DITADURA DA MEDIOCRIDADE

A vida mental dos medíocres cifra-se na sensação do imediato — a abastança do dia, a poltrona cômoda, os chinelos e a televisão — não vai além disso o seu pequeno paraíso.

Os medíocres impõem às almas de largos horizontes a ditadura da mediocridade

  • Plinio Corrêa de Oliveira

A mediocridade é o mal dos que, inteiramente absorvidos pelas delícias da preguiça, pela exclusiva deleitação do que está ao alcance da mão, pelo inteiro confinamento no imediato, fazem da estagnação a condição normal de suas existências. Não olham para trás, pois falta-lhes o senso histórico. Nem olham para frente ou para cima, não analisam nem prevêem. Têm preguiça de abstrair, alinhar silogismos, tirar conclusões, arquitetar conjecturas.

A vida mental dos medíocres cifra-se na sensação do imediato — a abastança do dia, a poltrona cômoda, os chinelos e a televisão — não vai além disso o seu pequeno paraíso. Paraíso precário, que procuram proteger com toda espécie de seguros: de vida, de saúde, contra o fogo, contra acidentes etc.

Agradam aos medíocres as veleidades da aventura, a despreocupação ante a iminência do risco, o deslumbramento com miragens. Pelo contrário, fogem aos esforços necessários para atingir os céus da Fé, para os largos horizontes da abstração, para os imensos voos da lógica e da arte, para a grandeza de alma e o heroísmo.

Com os artifícios mediocrizantes do sufrágio universal, os medíocres fizeram tantas leis, tantos regulamentos, instituíram tantas repartições públicas, que tornou-se impossível qualquer fuga das almas superiores para fora dos cubículos dessa mediocridade organizada. Sem mesmo terem a intenção de o fazer, entretanto, os medíocres impõem às almas de largos horizontes a ditadura da mediocridade.

Como todas as ditaduras, também esta só se prolonga quando consegue monopolizar os meios de comunicação social. Consequentemente, cada vez mais as mediocracias vão penetrando nos jornais, revistas, rádio e televisão.

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(Excertos, com ligeiras adaptações, do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira na “Folha de S. Paulo” de 20 de junho de 1981).