
- Gary Isbell
Em 1917, Nossa Senhora chamou em Fátima a Rússia de flagelo, mas também profetizou a sua conversão. Com a atual guerra, vemos que a tentativa de Vladimir Putin dedesmoralizar a Ucrânia tornou-se ironicamente a maior causa de afervoramento dos fiéis da Igreja Greco-Católica Ucraniana.

O Arcebispo-Maior de Kiev, Dom Sviatoslav Shevchuk [foto], observa que a filiação à Igreja aumentou 150% desde a invasão. Parece que, quando os foguetes russos são lançados contra civis inocentes para esmagar a sua esperança, os fiéis não se rendem, mas lotam as igrejas.
“Nossas igrejas estão cheias de pessoas que nunca tinham vindo antes”, declarou o Arcebispo Maior de Kiev-Galícia e Primaz da Igreja Greco-Católica Ucraniana. A resiliência da nação é tão obstinadamente robusta que chega a surpreender o clero.
Quando os diplomatas fugiram, o clero se entrincheirou
Com a invasão russa, em fevereiro de 2022, tudo mudou. As paróquias se transformaram em bunkers, os padres se tornaram capelães e a caridade passou a ser uma questão de sobrevivência diária. Quando as forças russas ameaçaram cercar Kiev em 24 horas, a maioria dos diplomatas fez rapidamente as malas e partiu.
No entanto, o Arcebispo católico Visvaldas Kulbokas, Núncio Apostólico do Vaticano na Ucrânia, decidiu ficar. Juntamente com os embaixadores da Polônia e do Turcomenistão, Dom Kulbokas assistiu ao desenrolar do caos. Ele disse com magistral eufemismo: “Estava claro que a cidade de Kiev poderia em breve ficar totalmente cercada. Mas nós ficamos.”
O exército de um homem

O Arcebispo Kulbokas conta a história de um único soldado ucraniano escondido num abrigo, armado com mísseis Javelin portáteis. Ele saiu do abrigo, destruiu um tanque russo e depois se escondeu. Repetiu a ação quando um segundo tanque apareceu, e depois uma terceira vez. A coluna de tanques russos, convencida de que havia caído em uma enorme armadilha defensiva, interrompeu o avanço e recuou.
“Ainda bem que eu não sabia que havia uma dúzia de tanques ali”, disse o soldado mais tarde. No vasto teatro da guerra, às vezes um pouco de ignorância, combinada com um míssil lançado do ombro, é a vantagem estratégica definitiva.
Esse episódio convenceu Dom Kulbokas de que, em momentos de crise, o heroísmo de uma única pessoa pode mudar o curso da história.
Terapeutas de trincheira e cães de terapia

O impacto psicológico da guerra é inimaginável, e até mesmo a psicologia clínica parece estar perdendo espaço para a espiritualidade. Dom Kulbokas descreve um programa de treinamento destinado a preparar 25 psicólogos para tratar soldados feridos. Após uma sessão, 23 desistiram, decidindo que a realidade sombria simplesmente não era para eles. Após a segunda sessão, os dois últimos foram embora. Que esperança restava aos organizadores das sessões? Somente sacerdotes, monges e cães.
Um capelão militar leva cães para a linha de frente das batalhas. Sua pregação não fala em ferro e fogo. Ele simplesmente prepara os jovens para a realidade pura e aterrorizante do combate. Ele distribui Rosários, ouve confissões e ampara o medo. A fé não apaga o medo magicamente, mas torna o pesadelo suportável. Quanto ao companheiro de quatro patas do capelão, ele não precisa de palavras nem de perguntas perspicazes. O cão chega, se aproxima, e a terapia começa.
O remédio final

Com os capelães atendendo apenas cerca de 60% da demanda desesperada, a realidade da linha de frente continua terrivelmente devastadora. O Núncio Apostólico compartilhou um relato comovente de um médico militar tratando soldados imobilizados pela ameaça de drones russos. Sabendo ser impossível a evacuação, os soldados gravemente feridos recusaram tratamento médico adicional. “Não nos suture; isso não vai mais ajudar”, disseram ao médico. “Melhor dar-nos a absolvição.”
Quando o horizonte mostra a eternidade, os pontos perdem valor terapêutico e a fé se torna a preocupação primordial.
Uma colheita surpreendente
Talvez a ironia mais pungente do conflito seja seu efeito sobre a crença religiosa. Em Kherson, cuja população civil caiu para um quinto do seu tamanho anterior, a frequência às paróquias católicas, de alguma forma, aumentou em 500%. “Em Kherson, não restam mais descrentes”, disse Dom Kulbokas. Mais longe das linhas de frente, os bispos distribuem discretamente os sacramentos, carne enlatada e pão, alimentando tanto os corpos quanto as almas em meio a uma tragédia que uniu radicalmente a população em torno da única fé verdadeira.
A guerra provocou até mesmo conversões surpreendentes. Dom Kulbokas observou que um bispo ortodoxo e dois pastores protestantes se converteram recentemente ao catolicismo. Um pastor protestante foi alertado por um amigo para não ouvir o conselho de um bispo católico que reza o Rosário, por medo de se converter. Ele ouviu uma única homilia e agora está se convertendo à fé católica.
O sorriso de Nossa Senhora

A luta diabólica da Rússia para subjugar a Ucrânia fracassou, especialmente em sua tentativa de erradicar os fiéis católicos. Essa invasão russa pode muito bem se tornar uma nova versão histórica do São Paulo na Estrada de Damasco. Saulo perseguia a Igreja primitiva e foi derrubado de seu cavalo. Ficou cego. As palavras de Nosso Senhor o converteram, transformando-o no grande Apóstolo São Paulo. Da mesma forma, terá a agressiva ambição da Rússia preparado o terreno para sua própria conversão espiritual pelas mãos da Ucrânia, sua vítima?
Nossa Senhora predisse em Fátimaa conversão da Rússia. O fundador da TFP, Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, acreditava que essa conversão histórica viria por meio de um sorriso de Nossa Senhora. Será que os sofrimentos da Ucrânia e sua crescente população católica a transformarão em instrumento para Nossa Senhora trazer a Rússia de volta à fé católica? Se assim for, a Ucrânia terá transformado o próprio flagelo do Ocidente em um novo São Paulo: um novo campeão da Igreja.