BALANÇO DE SAFRA 2025

Produção agrícola, soberania e cerco ideológico

  • Hélio Brambilla

Apesar de ventos contrários do lado governamental, nossos produtores rurais empreenderam e produziram 350.000.000 (trezentos e cinquenta milhões) de toneladas de grãos, no ano passado, sem contar os demais produtos. Com isso o Brasil vem se impondo como celeiro e supermercado do mundo.

Celeiro, pois produz em grande escala alimentos sem processamento. Supermercado, porque hoje está vincado o grande avanço desses últimos anos do setor de alimentos processados, que passam a ser exportados para o mundo inteiro. Esse avanço não ocorre sem gerar emulação em praticamente todos os outros setores da economia. E não se restringe a isso.

Entretanto, há pessoas com ideias eivadas de matriz ideológica bem definida, que Plinio Corrêa de Oliveira qualificou de tribalistas — ecologistas ideológicos — que visam transformar toda a sociedade numa vida tribal, nivelada, no mesmo molde dos sistemas de produção dos indígenas, que ainda não abraçaram (ou são forçados a não abraçar) as novas tecnologias postas a serviço da produção em escala de alimentos.

No manifesto Comunismo e anticomunismo na orla da última década deste milênio, publicado pela TFP em março de 1990, o Prof. Plinio afirmou que, caso o Brasil se tivesse tornado comunista nos anos de 1960, durante o governo de João Goulart, o comunismo teria conquistado grande trunfo para a conquista do mundo, pois aqui o sistema comunista encontraria meios de subsistência suficientes para se sustentar durante muitos anos.

Em consequência, não teria sido necessário criar esse arremedo de capitalismo hoje existente na China, que lhe permite adquirir grande parte do que o Brasil produz. Caso o Brasil tivesse caído em tamanha desgraça naquela época, com certeza os chineses usufruiriam das mesmas benesses sem despesas, pois tudo seria ‘comunistizado’.

Dados indicam que há mundo afora cerca de quatrocentos milhões de consumidores (número equivalente a duas vezes a população brasileira) entrando nesse patamar de clientes potenciais. Isso gerará uma demanda alimentar muito grande, e até mesmo desproporcional em relação aos padrões históricos do mundo civilizado.

Os resultados da COP30 deixaram um sabor amargo nos seus promotores

Negócio da China

Quando Nixon foi à China em 1972, e promoveu a grande abertura econômica interrompida havia muitos anos, aquele país comunista era uma economia muito menor que a brasileira, com PIB bastante acanhado. Nixon acreditou ter feito uma jogada de mestre ao transferir indústrias para lá.

A inserção da China no mercado internacional nunca esteve dissociada de um projeto hegemônico nos moldes do que foram Inglaterra, França e Estados Unidos em seus respectivos momentos históricos. Diferentemente das navegações portuguesas e espanholas, que tinham finalidade comercial e também a expansão da fé católica, sem eliminar as características próprias dos povos locais, o processo chinês foi de outra natureza.

O intercâmbio histórico entre Ocidente e Oriente nunca havia apresentado qualquer semelhança com uma república universal, como vem acontecendo agora com a criação de uma verdadeira tenaz revolucionária (com a cumplicidade de uma burguesia ocidental suicida), pela qual os governos passaram a adotar tonalidades socializantes, aumentando cargas fiscais e sufocando suas economias produtivas; e com isso abrindo ainda mais espaço para a China.

O capitalismo tem sua lógica, que se torna perversa quando estimulado por políticas internas equivocadas.

COP30 — fracasso e vergonha

Voltando à produção brasileira, hoje somos praticamente invictos na produção de muitos alimentos. Lideramos ou ocupamos posições de destaque em inúmeros produtos agrícolas, com uma variedade impressionante, cujos dados são amplamente conhecidos e disponíveis. Diante desse sucesso produtivo, entrou em cena a COP30, exaltada por ambientalistas de esquerda como um grande evento transformador da agenda ambiental mundial.

Durante esse evento na cidade de Belém do Pará, falou-se em fundos de 100 bilhões de dólares para preservação ambiental; depois passou-se a trezentos bilhões; e chegou-se até três trilhões. Valores completamente irreais, diante da crise econômica global, pulverizados ainda por terem os Estados Unidos se retirado desses compromissos, nos quais arcavam com quase tudo, e os demais países com promessas que não se cumpriam.

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e o movimento Paz no Campo pugnaram mais uma vez para esclarecer a opinião pública brasileira sobre a real intenção dessas reuniões. Na Feira de Londrina (PR), no ano passado, foi lançado um comunicado denunciando a COP30 como um verdadeiro Titanic,que afundava antes mesmo de levantar âncora.

Ademais, milhares de impressos versando sobre o tema foram distribuídos no Vale do Paranapanema, na Agrishow de Ribeirão Preto, na ExpoZebu de Uberaba, além de ampla divulgação pela internet e por revistas especializadas.

Esse documento não foi elaborado com dados fabricados, mas lastreado em estudos de cientistas como os professores Evaristo de Miranda, Luís Carlos Molion e Ricardo Felício, com argumentos contundentes sobre o aquecimento global e o desempenho da agricultura brasileira, uma das mais competitivas e preservacionistas do mundo.

A reunião não fez senão confirmar o que já havia sido previsto: a COP30 foi um fracasso retumbante. Basta comparar com a Eco-92 e a Rio+20, que reuniram mais de 100 chefes de Estado. Na COP30 compareceram pouco mais de 20, muitos deles apenas de passagem. Se a isso somarmos os episódios ridículos ocorridos no local durante as reuniões, e as críticas havidas aqui, lá e acolá, representou uma vergonha para seus promotores.

Agronegócio perseguido pelo governo PT

O governo brasileiro havia anunciado aportes bilionários para os tais fundos ambientais, mas esses valores são ínfimos diante das legítimas necessidades da nossa imensa Amazônia. Lá se acham os maiores bolsões de pobreza do País, com um serviço de saúde mais do que precário, sem segurança alguma, sem comunicação e com o narcotráfico avançando a cada dia. O apoio real ao homem da Amazônia continua, pois, ausente.

O Brasil estará no rumo certo se apoiar sua agricultura. É preciso parar já com essa incompreensível perseguição ao produtor rural, marcada por altas cargas tributárias, multas ambientais escorchantes, acusações generalizadas — verdadeiras espadas de Dâmocles sobre a cabeça dos nossos proprietários rurais. Quando houver crime, que seja punido, mas não se pode aceitar a demonização sistemática do agronegócio.

Paralelamente ao trabalho do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e de Paz no Campo em relação à denúncia da COP30, houve também a divulgação da décima edição do livro Psicose Ambientalista, do Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, cujo prefácio atualiza as referências à COP30 e suas falácias. De julho para cá foram divulgados em torno de 3.500 exemplares dessa recente edição, o que demonstra a atualidade e a receptividade do tema.

A soberania brasileira sobre as vastidões amazônicas, bem como a de outros países vizinhos, foi amplamente tratada na COP30. Nesse contexto foi lançado o momentoso estudo A soberania necessária [foto acima], do professor italiano Roberto de Mattei, um verdadeiro tratado universitário sobre o assunto. A edição brasileira, que conta com denso prefácio de Dom Bertrand, foi lançada às vésperas da COP30 e já se encontra com a metade da tiragem esgotada. Nesse clima de incertezas no qual vivemos, nunca é demais defender a nossa soberania.

Queira Nossa Senhora Aparecida abençoar os nossos produtores rurais, a fim de que o Brasil possa cumprir a missão histórica que a Providência lhe reservou.