Fatos milagrosos ocorridos na igreja de São José, no Missouri

  • Plinio Maria Solimeo

         A paróquia de São José [foto acima], situada numa discreta rua no centro de São Luís, no estado americano de Missouri, foi fundada pelos jesuítas na década de 1840 para atender à comunidade de imigrantes alemães.

         Ela em nada se distinguia das outras paróquias locais até que um acontecimento inesperado veio transformar sua vida.

         No ano de 1866 uma epidemia de cólera decorrente da contaminação da água dos poços se alastrou por toda a cidade. Apesar de não ser a primeira vez que a cólera atingia São Luís, essa epidemia ficou na história por ter sido particularmente bem mais grave que as anteriores, matando mais de 3.500 pessoas (1 em cada 50 moradores) nos poucos meses que durou. Pois, por ser facilmente transmissível e frequentemente fatal, ela às vezes fulminava uma pessoa em questão de horas.

         Evidentemente também a paróquia de São José foi atingida pela epidemia, de modo que, segundo seus registros, no auge dela chegou a haver na igreja 25 funerais por dia.

         Diante de tal calamidade, o Pe. Joseph Weber S.J., seu pároco e superior, viu que a única solução era apelar para o sobrenatural. Assim, reunindo seus paroquianos, fez uma oração a São José, pedindo sua proteção. E, como que para forçar um pouco o santo a ouvi-los, pároco e paroquianos reforçaram o pedido com o voto de que, se a paróquia sobrevivesse à epidemia sem mais mortes, construiriam um monumento a ele em agradecimento, prometendo destinar para tal US$ 4.000 (o que equivalia a mais de US$ 80.000 hoje).

         O patrocínio do Casto Esposo de Maria não se fez esperar, respondendo pelo que foi considerado por todos como um fato milagroso: desde que o voto foi feito, nenhum dos paroquianos que dele participaram morreu de cólera!

         Finda a epidemia, cumprindo o voto, no ano seguinte foi erigido na igreja então reformada o “Altar das Orações Atendidas” [foto acima]. A imagem de São José tinha ao lado a do Menino Jesus, com as palavras: “Ite ad Joseph” (Ide a José).

Um milagre aprovado pelo Vaticano

         Entretanto, além desses fatos considerados miraculosos, houve um milagre considerado como tal e comprovado canonicamente pelo Vaticano, conforme os registros da igreja São José.

         No ano de 1864, enquanto o operário alemão Ignatius Strecker trabalhava na fábrica de sabão local, a máquina que operava se quebrou e um pedaço de ferro feriu gravemente seu peito. A ferida produzida inflamou e inchou como um tumor, acarretando complicações graves nas semanas seguintes: tosses violentas, febre e sintomas de tuberculose que lhe dificultavam a respiração.

         Tendo que guardar leito, vários médicos consultados não conseguiram ajudá-lo. Após nove meses de tormento sem encontrar alívio, Strecker foi atendido por um médico especialista, que simplesmente lhe declarou que seu caso não tinha cura, e que lhe restavam cerca de duas semanas de vida.

Diante de tão terrível perspectiva, sua aflita esposa resolveu levá-lo à igreja de São José, na qual um padre visitante estava pregando uma missão. Ao ver Strecker, o sacerdote lhe deu uma bênção com uma relíquia de São Pedro Claver, santo espanhol denominado “O Apóstolo dos Negros” [foto da imagem do santo na igreja de São José].

 Nascido na Espanha em junho de 1580, esse santo faleceu na Colômbia em 8 de setembro de 1654, após 40 anos de apostolado em Cartagena de las Indias, principal porto negreiro do país, com os negros vindos da África nas galés nas situações mais desumanas. Pedro Claver se tornou então “escravo dos escravos” para atender às suas necessidades espirituais e sobretudo combater sua promiscuidade quase animal, para conduzi-los ao Céu. Em sua insigne caridade, ele batizou mais de 300 mil negros.

