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Uma lição da Grécia antiga

Gregório Vivanco Lopes

Estátua de Pirro

Estátua de Pirro

Além de sua filosofia e de suas esculturas, a Grécia antiga nos legou alguns paradigmas notáveis. Um deles tem como referência Pirro, rei de Épiro e da Macedônia, que morreu em 272 antes de Cristo, com apenas 46 anos.

Grande guerreiro, ele ficou famoso por sua oposição a Roma e pelas guerras que empreendeu na península itálica. A mais célebre delas foi a batalha de Ásculo, em 279 a.C., na qual, após esforços ingentes de seu exército, derrotou os romanos comandados por Publius Decius Mus. Nessa vitória, arrancada a ferro e suor, Pirro perdeu 3.500 homens, incluindo vários oficiais.

Quando o parabenizaram por ela, Pirro respondeu: “Mais uma vitória como esta, e estou perdido”. Daí vem a famosa expressão “vitória de Pirro”, para indicar um triunfo alcançado com tantas perdas que, sob certo ponto de vista, equivale a uma derrota.

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Não pretendo fazer aqui uma análise das últimas eleições no Brasil. Nem teria espaço para isso, mas o leitor já percebeu que estou me referindo ao resultado pós-eleitoral. Faço apenas um breve comentário a respeito, sem entrar nos aspectos mais profundos que o tema comporta.

O PT venceu, é verdade, mas com quanto custo! Para utilizar a terminologia dos institutos de pesquisa, foi uma vitória dentro da margem de erro.

E isto apesar de a oposição ter sido muito branda, explorando pouco, ou quase não explorando, os aspectos ideológicos do governo petista. Por exemplo, o favorecimento descabido à Cuba comunista; o decreto instituindo os tais conselhos populares (ou soviets, dá na mesma), descartado há pouco pelos parlamentares; uma política externa assanhadamente anti-norte-americana, mesmo com prejuízos evidentes para o Brasil; um inexplicável morrer de amores pelo governo Chávez e de seu sucessor; e assim por diante.

E já que estamos falando do pós-eleição, é bom lembrar que Maduro, depois de pronunciar um fogoso discurso de regozijo pela vitória petista no Brasil, considerada por ele importantíssima para a manutenção e desenvolvimento do tal “bolivarianismo” na América, mandou para cá um de seus ministros, chamado Elias Jaua, a fim de fazer um acordo com o MST.

Um acordo entre um governo e uma associação de um outro país, a qual ademais atua fora dos parâmetros legais, convenhamos que é inusitado. A menos que Maduro esteja considerando o Brasil mera província de seu Estado totalitário bolivariano.

Qual a finalidade desse acordo? Acelerar a implantação do socialismo (comunismo?) no Brasil, ou seja, segundo declarou o próprio Jaua, “fortalecer o que é essencial para uma revolução socialista, que é treinamento, conscientização e organização do povo para defender o que foi alcançado e avançar na construção de uma sociedade socialista” (“Yahoo Notícias”, 29-10-14).

Logo após a publicação do resultado eleitoral, o PT se saiu com exigências para participar ativamente do governo nos próximos quatro anos, intimando ainda que se faça uma reforma política a seu modo, ou seja, muito pouco democrática.

Isso tudo nos leva de volta à Grécia antiga. Vitória de Pirro ou ampliação e consolidação do socialismo no Brasil, como quer Maduro?

O futuro o dirá. Convém estarmos atentos.

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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 768 (Dezembro/2014)

1 comentário para Uma lição da Grécia antiga

  1. Paulo Barreto Responder

    6 de dezembro de 2014 à 14:53

    Muito bom esse artigo. Devo dizer, entretanto, que todos sabemos a resposta, ou seja, que o que se passa no Brasil é sim a implantação do tal Socialismo do século XXI, ou bolivarianismo.Portanto, concluir que devemos estar atentos é, para dizer o mínimo, uma atitude “tucana”.
    Creio que, cada de nós, ou nos limites de nossas possibilidades ou em conjunto com outros concidadãos, devemos fazer uma oposição de fato, o que inclui pressionar os parlamentares da oposição e, também, os do PMDB que, felizmente, não partilham do ideário comuno-bolivariano do PT. Contudo, quero chamar a atenção para o fato que é e sempre foi a causa de nossa inconstância política: a natureza autoritária da República, que concentra poderes nas mãos de uma só pessoa e, como consequência, propicia autoritarismos (ditaduras de esquerda e de direita) e também a impunidade. Façamos oposição sistemática ao projeto petista, mas, convém também, que meditemos sobre a superação definitiva da origem de nossas aflições políticas.

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