O povão deixou de comer carne? Verdade ou fake?

  • Hélio Brambilla

Ouvimos a todo momento na mídia falada ou lemos nos jornais ou nas redes sociais que se mudarem o presidente o povo voltará a comer carne! Verdade ou mentira? Vamos aos dados disponíveis e comprovados para tirar a limpo. 

Tanto o boletim da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP, 14/03/2021, pág. 28) quanto a conceituada Revista DBO (Anuário DBO, 2022, pág. 44 e 47) são unânimes em reconhecer que houve um decréscimo de consumo de carne bovina de 2019 para 2020 e de 2020 para 2021 — anos estes, cumpre dizê-lo, de pandemia-plena de Covid.

Com efeito, ambas as publicações apontam para a diminuição do consumo pontualmente: FAEP – 2019 – Consumo de 30 kg de carne bovina por hab./ ano; 2020 – consumo 27,9 kg de carne bovina por hab./ por ano.

Já o Anuário DBO – 2022 aponta uma queda ligeiramente diferente. Em 2019 houve consumo de 37 kg por habitante; em 2020 de 35 kg por habitante; e em 2021, 32 kg de carne bovina por habitante.

Os números da DBO — não desmerecendo os da FAEP — são da Scott Consultoria, a mais confiável nessa matéria, que por sua vez se ancorou nos dados do IBGE e do USDA, números, portanto, bastante seguros. A média das duas fontes foi de dois a três quilos menor, mas o que certa mídia e certos canais da internet fazem questão de omitir é que houve migração dos consumidores para outras proteínas.

Atentem os leitores para o fato de que em 2020 o consumo de carne suína foi de 13,8 kg por habitante/ano. Já em 2021 subiu para 14,1 quilos. Quanto ao consumo de carne de frango, em 2020, ele foi de 47 kg por habitante/ano e em 2021 subiu para 48 kg por habitante/ano.

Praticamente a compensação acabou estabelecendo uma paridade no consumo total. Se apontarmos o consumo de outras proteínas como ovos, de um ano para o outro passou da média de 251 ovos consumidos por habitante/ano para mais de 260. No item das massas, também houve um acréscimo no consumo de mais de 4% de 2020 para 2021.

Os franceses costumam dizer que a verdade está nos matizes. Portanto, é preciso que certa mídia capciosa comece a observar que os dados de 2022 já apontam o mesmo consumo da carne de frango, ou seja, 48 kg por habitante, enquanto o consumo da carne suína subiu para 17,3 kg. É bem verdade que tais dados são referentes aos três primeiros meses do ano, mas não deixa de ser uma baliza, por sinal boa, para o corrente ano. 

Longe de nós dizer que os preços não subiram. Como efeito da inflação registrada, mais a alta dos combustíveis, tudo está mais caro. O sinal da inflação é corriqueiro e, portanto, ao alcance de todos. Quando se vai ao supermercado com o mesmo dinheiro, e se volta com a mesma sacola cada vez menos cheia…

Não estamos aqui querendo defender a, b ou c, mas a verdade como ela se apresenta hoje. Certas mídias catastrofistas não dizem que passamos por uma pandemia mais terrível no papel e nas telinhas do que real, quando prevalecia o jargão “fique em casa”, propalado 24 horas por dia por essa mesma mídia.

Os únicos que desdenharam tal jargão foram os produtores rurais que, pelo fato de “ficarem sempre na roça”, não pararam de trabalhar para alimentar o Brasil e mais de 1(um) bilhão de pessoas em cerca de 200 países, sempre secundados pelos valentes caminhoneiros que também não pararam de transportar o que era produzido.

O resultado foi que o agronegócio exportou mais de 120 bilhões de dólares, tendo gerado mais de 1 trilhão e 300 milhões de valor bruto de produção, graças a Deus, ou seja, riquezas que não deixaram parar a máquina econômica do País.

Apesar da pandemia da Covid — e agora dos efeitos da guerra da Rússia/Ucrânia, que fizeram inflacionar os preços dos produtos em âmbito mundial —, o  nosso bom povo acabou se ajeitando, e, com a compreensão de todos, o Brasil não se transformou na tristemente famosa Biafra cuja população, anos atrás, passou muita fome em decorrência de guerras. 

Também não somos nenhuma Venezuela, que se come até cachorro. Não é hot-dog não! E nem Cuba, onde há poucos dias o Sr. Luciano Hang, dono das Lojas Havan contratou 10 ou 15 cubanos e venezuelanos para trabalharem e muitos deles vão mandar parte do dinheiro para sustentar seus familiares que lá ficaram.

Na live, o Sr. Hang conversa e faz pergunta a todos. Ao cubano, indaga sobre a carne de boi em Cuba. Resposta: Desconhecida.

Pergunta do Sr. Hang:- Se alguém mata um boi escondido, o que acontece? Resposta do cubano: A polícia vai atrás e a pessoa é punida com 19 anos de prisão.

Hang comentou: Porque embora seja uma contravenção, não é raro em fazendas mais longe da cidade aqui no Brasil, as pessoas fazem o abate clandestino de uma cabeça de gado e o guarda congelado para consumir aos poucos. Que fique claro que não é crime. Apenas é punido pelos riscos sanitários que envolvem o abate clandestino. O dono do gado, pode matar o rebanho inteiro se quiser, para comer ou vender o excedente para outras pessoas, desde que o abate seja feito dentro das normas sanitárias legais. Mas é apenas uma contravenção. Ele não é criminalizado porque matou o boi. 

Se formos analisar o quadro mundial da inflação, estamos num patamar até confortável de 8,2%/ano. Se olharmos para a nossa vizinha Argentina, constatamos que sua inflação está 50% mais alta; na Rússia, pivô da guerra, ela atingiu 21,3%; na Turquia, 60.6%; na Venezuela socialista, 284%!!! E last, but not least, nos Estados Unidos alcançou 8,5%… 

O petróleo, sem o qual nada se faz em nossos dias, subiu de US$60 para mais de 100 dólares o barril. Por sua vez, a Petrobrás, que se diz propriedade do povo, teve um lucro de 40 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2022. Parece que o petróleo não é tão nosso, como se propalou outrora… Basta lembrar o rombo que o PT fez na estatal, por cujos efeitos estamos pagando caro.

Queiram Deus e sua Mãe Santíssima, sob a invocação de Nossa Senhora Aparecida, ter piedade do Brasil, acudindo-o nesta emergência, quando ele completa 200 anos como nação independente.