         O efeito da bênção foi instantâneo, como Strecker afirma. Pois, além de lhe dar uma sensação de paz interior, ele começou a se sentir tão melhor que, já no dia seguinte, voltou ao trabalho. Aos poucos os sintomas da doença desapareceram completamente.

         Strecker viveu mais 20 anos completamente curado da lesão que quase lhe tirou a vida.

         Esse milagre foi aprovado pelo Vaticano, concorrendo assim para a canonização de Pedro Claver, efetuada em 1888.

Igreja de São Jose: Decadência e súbita ressurreição

         Como tudo que é humano, aos poucos a igreja de São José, palco de tão grandes eventos no século XIX, ao longo do século XX começou a decair por diversas circunstâncias, sendo a principal delas a falta de fervor dos novos paroquianos. Isso chegou a tal ponto que, depois das controvertidas reformas do Vaticano II, na década de 70 a frequência às Missas de domingo ficou reduzida a umas duas dezenas de pessoas. O que levou a Arquidiocese a considerar a sua demolição.

Em 1979, o padre Edward Filipiak, de 79 anos, que servia como administrador do santuário e vinha fazendo campanha para salvá-lo da demolição, foi assassinado por três adolescentes que invadiram a casa paroquial com o intuito de roubo.

Essa trágica morte abalou muito os paroquianos de São José e como que lhes abriu os olhos, de tal maneira que, por veneração ao padre falecido, resolveram se mobilizar para seguir adiante no seu desejo de preservar sua igreja.

Uma das primeiras medidas foi conseguir que o prédio fosse tombado como patrimônio histórico. E, em 1982, que fosse declarado santuário pelo bispo diocesano.

Contudo, como a igreja necessitava de reformas urgentes, os paroquianos se viram impelidos a se cotizar e a pedir donativos para arcar com as despesas, Tiveram tal sucesso que conseguiram levantar alguns milhões de dólares.

Nos dias de hoje, um grupo sem fim de lucro chamado “Amigos do Santuário de São José” é o encarregado da preservação da igreja. Seus voluntários cuidam da sua manutenção, de arrecadar fundos para as necessidades de reparo que surjam, de receber os visitantes que vêm admirar sua arquitetura ou venerar a relíquia de São Pedro Claver.

Por seu belo interior, o templo de São José começou a ser muito procurado para casamentos, o que ajuda a financiar as muitas despesas operacionais do santuário.

Novo milagre pela intercessão de São Pedro Claver

Como a história do milagre ocorrido em meados do século XIX por intermédio da relíquia de São Pedro Claver se tornou muito conhecida, e também pelo fato de que ainda hoje uma relíquia do santo continua a ser exposta permanentemente no santuário, muitos peregrinos começaram a acorrer de várias partes do país para venerá-la ou para pedir a intercessão de São José a fim de resolver seus problemas particulares. Por isso, mesmo sem ser muito conhecido como outros importantes locais de peregrinação dos Estados Unidos, ele é bastante procurado.

Kevin Finazzo, membro do conselho administrativo da igreja e seu tesoureiro voluntário de longa data, afirmou ao The Pillar que ao longo dos anos tem havido no santuário relatos de curas tidas como milagrosas. Embora não registre números oficiais, Finazzo disse conhecer algumas pessoas que experimentaram curas inexplicáveis ​​depois de rezarem diante da relíquia de São Pedro Claver.

Uma dessas foi a esposa de um amigo seu, diagnosticada com uma doença cardíaca terminal. Depois de ser abençoada com a relíquia, ficou inteiramente curada, para espanto dos médicos.

São José nos nossos dias

Altar principal da Igreja de São José no Missouri

         O santuário celebra ainda hoje o aniversário da cura milagrosa de Inácio Strecker. Na comemoração do 150º. aniversário do milagre, em 2014, quase 100 membros de sua família estiveram presentes, participando depois de um almoço comemorativo. Neste ano de 2026 participaram da comemoração duas dúzias de descendentes.

         Todo os anos, na festa de São José, há uma Missa especial acompanhada de procissão. Depois são distribuídos pães e frutas abençoados.

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