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Como Nossa Senhora autorizou a Irmã Lúcia a escrever a terceira parte do segredo de Fátima

Imagem milagrosa de Nossa Senhora de Fátma que chorou em New Orleans (EUA). É uma das quatro imagens esculpidas em cedro brasileiro, sob orientação da Irmã Lúcia.

Imagem milagrosa de Nossa Senhora de Fátima que chorou em New Orleans (EUA), em 1972. É uma das quatro imagens esculpidas em cedro brasileiro, sob orientação da Irmã Lúcia.

As duas primeiras partes do Segredo de Fátima foram reveladas pela Irmã Lúcia em 1941 e constituem o núcleo do terceiro volume de suas famosas Memórias.

Ao receber do Bispo de Leiria a ordem de escrever tudo que se lembrasse a respeito de Jacinta, em vista de uma nova edição do livro sobre sua prima que o Cônego Galamba de Oliveira queria editar, a Irmã Lúcia declara: “Esta ordem caiu-me no fundo da alma como um raio de luz, dizendo-me que era chegado o momento de revelar as duas primeiras partes do Segredo”. Esta ilação da Irmã Lúcia se explica pelo fato que de tal modo essas duas partes do Segredo impressionaram Jacinta, que seria impossível acrescentar algo sobre sua prima sem mencionar o quanto a vida dela ficou marcada por esses dois elementos constitutivos do Segredo.

Quanto à terceira parte, continuava o interdito de Nossa Senhora de não a tornar pública, e sequer escrevê-la, pois isso exigiria cuidados especiais para não cair no conhecimento de terceiros.

Assim, quando em junho de 1943 a Irmã Lúcia teve de ser internada por causa de uma pleurisia, e o Bispo de Leiria, temendo que ela viesse a falecer levando para o túmulo a terceira parte do Segredo, pediu-lhe que a escrevesse, tal pedido desencadeou uma tormenta espiritual na vidente, que duvidava se devia obedecer à autoridade religiosa sem expressa confirmação de Nossa Senhora.

O relato que a seguir é apresentado descreve pormenorizadamente a perplexidade da vidente, e como esta afinal se desfez com uma visão sobrenatural da Irmã Lúcia tornada pública na obra Um caminho sob o olhar de Maria, editada no final de 2013 pelo Carmelo de Coimbra. Os subtítulos 2 e 3 são da obra em questão. A grafia e a pontuação foram mantidas exatamente como constam na referida obra, às pp. 264–267.

Direção de Catolicismo

Irmã Lúcia com Dom José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, em 1946.

Irmã Lúcia com Dom José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, em 1946.

2. Dificuldade em escrever o segredo

E a ordem de escrever o segredo dada pelo Senhor Bispo? Não estava esquecida. Continuava um peso no seu coração, sempre com a vontade bem firme de obedecer, mas como Nossa Senhora na Anunciação, pede esclarecimentos.

— Apenas as forças mo permitiram, quis escrever o que o Senhor Bispo me tinha ordenado, mas não sei explicar o que em mim se passava, tremia-me a mão e não conseguia formar as letras. Isto pode ter sido causado pela impressão que me fazia o ir escrever uma coisa contra as ordens de Nossa Senhora, embora por obediência. Intentei várias vezes, sem conseguir melhor resultado, o que me causou certa impressão. Escrevi ao Sr. Bispo de Leiria, dizendo o que me acontecia. Sua Ex.cia respondeu, renovando a ordem já dada, em termos talvez mais expressivos, em carta de 16-X-1943. Depois de ter recebido esta carta, quis de novo escrever, mas ainda não o consegui. (O Meu Caminho, I, p. 158).

Em dezembro, escreveu ao Senhor Arcebispo de Valladolid, consultando-o sobre esse problema. Abriu a sua alma atormentada pela dúvida e o desejo de agir com perfeição:

— Esta ordem fez-me estremecer. O bom Deus deu-me ordem de não dizer a ninguém, e o seu representante manda-me que o escreva: uma verdadeira luta se trava no meu interior e eis porque eu desejava, antes que por escrito, pedir conselho e direcção de palavra: quero obedecer e a isso estou resolvida, guiando-me pela fé. Parece-me que é o mesmo Deus que, por meio de seu Ministro, me dá esta ordem, mas uma dúvida permanece no meu espírito, não sei se penso bem e o temor de ir contra uma ordem de Deus me faz depor a pena. Três vezes já que nela peguei com o fim de escrever, não sei o que me passa, ponho-me a tremer e não sou capaz de escrever nada. Temo também já, que a demora na execução desta ordem seja uma falta de obediência. E o bom Deus agora guarda silêncio: parece que sou para Ele uma alma desconhecida: paciência. Ele sabe bem que o meu único desejo é não o desgostar. (Carta de 1 de Dezembro de 1943).

Aconselhada por este Bispo de Valladolid, no dia 19 de dezembro escreveu de novo ao Senhor D. José, confessando a sua importância:

— Ainda não escrevi o que V. Ex.cia me mandou: já o intentei cinco vezes e não fui capaz; não sei o que é, no momento de pousar a pena no papel, põe-se-me a mão a tremer e não sou capaz de escrever letra alguma: parece-me que não é nervoso natural, porque no mesmo instante passo a escrever outra coisa diferente e tenho a mão firme. Medo moral também me parece que não é, porque formei a consciência segundo a fé, crendo que é Deus por meio de V. Ex.cia Rev.ma quem mo manda.

