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11 de março de 2015 — 25 anos da Independência da Lituânia

Algirdas Patackas (*)

Manifestação da TFP brasileira na Praça Ramos de Azevedo (capital paulista), durante desfile de encerramento da campanha em prol da libertação da Lituânia do jugo soviético

Manifestação da TFP brasileira na Praça Ramos de Azevedo (capital paulista), durante desfile de encerramento da campanha em prol da libertação da Lituânia do jugo soviético

A Lituânia chega ao aniversário da proclamação de sua Independência com uma dívida moral. Sim, comemoramos os 25 anos da “Cadeia Báltica”,(**) que tornou célebre no mundo a causa da liberdade lituana.

Mas o que sabemos a respeito desse acontecimento que até custou vítimas, e difundiu mais amplamente a notícia da luta da Lituânia não só na Europa, mas também em outras partes, até mesmo entre pessoas que nem sequer tinham ideia de onde ficava a Lituânia, a qual ficou negligentemente deixada para trás?

Tanques russos esmagam cidadãos lituanos em Vilnius, em janeiro de 1991

Tanques russos esmagam cidadãos lituanos em Vilnius, em janeiro de 1991

Lembremo-nos da União Soviética fazendo pressão pela revogação do ato de restauração da independência e a falta de apoio dos políticos do Ocidente, muitos até apoiando tranquilamente uma moratória.

O esperado e efetivo apoio, ao qual até agora não se deu o devido valor, veio da organização tradicionalista católica Tradição, Família e Propriedade, existente prioritariamente nos países de língua portuguesa e espanhola, fundada no Brasil em 1960 pelo filósofo Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995) e inspirada em sua obra Revolução e Contra-Revolução, lançada em 1959 e que se tornou o livro básico na TFP.

O signatário do ato de Independência, deputado Antanas Racas (1940-2014), empenhou-se na publicação desse livro em lituano, e coube a mim escrever o prefácio.

A tiragem infelizmente foi pequena, ele não se encontra nas livrarias e bibliotecas, e entretanto é uma honra que esse livro, traduzido para as principais línguas do mundo, tenha sido lançado também na Lituânia

A TFP americana, juntamente com as TFPs de mais 26 outros países, coletou em quatro meses mais de seis milhões de assinaturas!!! pela libertação da Lituânia, das quais 5.212.580 foram consideradas válidas.

Essa campanha de coleta de assinaturas entrou para a edição de 1993 do Guinness Book of Records como o maior abaixo assinado desse gênero da História da humanidade.

Lituania DelegacaoUma delegação da TFP [foto], composta por representantes de diversas nações liderados pelo Dr. Caio Xavier da Silveira, visitou a Lituânia e entregou as assinaturas ao presidente Vytautas Landsbergis, bem como se reuniu com o Parlamento lituano.

Isso incentivou a decisão da Lituânia de continuar lutando, e convenceu os políticos ocidentais de que as pessoas comuns do mundo apoiavam as aspirações da Lituânia à liberdade. Cópias das assinaturas da petição foram então entregues pessoalmente no escritório de Gorbachev.

É bom lembrar que a Lituânia tem cerca de três milhões de habitantes. É um caso sem precedentes na História, uma vez que provavelmente nem todos os que assinaram sabiam bem onde ficava a Lituânia.

Delegação das TFPs diante da Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha (Moscou, em 6-12-90), após entregar no escritório de Gorbachev carta expondo a Campanha a favor da Lituânia

Delegação das TFPs diante da Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha (Moscou, em 6-12-90), após entregar no escritório de Gorbachev carta expondo a Campanha a favor da Lituânia

O que os unia à longínqua Lituânia? Certamente a Fé católica. Muitos sabiam ou tomaram conhecimento, através dos coletores de assinaturas, da luta dos lituanos contra o regime ateu, das vítimas que morreram em nome de Cristo, em nome da Fé, da resistência organizada pela Igreja Católica lituana, dos sacerdotes e leigos exilados ou mortos nas geleiras da Sibéria, bem como da publicação clandestina da “Crônica da Igreja Católica Lituana”.

