo, São Pio V nomeou Dom João d’Áustria para o comando da frota. Concedeu-lhe o título de generalíssimo de todo o exército, pois confiava em seu grande poder de liderança. O destemido príncipe, no esplendor de seus 24 anos, era filho natural de Carlos V e irmão bastardo de Felipe II. Por intermédio do Cardeal Gravelle, o Papa lhe enviou um estandarte com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pedindo-lhe que partisse o quanto antes ao encontro dos inimigos mouros. [a respeito, veja quadro no final desta matéria]

São Pio V depositou sua esperança em Dom João d´Áustria. Referindo-se a esse talentoso líder militar, aplicou-lhe uma passagem do Evangelho concernente a São João Batista — “Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João” (Jo 1, 6) —, passagem que está inscrita na sepultura do príncipe na cripta do Mosteiro El Escorial (no noroeste de Madrid): “Fuit homo missus a Deo, cui nomen erat Johannes!” [foto abaixo]

Como comandante da esquadra Pontifícia, o Papa nomeou Marco Antonio Colonna, ao qual deu também um estandarte, este com a imagem de um Crucifixo, com a inscrição “In hoc signo vinces” (Com este sinal vencerás). Colonna era príncipe, senhor de Genazzano — famosa cidade italiana do milagroso quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho, junto ao qual, após a batalha de Lepanto, depositou algumas das bandeiras tomadas dos chefes maometanos.

Deslumbrante cortejo de navios rumo à esquadra inimiga

Nos primeiros dias de outubro, as esquadras católicas reuniram-se em Messina, na Sicília. Depois de três dias de vigília de orações e jejuns, os combatentes se confessaram, comungaram, receberam as indulgências concedidas pelo Vigário de Cristo para a cruzada, assim como Agnus Dei e terços bentos por ele. No porto, o Núncio Papal abençoou cada uma das naus. Os novos cruzados levantaram âncoras e zarparam num deslumbrante cortejo de navios rumo à esquadra do inimigo mouro, que se concentrara no golfo de Lepanto, nas proximidades da Grécia.

Ao avistar os navios inimigos, Dom Joao d’Áustria, revestido de imponente elmo e armadura dourada, segurando uma enorme espada numa das mãos e um crucifixo na outra, encorajou os combatentes com estas palavras “Vencer ou morrer, se o céu assim o dispuser, aqui viemos. Não deis ocasião para o inimigo vos perguntar com ímpia arrogância: onde está o vosso Deus? Lutai em seu santo nome, porque mortos ou vitoriosos, tereis alcançado a imortalidade”. Era o dia 7 de outubro de 1571, que ficou marcado na História ad perpetua rei memoriam.

 Preparação para a iminente batalha contra a mourama

         A frota otomana contava com 34.000 soldados e 50.000 marinheiros e remadores; possuía 222 galeras, 60 barcos de guerra menores movidos a remos e 741 canhões. A esquadra da “Santa Liga” se compunha de 28.500 soldados e quase 40.000 marinheiros e remadores; possuía 208 galeras, seis barcos e 1.815 canhões.

O conjunto das duas poderosas esquadras, postadas frente uma da outra na tarde daquele histórico domingo, formava um cenário espetacular. Em um misto de admiração e espanto, ambos os lados se contemplaram mutuamente. Aconselhado por seus oficiais Uluch-Ali e Pertev, o comandante turco Mehmet Ali-Pachá por um instante pensou em recuar. Mas mudou de ideia e instou à luta os infiéis, dominados por um demoníaco fanatismo, prometendo-lhes o “paraíso”, onde Maomé e Alá os receberiam se matassem cristãos. Do outro lado, animados por Dom João d’Áustria, os cristãos estavam dispostos a lutar destemidamente pelo ideal católico, prontos para o martírio se fosse necessário.

Na esquadra da “Santa Liga”, sacerdotes deram a absolvição geral aos combatentes católicos. Estes invocaram em alta voz a Santíssima Trindade e a Santa Mãe de Deus. Dom João os exortou: “Lembrai-vos de que combateis pela Fé; nenhum poltrão ganhará o Céu”.

