Santa Maria Madalena, Penitente

“Porque muito amou, muito lhe foi perdoado”. Acompanhou o Divino Mestre até a Cruz e foi a primeira a ter notícia da Ressurreição. Antiga tradição diz que morreu no sul da França.Sua memória litúrgica é celebrada em 22 de julho.

E um dos fariseus rogava-Lhe que fosse comer com ele. E, tendo entrado Jesus na casa do fariseu, sentou-se à mesa. E eis que uma mulher, que era pecadora na cidade, quando soube que Ele estava à mesa do fariseu, levou um vaso de alabastro cheio de bálsamo. E, estando a seus pés por detrás dele, começou a banha-lhe os pés com lágrimas, e os enxugava com os cabelos de sua cabeça e os beijava, e os ungia com bálsamo. Ora, vendo isso, o fariseu que o tinha convidado disse consigo: Se esse fosse profeta, com certeza saberia quem  e qual é a mulher que o toca, e que é pecador. Jesus (porém) disse à mulher. A tua fé te salvou; vai em paz.

Comentários compilados por Santo Tomás de Aquino na “Catena Áurea”

São Gregório Nazianzeno — Como esta mulher conhecia as manchas de sua má vida, correu a lavá-las na fonte da misericórdia, sem envergonhar-se de que estavam presentes os convidados: pois como se envergonhava muito interiormente, julgou como se fosse nada o rubor exterior.

São Gregório de Nissa — Dando a conhecer quanta era sua indignidade, estava por detrás ocultando-se das luzes e abraçando os pés que cobria com seus cabelos, regava-os por sua vez com suas lágrimas, manifestando assim a tristeza de sua alma, e implorando o perdão.

São Gregório Nazianzeno — Com os olhos havia apetecido as coisas da Terra, mas agora chorava com os mesmos em sinal de penitência; com seus cabelos, que antes havia adornado para engalanar seu rosto, agora enxugava as lágrimas, pelo que segue: ‘E enxugava com os cabelos de sua cabeça’. Com a boca havia falado palavras de vaidade; mas agora, beijando os pés do Senhor, consagra seus lábios a beijá-los. Tudo o que havia tido para sua própria complacência, agora o oferece em holocausto. Todos os seus crimes os converteu em outras tantas virtudes, para consagrar-se exclusivamente ao Senhor por meio da penitência, tanto como se havia separado d’Ele pela culpa.

São João Crisóstomo — Assim como depois do rude inverno, aparece a calma da primavera, assim depois da efusão de lágrimas, aparece a tranqüilidade e termina a tristeza que ocasionam as culpas; e assim como por meio da água e do espírito nos purificamos, assim também mediante as lágrimas e a confissão; por isso segue: ‘Pelo que te digo: que perdoados são muitos pecados porque amou muito’. Os que com violência praticaram o mal também com o mesmo fervor se dedicam a obrar bem quando conhecem o muito que devem.

São Gregório Nazianzeno — Tanto mais se destruiu a malícia do pecado, quanto mais se abrasa o coração do pecador ao fogo da caridade.

Comentários do Padre Luís Cláudio Fillion

“Vinde a mim todos os que andais oprimidos com trabalhos e cargas, que eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minhas lições, porque eu sou manso e humilde de coração; e achareis o repouso para vossas almas. Porque suave é meu jugo e leve o meu peso”.

    A pecadora, cuja conversão edificante é o tema do episódio que vamos narrar, estava talvez entre os ouvintes, em presença dos quais lançou Jesus esse terno chamado. Foi pelo menos a primeira a tirar proveito dele e a realizá-lo em todo seu significado. Convidado com instância por um fariseu chamado Simão a tomar uma refeição em sua casa, aceitou-a o Salvador. Não buscava Jesus ocasiões deste tipo, mas tampouco as recusa, porque nelas conseguia realizar, tão bem como em outras, a obra de seu Pai celestial. Havendo, pois, entrado na casa de Simão, se pôs à mesa. Para entender melhor a cena que se vai seguir, será bom recordar qual era então a atitude e a postura que tomavam os convidados. “Era uma posição intermediária entre o estar deitado e sentado. As pernas e a parte superior do corpo dispunha-se um tanto levantada e sustentada sobre o cotovelo esquerdo, que descansava e se apoiava em uma almofada. O braço e a mão direita ficavam assim livres para poder estender-se e tomar o alimento” (A. Rich, Dictionnaire des antiquités romaines et grecques, p. 6). A mesa junto dos convidados se colocava no centro do hemiciclo formado pelos divãs ou sofás. Cada um, pois, estava com os pés para fora, e do lado do espaço reservado aos que serviam.

    De repente, uma mulher, bem conhecida na cidade por seus pecados, entrou na sala do banquete com um vaso alabastro cheio de precioso perfume. Os costumes ou usos austeros do Ocidente fazem-nos julgar estranho, à primeira vista, urna atitude cheia de liberdade; mas está muito de acordo com os usos mais familiares do Oriente. A pecadora reconheceu por isto o lugar do Salvador. E, colocando-se atrás dele, se pôs a lavar seus pés com suas lágrimas e a enxugá-los com seus cabelos; logo os beijou e os ungiu com o perfume. Não proferiu uma só palavra; mas, que eloqüência em todo seu proceder e como, mediante estes atos, demonstrava seu respeito, seu arrependimento, sua fé, além de sua piedosa devoção e afeto! –

    O fariseu Simão, longe de compreender tal cena, que havia arrebatado os próprios anjos do Céu, foi dominado pelo contrário, por muita estranheza. E disse de si para consigo: Se tal homem fosse profeta, teria conhecido em verdade que classe de mulher é esta que o tocou, porque é na realidade uma pecadora. E precisamente porque conheceu Jesus os pensamentos mais íntimos de seu anfitrião e hóspede, vai convencê-lo –– com uma admoestação cheia de bondade –– que é, em verdade, um profeta. Jesus, voltando-se então para a mulher, a quem ainda não havia dirigido uma palavra, contentou-se em dizer-lhe com gravidade: ‘Teus pecados te são perdoados’. A estas palavras, como em circunstâncias anteriores, novo escândalo para os convidados: Quem é este que até perdoa pecados? O que equivalia a acusá-Lo novamente de blasfêmia.  Sem perturbar-se com protestos tão injustos, Jesus disse à Mulher uma segunda frase para despedi-la docemente: “Tua fé  te salvou; vai em paz”. Sua fé, junto com sua caridade e a misericórdia divina, havia produzido esta obra de regeneração.

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  • Pe. Cláudio Luís Fillion, Nuestro Senor Jesuscristo según los Evangelios, Editora Difusion, S.A., Tucumán, 1959, pp. 154-156.