Paz não é apenas a cessação de hostilidades

13 de agosto de 1961: o muro e a cerca de arame farpado “reinam” sobre a infeliz Alemanha Oriental. A bota comunista russa sela uma pseudo “paz” para essa pobre nação subjugada.
  • Plinio Corrêa de Oliveira

Aberram lamentavelmente do senso católico os fiéis que supõem atender a um dever de caridade desejando que a paz se restabeleça quanto antes no mundo, mas que entendem por paz uma cessação qualquer das hostilidades, que evite a qualquer preço a carnificina e a efusão de sangue, ainda que por meio de graves injustiças internacionais.

Se a paz com justiça é um bem inestimável, a tranquilidade decorrente da injustiça consumada, e que implique na cessação de qualquer resistência contra os fatores de desagregação da civilização católica, não pode deixar de constituir uma monstruosa catástrofe para o mundo contemporâneo, certamente comparável ao que foi, para a antiguidade romana, a queda do Império do Ocidente.

Não pode haver justiça quando se nega aos povos fracos o direito de existir. Não pode haver justiça quando se afirma que a ordem internacional não deve ser baseada sobre o princípio de igualdade fundamental e natural de todos os povos, mas sobre uma hierarquia anticientífica de raças que, baseada na apreciação de valores acidentais ou imaginários, deseja fazer com que o mundo inteiro viva para o uso e gozo de um ou de poucos povos, supostos privilegiados. Todos estes conceitos implicam em uma violação radical da verdade, e em uma subversão fundamental da justiça, de modo que a paz baseada sobre eles outra coisa não seria senão a apoteose da injustiça.

Mas as injustiças que acabo de me referir não são as mais graves de que o homem é capaz. A violação dos direitos do próximo nunca poderia ser compreendida em toda a sua gravidade se não tivéssemos em mente que ela constitui ao mesmo tempo uma violação dos soberanos e adoráveis direitos de Deus.

Assim, se a paz só deve ser desejada pelos fiéis com a condição de que ela respeite os direitos dos homens, a fortiori deve ela parecer sumamente repugnante a qualquer coração verdadeiramente católico, se tiver por base o repúdio dos direitos de Deus. (“O Legionário”, 5-1-41).