No centro da frota posicionou-se La Real, a nau capitânia de Dom João d’Áustria. O jovem príncipe mandou hastear o estandarte oferecido por São Pio V e bradou: “Aqui venceremos ou morremos”, e deu a ordem de preparação para a batalha contra os sequazes de Maomé. La Real foi ladeada pelos barcos de Marco Antônio Colonna e os de Sebastiano Vernier. No flanco direito posicionaram-se os barcos comandados pelo genovês Giovanni Andrea Doria. No flanco esquerdo, aqueles do veneziano Agostino Barbarigo, enquanto os do Marquês de Santa Cruz, Álvaro Bazan, se puseram na retaguarda.  

Milagre impressionante: El Santo Cristo de Lepanto

El Santo Cristo de Lepanto,
que movendo seu corpo milagrosamente,
evitou ser atingido por uma
bala de canhão dos muçulmanos.

Os trompetes soaram e os tambores rufaram. Seguiu-se um instante de sublime silêncio, imediatamente rompido por uma bombarda de canhão ordenada por Ali-Pachá da galera La Sultana. Dom João d’Áustria responde da sua La Real com outra bombarda. Os canhões de ambos os lados começam a fazer o mesmo.

Os primeiros embates foram favoráveis aos muçulmanos, que formados em meia-lua não paravam de disparar violentas cargas de suas bocas de fogo. Eles contavam com os ventos favoráveis às suas velas e o sol incidindo fortemente de frente aos cristãos, dificultando-lhes a visão. Em pouco tempo, tanto o sol quanto os ventos se inverteram a seu favor.

Naquele árduo entrechoque, em meio a um ruído ensurdecedor de instrumentos, cimitarras contra espadas, gemidos, brados e tiros, os guerreiros católicos — com arma em uma das mãos e o terço na outra ou ao pescoço — estavam prontos a dar a vida por Deus e tirar a dos infiéis. Eles respondiam com o máximo vigor possível aos ataques. No ardor do combate destacaram-se os famosos Tercios espanhóis e os cavaleiros da Ordem de Malta. Dentre os numerosos atos de bravura, citemos o de um combatente siciliano que estando enfermo e deitado em seu leito de dor, em vez de morrer de sua doença, saltou da cama e foi combater no convés. Antes de ser ferido por nove flechas e cair morto, conseguiu matar quatro mouros.

Mesmo com tantos atos de nobreza e coragem demonstrados no fragor do enfrentamento, por um momento o lado católico hesitou, pois os infiéis pareciam obter vantagem na peleja.

De repente, o ânimo dos cristãos reacendeu. Um grande crucifixo, considerado milagroso, havia sido mandado pelo rei Felipe II para ser fixado numa das caravelas. Uma bombarda de canhão adversário iria destruí-lo, mas o corpo da imagem de Cristo crucificado se afasta milagrosamente para não ser alvejado. Posteriormente ele recebeu honras de Capitão Geral do Exército, e até hoje se encontra na catedral de Barcelona, onde é venerado como El Santo Cristo de Lepanto.

Socorro celeste da Senhora Auxiliadora dos Cristãos

Na batalha, outro fato animou ainda mais os cristãos: um tiro de arcabuz mata o chefe turco Ali-Pachá; um soldado espanhol consegue pular para a embarcação adversária, degola a cabeça do comandante islamita e a coloca no alto de uma lança. Os mouros, vendo a cabeça decepada de seu líder, perdem vigor. Algumas galeras se colidem e começa um combate corpo-a-corpo, maometanos na popa e cristãos na proa. As flechas e tiros de mosquetes, arcabuzes e canhões disparavam uns contra os outros incessantemente.

Entretanto, apesar do ânimo e bravura dos soldados de Cristo, a imensa frota da mourama parecia vencer novamente. Após algumas horas de encarniçado confronto, os guerreiros católicos receavam a derrota, que traria graves consequências para a Europa cristã. Mas, ó prodígio, ficaram surpresos ao perceberem que de modo súbito e inexplicável os muçulmanos começam a fugir apavorados, muitos caem no mar e tentam nadar naquelas águas avermelhadas de sangue.

Tempos depois se obteve a explicação: capturados pelos católicos, alguns mouros confessaram que uma brilhante e majestosa Senhora aparecera no céu, ameaçando-os e incutindo-lhes tanto medo, que entraram em pânico e começaram a fugir.

Logo no início da retirada dos barcos muçulmanos, os católicos socorridos pela Senhora Auxiliadora dos Cristãos se reanimaram, inverteram o rumo da batalha e venceram. Naquele momento, a Europa estava salva!