Durante essa grande campanha houve também vítimas, em meio à coleta de assinaturas. Em setembro de 1990 faleceram em acidente de carro dois membros da TFP: Frederick V. Porfilio (nascido em 28-09-1939), uma figura marcante e popular na TFP, conhecido como “Mr. Fred”.

Como diziam seus amigos, era um homem com muitos talentos, que trabalhou em várias profissões. Foi motorista de táxi, carpinteiro, pára-quedista do Exército, barman. Tinha também dotes humanitários.

O fato de ele ter escolhido a TFP e abraçado com perseverança seus ideais, é um sinal claro de que

Uma das diversas faixas utilizadas na campanha da TFP brasileira: "A garra do imperialismo soviético quer privar da independência a Lituânia que se auto intitula 'Terra de Maria'. Brasileiros protestai subscrevendo o grande abaixo assinado promovido pela TFP em 20 nações.

Uma das diversas faixas utilizadas na campanha da TFP brasileira: “A garra do imperialismo soviético quer privar da independência a Lituânia que se auto intitula ‘Terra de Maria’. Brasileiros protestai subscrevendo o grande abaixo assinado promovido pela TFP em 20 nações.

a Providência tinha um plano para ele, de que um dia viria a se dedicar na luta abnegada pela defesa da Civilização Cristã. Quando ele conheceu os ideais da TFP em 1975, já tinha se dado conta do vazio das coisas que o mundo pode oferecer.

Deus chamou a Si também o jovem membro da caravana de coleta de assinaturas Daryl Huang, de 18 anos, que era filho de imigrantes chineses.

Isso coincide com os 25 anos da morte dos dois caravanistas. A Lituânia deve se lembrar e prestar homenagem a essas duas almas valentes que, segundo o fundador TFP, Plinio Corrêa de Oliveira, foram “dois lírios que a Santíssima Virgem colheu no jardim da TFP americana”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algirdas Patackas(*) Deputado no Parlamento lituano, Algirdas Patackas é signatário do Ato de Independência de 11 de março. Este texto foi escrito em conjunto com Jadviga Račienė, viúva do ex-deputado Antanas Račas, signatário da Independência.

 

 

 

 

 

 

 

________________________

(**) “Cadeia Báltica” (foto abaixo): evento ocorrido em 23 de Agosto de 1989 nos três países bálticos (Lituânia, Estónia, Letônia) – à data, ainda repúblicas soviéticas – quando aproximadamente dois milhões de pessoas deram as mãos para formar uma cadeia humana de mais de 600 km de comprimento, cruzando as três repúblicas bálticas e passando pelas três capitais (Vilnius, Tallinn e Riga, respectivamente). Esta original manifestação foi organizada para chamar a atenção da opinião pública mundial sobre o destino comum que tinham sofrido as três repúblicas. De fato, celebrou-se coincidindo com o cinquentenário da assinatura do acordo secreto conhecido como Pacto Molotov-Ribbentrop, pelo qual a União Soviética e a Alemanha Nazi dividiram esferas de influência na Europa de Leste, e que levou à ocupação por parte dos soviéticos dos três estados. Este pacto só foi admitido pelas autoridades soviéticas uma semana antes da realização da Cadeia Báltica. O protesto foi pacífico.

Lituania

2 comentários para 11 de março de 2015 — 25 anos da Independência da Lituânia

  1. Lang Responder

    11 de março de 2015 à 6:19

    Bom tomar conhecimento de um fato, de um certo modo recente que muitos, assim como eu, desconhecia.

  2. Hector Arzubialde Responder

    11 de março de 2015 à 19:33

    Lituania tierra de María, donde los tanques soviéticos no pudieron aplastar la Fe católica de todo un pueblo, demostrando al mundo entero que la victoria final depende de Dios y no de los hombres.

    Pidamos a Nuestra Señora de Fátima que en los días actuales no permita que el comunismo se a reinstaurado por la acción o la omisión de las potencias occidentales.

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