Deputado protestante pede que sejam autorizados crucifixos em túmulos de veteranos de guerra americanos

  • Plinio Maria Solimeo

Cremos que os Estados Unidos são a nação que mais manifesta verdadeiro culto aos seus veteranos de guerra. Isso os levou a criar um órgão governamental para cuidar de seus interesses, o Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos (DAV).

Esse departamento, de nível ministerial do governo federal, é responsável por fornecer aos veteranos militares aposentados ou que se desligaram das Forças Armadas, bem como a seus dependentes ou sobreviventes, assistência educacional, médica, moradia assistida, empréstimos imobiliários, seguros e serviços funerários e memoriais em 135 cemitérios nacionais. Oferece também indenização a veteranos com deficiência que sofrem de um distúrbio médico ou lesão contraída ou agravada durante o serviço militar e que causa prejuízo social e ocupacional. Muitos estados americanos também oferecem aos veteranos benefícios por invalidez.

         Para isso, o DAV opera um dos maiores sistemas de saúde do mundo, com centenas de hospitais, clínicas e ambulatórios espalhados por todo o país.

         Esse órgão tem em seu sistema de atendimento uma lista detalhada dos feridos de guerra que, como é fácil compreender, são em sua maioria sobreviventes das últimas guerras dos Estados Unidos, isto é, da Coréia, do Vietnã, do Iraque e do Afeganistão. Pois são raríssimos os sobreviventes da Segunda Guerra Mundial.

         Quando falece um desses veteranos, os benefícios que o Departamento lhe oferece incluem sepultamento, lápides, marcadores e, em alguns casos, auxílio financeiros para as despesas fúnebres. A família do falecido pode pleitear que, durante o sepultamento, seja feita uma leitura apropriada por algum dos seus membros ou do clero de sua fé.

         O DAV fornece também lápides ou marcadores padronizados que incluem um “Emblema de Crença” representando a religião ou o sistema de crença do falecido.

Atualmente existem mais de 70 a 98 símbolos aprovados pelo DAV, incluindo várias denominações.

         Entretanto, esses símbolos, que não podem ultrapassar três polegadas de diâmetro, têm que ser gravados na lápide de granito ou mármore, não podendo ter relevo nem cores, exceto o preto. Emblemas sociais, culturais, étnicos ou políticos não são permitidos.

         Embora entre os símbolos permitidos esteja a Cruz Latina para os católicos, isso não satisfaz a todos eles, e muitos querem bem mais do que isso.

Tomando em consideração a norma do DAV segundo a qual se o símbolo desejado pela família não estiver na lista aprovada ela pode solicitar a aprovação de um novo símbolo, desde que siga as normas dadas (isto é, que não ultrapasse três polegadas e seja gravada na lápide), um deputado protestante está pleiteando junto ao DAV que seja aprovado ter como símbolo um crucifixo real com a imagem de Cristo pendente da Cruz.

Aqui entra a parte essencial deste artigo, pois foi o que solicitou um deputado ao Departamento de Assuntos dos Veteranos.

Deputado William Gregory Steube

De ascendência alemã, membro do Partido Republicano, Steube é Bacharel em Artes pela Universidade da Flórida, Doutor em Direito por essa mesma Universidade, capitão do Exército dos Estados Unidos com participação na Guerra do Iraque de 2004 a 2008.

Membro da Câmara dos Deputados pela Flórida desde 2019, Greg Steube, como é conhecido, sendo muito conservador, tem participado ativamente de todas as pautas do seu partido na Câmara. Entre os vários Projetos de Lei que apresentou, citamos apenas a “Lei de Proteção de Mulheres e Meninas no Esporte”, no qual se proibia atletas designados como do sexo masculino ao nascer de participarem de programas esportivos financiados pelo governo federal destinados a mulheres e meninas, especificamente esportes escolares do ensino fundamental e médio e equipes atléticas universitárias. Esse projeto foi criticado porque era um modo de excluir e discriminar os atletas transgêneros de competições esportivas, e embora tenha passando na Câmara dos Deputados, foi vetado no Senado.

 Ora, apesar de não ser católico, porém metodista ou “cristão sem denominação”, Steube está solicitando ao Departamento dos Veteranos que acrescente o Crucifixo à sua lista de símbolos aceitáveis para as lápides dos veteranos nos cemitérios nacionais do país.

Veja-se bem: não é apenas simplesmente uma cruz, mas um Crucifixo completo, quer dizer, a Cruz portando o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado por amor aos homens e para a redenção da Humanidade.

Em carta de 10 de abril dirigida ao secretário Douglas Collins, do Departamento de Assuntos dos Veteranos e ao subsecretário de Assuntos Comemorativos, Samuel Brown, Steube declara:

“Na busca da liberdade religiosa tal como está garantida pela Primeira Emenda de nossa Constituição, instamos ao Departamento de Assuntos dos Veteranos e à Administração Nacional dos Cemitérios, a oferecer o Crucifixo como um emblema de crença elegível para sua inscrição nas lápides dos cemitérios nacionais”.

Isso de maneira a que “os veteranos e seus familiares mais próximos possam escolhê-lo [em lugar dos] quase 100 emblemas diferentes que representam vários sistemas de crenças” e que incluem símbolos de várias denominações cristãs, bem como judeus, muçulmanos e hindus, e que, “enquanto mesmo os ateus, humanistas e wiccanos contam com um emblema de sua crença para escolher para a sua inscrição, os veteranos católicos atualmente não têm a opção de selecionar um crucifixo, [que é] um emblema de sua crença que representa com maior precisão a fé de quase 20% de todos os veteranos”.

Observemos que um deputado católico praticante não poderia ter sido mais incisivo[i].


[i]https://www.aciprensa.com/noticias/124161/congresista-pide-que-se-permita-el-simbolo-del-crucifijo-en-las-lapidas-de-veteranos-en-eeuu?utm_campaign=ACI%20Prensa%20Daily&utm_medium=email&_hsenc=p2ANqtz-9g3gRTAm08Lxqe4zyH2Npc5v76LDl6xJ9fnv1E2i-8uVErb2NFRSlkxgIBx7HWMl_MEWZ2JL9dsSqWUHiLb7EHKmxq3g&_hsmi=414126336&utm_content=414126336&utm_source=hs_email

Artigo de MadalaineElhabbal em Aciprensa, publicado originalmente en EWTN News