A maior vitória já alcançada em uma batalha naval

Representação do chefe turco Ali-Pachá.
Ao lado, sua cabeça no alto de uma lança e um navio com a bandeira otomana afundando no mar,
resumo de um grande desastre otomano. A Santa Liga Católica obteve
a maior vitória já alcançada
em batalha naval até então.

Naquele combate — classificado como uma das maiores batalhas marítimas, com a maior concentração de frotas da História — a Santa Liga Católica obteve a maior vitória já alcançada em batalha naval até então. Os otomanos perderam 224 embarcações (sem contar as que foram afundadas ou incendiadas depois do embate); na fuga, eles só conseguiram salvar 40 galeras; perderam quase 30.000 vidas e 3.468 mouros foram capturados. Enquanto a Santa Liga perdeu apenas 15 galeras e a vida de 7.500 bravos cruzados. Mas conseguiu libertar quase 12.000 católicos que estavam presos ou escravizados pelos maometanos.

Entre os despojos de guerra, os soltados de Cristo conseguiram 110 grandes canhões e 256 pequenos, assim como os estandartes dos comandantes muçulmanos. Mas a pior derrota para os mouros foi o fato de perderem a reputação de invencíveis no mar! O império otomano entrou em decadência!

São Pio V foi honrado por uma sobrenatural revelação

Enquanto nas águas de Lepanto se travava a árdua batalha contra os turcos otomanos, em Roma o Papa São Pio V rogava o auxílio da Rainha do Santíssimo Rosário pela Cristandade. Ele pedira aos conventos e aos fiéis que redobrassem suas preces, seus jejuns e penitências. As Confrarias do Rosário promoviam procissões e orações nas igrejas, na Praça de São Pedro realizava-se uma procissão a Nossa Senhora do Rosário suplicando a vitória da armada católica. [a respeito, veja quadro no final]

O Pontífice rezava dia e noite suplicando ao Senhor Deus dos exércitos para que o desenlace da batalha fosse propício aos católicos. No momento em que ocorria o desfecho em Lepanto, ele estava trabalhando com o tesoureiro Bussoti na presença de alguns prelados. De repente se levanta, faz um gesto de silêncio com a mão, e se dirige até uma janela onde permanece por alguns instantes em profunda contemplação. Ele estava radiante. Teve uma visão sobrenatural na qual tomou conhecimento do ocorrido a centenas de quilômetros: a armada católica acabara de obter espetacular vitória. Imediatamente, exultando de alegria e com lágrimas nos olhos, voltou-se para seus acompanhantes exclamando: “Não falemos mais de trabalhos; não é tempo para isso. Vamos rápido dar graças a Deus, nossa armada acabou de obter a vitória!” São Pio V se ajoelha diante de seu oratório para agradecer. Bussoti e os prelados, testemunhas privilegiadas do milagre, correm para transmitir aos Cardeais a recente boa-nova.  

A milagrosa visão foi confirmada somente na noite do dia 21 de outubro (duas semanas após o histórico acontecimento), quando, por fim, o correio chegou a Roma confirmando a vitória da Cruz sobre o Crescente, alcançada no 7º dia de outubro daquele ano, na mesma hora em que o Papa havia tido a revelação milagrosa. Numa época em que sequer havia telégrafo, o Pontífice dispunha de meios mais rápidos e eficazes para se informar!

“A Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória”

Em memória da estupenda intervenção da Santíssima Virgem, o Papa se dirigiu em procissão à Basílica de São Pedro, onde cantou um solene Te Deum Laudamus e introduziu a invocação Auxílio dos Cristãos na Ladainha de Nossa Senhora. E para perpetuar essa prodigiosa vitória da Cristandade, foi instituída a festa de Nossa Senhora das Vitórias, que dois anos mais tarde — no Pontificado de Gregório XIII, sucessor de São Pio V —, tomou a denominação de festa de Nossa Senhora do Rosário, comemorada pela Igreja no dia 7 de outubro de cada ano.

Ainda com o mesmo objetivo de deixar gravado para sempre na História que a Vitória de Lepanto se deveu à intercessão da Senhora do Rosário, o Senado veneziano mandou pintar um quadro representando a grande batalha naval, com a seguinte inscrição: “Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit”. (Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória).

Ameaças de uma nova e grande ‘jihad’

A rememoração da extraordinária vitória das armas católicas sobre o Império Otomano no século XVI nos remete a um grande problema de nosso século, em particular no momento presente: surpreendente e fulminante reconquista do Afeganistão pelos maometanos do Talibã e de seus braços terroristas.