Não sei pois que fazer. Mas na verdade isto causou-me uma tal impressão, que parece que até tenho medo de pegar na pena com esse fim: Mas, quem sabe, será o demônio que me queira impedir este acto de obediência? Mas eu quero obedecer, não quero dar a Nosso Senhor esse desgosto e por isso espero que se Ele o quer me dará a graça algum dia. (Carta de 19 de Dezembro de 1943).

Neste ano, a preparação das festas de Natal e os dias que se lhe seguiram, foram envolvidos por uma espessa nuvem de dúvida, angústia e temor. Diante das suas interrogações e da sua sincera procura da vontade de Deus, havia um pesado silêncio e uma densa noite. Certamente cantou os alegres cânticos de Natal, sendo aos olhos de quem a via, igual como sempre, mas no seu interior, quanta solidão! No mesmo dia de Natal, escreveu uma carta ao seu diretor espiritual, o Senhor Dom António Garcia e Garcia, agradecendo uma carta dele recebida, que lhe trouxe algum conforto:

— Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Arcebispo de Valladolid D. António Garcia y Garcia.

Reconhecida agradeço a carta de V. Ex.cia. Rev.ma.

Com o que V. Ex.cia Rev.ma me dizia fiquei algo mais em paz. Já fiz o que me indicou, isto é, escrever a Sua Ex.cia. Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria, dizendo o que me passa, ainda não tenho resposta, será o que Deus quiser: não intentei escrever mais vez nenhuma que me fez tanta impressão, que parece que até tenho medo de pegar na pena com esse fim.

Peço muito de coração a nosso bom Deus conceda a V. Ex.cia. Rev.ma e a todas as almas que lhe estão confiadas as maiores graças e bênçãos do seu Divino Coração para o novo ano.

Peço se digne abençoar-me.

Ínfima serva de Vossa Excelência Reverendíssima

Maria Lúcia de Jesus R.S.D.

Tuy, 25-12-1943 (Carta de 25 de Dezembro de 1943).

 

3. Nossa Senhora permite que Lúcia escreva o segredo e dá-lhe novas luzes

Irmã Lúcia com Dom José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, em 1946.Mas a ansiada resposta do Senhor Bispo de Leiria tardava a chegar, e ela sentia-se na obrigação de tentar executar a ordem recebida. Embora com repugnância e algum receio de, mais uma vez, não conseguir, o que a deixava deveras perplexa, tentou novamente e não foi capaz! Vejamos como nos narra esse drama:

— Enquanto que esperava a resposta, no dia 3-1-1944, ajoelhei-me junto da cama que, por vezes, me serve de mesa para escrever, e de novo fiz a experiência, sem nada conseguir; o que mais me impressionava, era que no mesmo momento escrevia sem dificuldade qualquer outra coisa. Pedi então a Nossa Senhora que me fizesse conhecer qual era a Vontade de Deus. E dirigi-me para a capela, eram as 4h da tarde, hora a que costumava ir fazer a visita ao Santíssimo, por ser a hora a que ordinariamente está mais só, e não sei porquê, mas gosto de me encontrar a sós com Jesus no Sacrário.

Aí ajoelhei-me no meio, junto ao degrau da mesa da Comunhão e pedi a Jesus que me fizesse conhecer qual era a Sua Vontade. Habituada como estava, a crer que as ordens dos Superiores são a expressão certa da Vontade de Deus, não podia crer que esta o não fosse. E perplexa, meio absorta, sob o peso duma nuvem escura que parecia pairar sobre mim, com o rosto entre as mãos, esperava, sem saber como, uma resposta. Senti então, que uma mão amiga, carinhosa e maternal me toca no ombro, levanto olhar e vejo a querida Mãe do Céu. “Não temas, quis Deus provar a tua obediência, Fé e humildade, está em paz e escreve o que te mandam, não porém o que te é dado entender do seu significado. Depois de escrito, encerra-o num envelope, fecha-o lacra-o e escreve por fora, que só pode ser aberto em 1960, pelo Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa ou pelo Sr. Bispo de Leiria”.

E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N´Ele vi e ouvi, — A ponta da lança como chama que se desprende, toca o eixo da terra — Ela estremece: montanhas, cidades, vilas e aldeias com os seus moradores são sepultados. O mar, os rios e as nuvens saem dos seus limites, transbordam, inundam e arrastam consigo num redemoinho, moradias e gente em número que não se pode contar, é a purificação do mundo pelo pecado em que se mergulha. O ódio, a ambição provocam a guerra destruidora! Depois senti no palpitar acelerado do coração e no meu espírito o eco duma voz suave que dizia: — No tempo, uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica. Na eternidade, o Céu! Esta palavra Céu encheu a minha alma de paz e felicidade, de tal forma que quase sem me dar conta, fiquei repetindo por muito tempo: — O Céu! O Céu! Apenas passou a maior força do sobrenatural, fui escrever e fi-lo sem dificuldade, no dia 3 de Janeiro de 1944, de joelhos apoiada sobre a cama que me serviu de mesa. (O Meu Caminho*, I, p. 158 – 160) [Ao lado, foto do manuscrito reproduzido à p. 269 dessa obra].

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(*) “O Meu Caminho”: assim é intitulado o diário espiritual da vidente, ainda inédito, do qual apenas alguns poucos extratos foram aproveitados na obra Um caminho sob o olhar de Maria, publicada pelo Carmelo de Coimbra.

 

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