
Se quisermos conhecer as origens primeiras do quadro da Mãe do Perpétuo Socorro ou de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, precisamos remontar aos primórdios do Cristianismo. Consta, por uma tradição oriental, que são Lucas, evangelista, era não só médico e perito conhecedor das letras, mas também pintor. Assim, teria ele pintado –– quando ainda vivia a Santíssima Virgem –– pelo menos uma imagem da Mãe de Deus levando em seus braços o Menino Jesus. Nossa Senhora, tendo visto o ícone, teria dito: “A minha graça o acompanhará”.
Com o correr dos séculos, foram sendo feitas cópias desta imagem, com pequenas variações, conforme a piedade e o gênio dos artistas.
Ao contemplarmos o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, verifica-se que o artista a concebeu com algumas e, aliás muito felizes modificações em relação ao mencionado ícone primitivo: a cabeça da Virgem está inclinada para seu divino Filho, com uma fisionomia régia, suave e profundamente triste. O Menino Jesus volta-se para o lado, onde contempla atenta e seriamente algo que Lhe atrai a atenção. Ele parece ver em espírito os futuros sofrimentos de sua vida, simbolizados nos instrumentos da Paixão levados por São Miguel e São Gabriel Suas mãozinhas apertam a mão direita da Mãe como a pedir proteção; e, pormenor tocante, com o seu movimento a sandália do pé direito se desamarra.
Como chegou até nós o milagrooso quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro? Era ele venerado em uma igreja da ilha de Creta, onde operava estupendos milagres. Mas foi roubado por um rico negociante, que o levou para Roma onde pretendia, talvez, vendê-lo por bom preço.
Mal havia o navio levantado ferros, desencadeou-se horrível tempestade que ameaçava submergi-lo. Os tripulantes, no auge do desespero –– nem de longe suspeitando qual a preciosa carga que estava em risco de perder-se fizeram promessas a Deus e à Santíssima Virgem, e foram atendidos, pois a tempestade dissipou-se, e dias depois o barco entrava num porto da Itália.
Após a morte do ladrão sacrílego, que felizmente morreu arrependido, a própria Virgem Maria, por uma série de aparições em sonhos a diversas pessoas, manifestou o desejo de ser venerada na igreja de São Mateus, em Roma.
Não tendo sido satisfeito o seu desejo, Nossa Senhora apareceu a uma menina de seis anos, filha da mulher que mantinha em seu poder o quadro, e disse-lhe: “Dize a tua mãe e a teu avô que a Santa Maria do Perpétuo Socorro vos admoesta que a leveis de vossa casa para uma igreja, senão morrereis dentro em pouco”.
A referida mulher atendeu à ordem comunicada por Nossa Senhora e levou o quadro à igreja de São Mateus, dos padres agostinianos, onde foi solenemente entronizado no dia 27 de março de 1499. Durante três séculos a milagrosa imagem fez desta igreja um centro glorioso de devoção, de peregrinações e de graças maravilhosas.
No ano de 1798, Roma foi invadida pelos revolucionários franceses que destruíram a igreja de São Mateus. Os religiosos, guardiães da imagem, foram dispersos, levando-a consigo. Mas, em meados do século XIX, Pio IX chamou para a Cidade Eterna os Redentoristas, que se estabeleceram no lugar da antiga igreja de São Mateus, os quais acabaram por descobrir a milagrosa imagem. Foi então esta, por ordem do Papa, reconduzida, num cortejo triunfal ao seu trono, na igreja de Santo Afonso [foto], edificada no lugar da antiga igreja de São Mateus. A 23 de junho do ano seguinte, foi a imagem solenemente coroada ao troar dos canhões e ao repicar dos sinos das velhas basílicas, que anunciavam à Cidade Eterna o novo triunfo da Mãe de Deus.
* Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é a padroeira principal da prelazia de Cristalândia (Goiás), onde se comemora sua festa a 30 de julho.
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Bibliografia
1. Dr. Clemente M. Henze C.SS.R, Mater de Perpetuo Succursu,, Typis A. de Bièvre, Brasschaat, Bonn, 1926.
2. Edésia Aducci, Maria e seus gloriosos títulos, Editora “Lar Católico”, Florianópolis, 1958,