Essa vergonhosa derrota do Ocidente encheu os ‘jihadistas’ do mundo islâmico de ânimo para, por assim dizer, vingar a derrota sofrida há exatos 450 anos em Lepanto.

Em 1962, Gamal Abdel Nasser, presidente do Egito entre 1954 e 1970, ameaçou: “Só uma cavalgada muçulmana é que nos poderá restituir a glória de outrora. Essa glória não será reconquistada senão quando os cavaleiros de Alá tiverem pisoteado [a basílica de] São Pedro de Roma e [a catedral de] Notre-Dame de Paris”. (Nouvelles de Chrétienté, nº. 362, de 13-9-62).

Após um dos atentados do terrorismo islâmico em Paris, em 2015, Aboubakar Shekau, líder do grupo muçulmano Boko Haram, declarou “Estamos muito felizes com o que aconteceu no centro da França. Ó, franceses, vocês que seguem a religião da democracia, entre vocês e nós a inimizade é eterna”.

Um ano antes dessa patética declaração, Dom Amel Nona, Arcebispo de Mosul, terceira maior cidade do Iraque, após relatar as atrocidades praticadas pelos maometanos em sua região — abusos de meninas, incêndios de igrejas e casas, escravidão de mulheres que viram seus maridos serem degolados etc. —, afirmou: “Nossos sofrimentos de hoje são um prelúdio daqueles que também vós, europeus e cristãos ocidentais, padecereis no futuro próximo, se não reagirdes a tempo”.

Quantas derrotas, como a recente sofrida pelos Estados Unidos no Afeganistão, deverão acontecer para acordar o Ocidente e fazê-lo reagir enquanto é tempo ao iminente perigo islâmico? Quem ainda acredita que o “islamismo é uma religião de paz”? Ou vamos repetir o que disse o capitulacionista Manuel Valls, o socialista ex-primeiro-ministro francês, no dia seguinte ao terrível atentado terrorista islâmico em Nice (15-7-16), que atropelou centenas de pessoas e matou quase 100: “Entramos em uma nova era. E a França terá que conviver com o terrorismo”.

Policiais a cavalo em frente da Grande Mesquita de Paris

Deus nos livre da realização do sonho otomano

         O mundo ocidental encontra-se numa apocalíptica encruzilhada e poderá sofrer uma invasão islâmica, como já alertava o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, conforme reproduzido em algumas edições de Catolicismo. Enquanto alguns chefes de Estado europeus abrem indiscriminadamente suas fronteiras para a entrada de “imigrantes” maometanos, estes vão se estabelecendo, sendo aliciados e preparados nas mesquitas para perpetrarem atentados terroristas visando colocar a Europa de joelhos e “islamizá-la”.

 “Os minaretes serão as nossas baionetas, as cúpulas os nossos capacetes, as mesquitas serão os nossos quartéis, os crentes os nossos soldados”. Repetiu o atual presidente da Turquia Recep Tayyip Erdoğan, citando palavras de um poeta do país. O que nos remete às imensas e numerosas mesquitas da religião islâmica que estão sendo construídas na Europa, além das numerosas já existentes. Para dar apenas um exemplo: em Estrasburgo (França) está sendo construída a mesquita do sultão Eyyub. Ela será a maior da Europa, podendo abrigar em seu interior 3.000 crentes — o que, no dizer do presidente turco, significa “soldados”, assim como mesquita significa “quartel”. Esses crentes e esses quartéis já estão espalhados por toda a Europa; outros “crentes” estão chegando para ocupar os novos, imensos e numerosos “quartéis” que estão sendo construídos.

Nessas mesquitas, os líderes religiosos sempre alentam e incentivam seus seguidores crentes com o sonho otomano da aniquilação da Cristandade europeia, por meio de uma espécie de gigantesca contra-cruzada a fim de destruir a Cruz Cristo e implantar o Crescente de Maomé no mundo ocidental!

O que não falta são ameaças de uma nova e grande jihad (“guerra santa” na concepção islâmica). Por isso, mais do que nunca, precisamos suplicar à Santíssima Virgem do Rosário aquilo que o Papa São Pio V pediu e obteve na batalha de Lepanto: a vitória da civilização cristã sobre o mundo maometano.

