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Aquele meu Brasil

Profetas do Aleijadinho, em Congonhas do Campo [Foto: L.G. Arroyave]

Guilherme Félix de Sousa Martins

É possível sentir saudade de uma época na qual não se viveu?

Talvez os especialistas se aferrem à resposta negativa, mas certo mal-estar que por vezes tem me assaltado pode muito bem ser decorrente de saudade como essa. Devo esclarecer que não se trata de um mal-estar qualquer, é de fato um grande mal-estar. E não é só meu, como já tive oportunidade de comprovar fartamente, embora eu talvez possa considerar-me um dos poucos que ousa desabafar. Compartilho o problema com uma vasta multidão contaminada por verdadeira saudade epidêmica. Uma epidemia salutar — perdoe-me mais este paradoxo.

A grande mídia não pôde ignorar um brado constante nas manifestações multitudinárias de anos recentes: Quero o meu Brasil de volta! [foto abaixo] A voz altissonante de uma numerosa ala jovem se incorporava a esse coro efusivo, em protesto contra um estado de coisas esclerosado, indesejável, incômodo. No entanto, é bem verdade que a grande maioria desses jovens viveu boa parte da vida nesse estado de coisas. Põe-se então a pergunta: Querem a volta de qual Brasil, se não viveram em outro?

Que Brasil é esse que tanta falta lhes faz? Seria o Brasil dos governos imediatamente anteriores à vitória eleitoral da seita vermelha, cujos tentáculos o estrangularam até impor o desastre quase completo? Não, não pode ser aquele Brasil tão próximo do atual, pois durante esse período a hidra esquerdista parecia controlada, mas nas profundidades já caminhara e se estabelecera em grande medida.* Não apenas lhe haviam sido abertos os caminhos da política, mas em profundidade os valores tão caros aos brasileiros autênticos foram sendo persistentemente cerceados e vitimados por um constrangimento constante e avassalador.

Permita-me voltar ao meu desabafo. Por mais que me inspire grande esperança, o rumo novo que vem tomando o País (em boa medida, algo semelhante ocorre em todo o Ocidente) não tem o condão de me tranquilizar. Transformações políticas são um bom começo; mas o caminho é longo, e os males a debelar são de origem muito profunda.

Meu Brasil — o mesmo Brasil que a imensa maioria dos bons brasileiros deseja — não é o do tecnicismo sem barreiras, despreocupado da dignidade do próprio homem e destruidor de seus sentimentos. Também não é o império da extravagância, nem o da imitação de modas alienígenas. Não é de tais “libertações” que necessito. Meu Brasil não combina também com o gozo debochado, nem com orgias ostentadoras da luxúria, aliada agora ao satanismo.

De tanto desabafar, parece-me que vou conseguindo explicitar as causas da minha saudade nostálgica. Não sinto falta de planos econômicos bem-sucedidos, de sistemas de educação ou saúde eficientes. Necessito de segurança, é claro, mas não essa de cuja falta tanto se fala. Refiro-me à segurança trazida pela solidez das instituições, pelas relações humanas bem estabelecidas, pelo alto padrão da formação psicológica. O pressuposto óbvio, o elemento fundamental de tudo disso é a Fé — sim, com letra maiúscula, na sua integridade, sem respeito humano. Refiro-me a essa Fé que nos vem sendo roubada – por vezes até dentro do templo sagrado, dói dizê-lo – por aqueles que deveriam ser seus próprios guardiães. Única Fé capaz de moldar ou refundar toda uma civilização.

Civilização cristã! Palavras sonoras, fecundas, benditas. Só a conheço pelo estudo atento da História, mas inegavelmente é disso que sinto saudades… Um passado não vivido por mim, mas que renascerá ainda mais belo no Brasil do Imaculado Coraçãode Maria, depois do seu triunfo! O Brasil da Senhora Aparecida. O Brasil Terra de Santa Cruz!

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* Cf. Manifesto O Brasil em Histórica Encruzilhada, de 29 de março de 2016. Disponível em: https://ipco.org.br/wp-content/uploads/2016/03/IPCO-O-Brasil-em-hist%C3%B3rica-encruzilhada.pdf

1 comentário para Aquele meu Brasil

  1. Luiz Guilherme Winther de Castro Responder

    14 de junho de 2019 à 13:31

    Muito bom o texto, belíssimo.
    Só não entendi o final da frase: O pressuposto óbvio, o elemento fundamental de tudo disso é a Fé — sim, com letra maiúscula, na sua integridade, sem respeito humano.
    Sem respeito humano?
    Estaria o autor se referindo aos guardiães da Fé, que não respeitam os fiéis?

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