A RENÚNCIA DO CARDEAL MARX

Cardeal Marx, arcebispo de Munique, ex-presidente da Conferência Episcopal Alemã (de 2014 a 2020).

O arcebispo de Munique insiste na “Via Sinodal”, apesar de sua obra destruidora

  • Mathias von Gersdorff

Em sua carta de renúncia dirigida ao Papa Francisco, o Cardeal Marx analisa a situação da Igreja Católica na Alemanha e acha que ela chegou a um beco sem saída.

Isso só é verdadeiro em parte: o projeto progressista de uma igreja nacional igualitária alemã fracassou e chegou a um “ponto morto”!

Portanto, é bastante trágico que o Cardeal Marx enfatize novamente: “Em minha opinião, uma saída desta crise só pode ser através da Via Sinodal”.

Essa afirmação é inimaginável e irresponsável.

A “Via Sinodal” é usada como pretexto para os progressistas mais radicais difundirem suas posições anticatólicas, tais como a exigência da introdução do sacerdócio feminino na Igreja ou das “bênçãos de parcerias homossexuais”.

A “Via Sinodal” já obrigou várias vezes Roma a intervir nos assuntos alemães e reforçou no mundo inteiro a suspeita de que a Igreja Católica na Alemanha se encontra em estado de cisma.

Com espanto pode-se registrar por toda a parte as sucessivas revoltas do movimento progressista alemão contra Roma, o Magistério romano, a Congregação para a Doutrina da Fé etc.

Por que a Igreja Católica na Alemanha não pode levar uma vida normal? Por que os católicos alemães alinhados com o espírito do tempo acreditam obstinadamente que a Igreja universal deva ser deformada de acordo com seus experimentos teológicos obscuros e confusos?

Em vez de finalmente perceberem que a Igreja Católica na Alemanha só tem futuro se aceitar com alegria e de coração aberto a posição tradicional do Magistério, o Cardeal Marx recomenda — antes de deixar o seu cargo — que a Igreja Católica na Alemanha continue no processo de destruição da “Via Sinodal”.

Não é a Igreja que chegou a um beco sem saída, mas o progressismo.

De fato, o que está acontecendo não é novo. A “Via Sinodal” foi concebida desde o início simultaneamente como uma revolução eclesial e um espetáculo midiático, mas fracassou miseravelmente. Durante muito tempo, quase ninguém fora dos círculos católicos se interessou por ela e a mobilização dos fiéis foi mínima.

O progressismo, que hoje se encastela em postos-chave da hierarquia eclesiástica, parece tão obstinadamente apegado a seus objetivos e visões erradas que aparentemente está disposto a arrastar a Igreja inteira à ruína.

E Dom Bätzing, sucessor do Cardeal Marx como presidente da Conferência Episcopal Alemã, ainda não tem dado qualquer sinal de que deseja mudar algo na “Via Sinodal” que leva ao abismo.

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Tradução do original alemão por Renato Murta de Vasconcelos