____________

Obras consultadas:

– Abbé Rohrbacher, Histoire Universelle de l´Église Catholique, Gaume Frères, Libraires, Paris, 1846, tomo 24.

– Césare Cantu, História Universal, Editora das Américas, São Paulo, 1954, tomo XXI.

– André Damino, Na Escola de Maria, Ed. Paulinas, 4ª edição, São Paulo, 1962.

– William Thomas Walsh, Felipe II, Espasa-Calpe, Madrid, 1951.

Túmulo de São Pio V na Basílica de Santa Maria Maggiore, Roma.

Vitória de Lepanto graças ao Papa São Pio V

Plinio Corrêa de Oliveira

Vou destacar aqui um herói da batalha de Lepanto, a respeito do qual pouco se fala. Esse herói foi o Papa São Pio V.

O Pontífice via bem o poder otomano crescer cada vez mais, e o perigo de os otomanos se jogarem sobre a Itália ou sobre qualquer outra parte da Europa, e operarem uma invasão que poderia ter efeitos tão ruinosos ou talvez mais ruinosos do que teve a invasão dos árabes na Espanha, no começo da Idade Média.

Nessa situação, São Pio V tinha que apelar naturalmente para o varão que era o apoio temporal da Igreja naquele tempo: Felipe II, Rei da Espanha.

O Imperador do Sacro Império Romano Alemão não tinha condições, por causa da divisão religiosa no império [em razão da revolução protestante], de lutar eficazmente contra os mouros. A França estava corroída por uma crise religiosa muito grande, guerra de religião etc.

O Papa só podia contar, dentre as grandes potências católicas, com Felipe II de um lado, e, de outro, com Veneza, que dispunha de grande poder marítimo.

Caso Felipe II se retraísse, a horda maometana desataria sobre a Itália, e depois atingiria toda a Cristandade. Seria o fim da civilização cristã no Ocidente. Não seria o fim da Igreja, porque ela é imortal; mas, ao que a Igreja poderia ficar reduzida, ninguém sabe.

Se não fosse a pressão de São Pio V, não se teria realizado a Batalha de Lepanto, porque a Espanha não teria mandado sua esquadra. Esta era o grande contingente decisivo dentro das esquadras aliadas que lutaram e venceram em Lepanto.

Assim se compreende melhor por que razão houve a famosa aparição a São Pio V: a revelação da vitória das esquadras católicas.

São Pio V foi um verdadeiro herói, como Dom João d’Áustria e os outros grandes guerreiros que venceram em Lepanto.

 (Trecho de conferência em 7-10-75, sem revisão do autor).

Representação do momento em que o Papa São Pio V teve a revelação do triunfo dos católicos na Batalha de Lepanto. 

Lepanto, vitória do Rosário

A eficácia e o poder do Santo Rosário foram depois experimentados também no século XVI, quando as imponentes forças dos turcos ameaçavam sujeitar quase toda a Europa ao jugo da superstição e da barbárie. Nessa circunstância, o Pontífice São Pio V, depois de estimular os soberanos cristãos à defesa de uma causa que era a causa de todos, dirigiu todo o seu zelo em obter que a poderosíssima Mãe de Deus, invocada por meio do Santo Rosário, viesse em auxílio do povo cristão.

E a resposta foi o maravilhoso espetáculo então oferecido ao Céu e à Terra; espetáculo que empolgou as mentes e os corações de todos! Com efeito, de um lado os fiéis prontos a dar a vida e a derramar o sangue pela incolumidade da Religião e da pátria, junto ao golfo de Corinto esperavam impávidos, o inimigo; e de outro lado, os que estavam sem armas, em piedosa e súplice falange, invocavam a Maria, e com a fórmula do Santo Rosário repetidamente A saudavam, a fim de que assistisse aos combatentes até a vitória.

E Nossa Senhora, movida por aquelas preces, os assistiu: porquanto, havendo a frota dos cristãos travado batalha perto de Lepanto, sem graves perdas dos seus, derrotou e aniquilou os inimigos, e alcançou uma esplêndida vitória. Por este motivo o santo Pontífice, para perpetuar a lembrança da graça obtida, decretou que o dia do aniversário daquela grande batalha fosse considerado festivo em honra da Virgem das Vitórias; festa que depois Gregório XIII consagrou sob o título do Rosário.

 (Da Encíclica Supremi Apostolatus de Leão XIII, de 1º de novembro de 1883).