Neste dia 28 comemora-se o terceiro centenário da morte de São Luís Maria Grignion de Montfort — transcorrida em 28 de abril de 1716. Esse extraordinário missionário francês foi sem dúvida um dos maiores apóstolos da devoção a Nossa Senhora.
Entre várias de suas obras mariais, destaca-se o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, do qual, certamente, pode-se afirmar que foi sua obra capital. Esse livro conhecido no mundo inteiro é considerado um livro profético que previu o que São Luis Grignion denominou de “Reino de Maria”. O que foi confirmado em Fátima, em 1917, quando a Santa Mãe de Deus revelou que “Por fim, o meu Imaculado Coração de Maria triunfará”. Ou seja, após os castigos, também anunciados em Fátima, advirá o triunfo do Imaculado Coração, que será a plenitude do Reino de Cristo na Terra.
Em seu testamento, Plinio Corrêa de Oliveira fez referência a este providencial livro ao deixar consignado: “Agradeço da mesma forma a Nossa Senhora — sem que me seja possível encontrar palavras suficientes para fazê-lo — a graça de haver lido e difundido o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luís Maria Grignion de Montfort, e de me haver consagrado a Ela como escravo perpétuo. Nossa Senhora foi sempre a luz de minha vida, e de sua clemência espero que seja Ela minha luz e meu auxílio até o último instante de minha vida”. (Revista Catolicismo, Nº 550, outubro/1996).
Em memória dos 300 anos do passamento desse doutor marial por excelência, que foi São Luis Grignion de Montfort, transcrevemos a seguir trecho de um célebre artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, quando o santo ainda não havia sido canonizado.
Grignion de Montfort
Plinio Corrêa de Oliveira
“Legionário”, 21-10-1945

[…] O extraordinário relevo que damos a uma notícia apagada, que os jornais reproduziram há pouco: a canonização iminente do Bem-aventurado Luis Maria Grignion de Montfort.
A notícia nada significa para o comum das pessoas. Ela significa tudo, para os que conhecem o verdadeiro fundo das coisas. A Providência resolveu jogar sua bomba atômica contra os adversários da Igreja. Perto desta bomba, as convulsões de Hiroshima e Nagasaki não passam de inocentes tremedeiras. Há dois séculos que está pronta a bomba atômica do Catolicismo. Quando ela explodir de fato, compreender-se-á toda a plenitude de sentido da palavra da Escritura: “Non est qui se abscondat a calore ejus” [Não há quem possa subtrair-se a seu calor].
Esta bomba se chama com um nome muito doce. É que as bombas da Igreja são bombas de Mãe. Chama-se O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Livrinho de pouco mais de 100 páginas. Nele, cada palavra, cada letra é um tesouro. Este o livro dos tempos novos que hão de vir.
* * *
Nosso artigo já está por demais longo, para que demos um resumo biográfico da extraordinária vida desse Bem-aventurado. Não sei de nenhuma, que seja mais empolgante e mais edificante. O que em nosso assunto é essencial, em poucas palavras se diz.

O Beato Grignion de Montfort expõe em sua obra no que consiste a perfeita devoção dos fiéis a Nossa Senhora, a escravidão de amor dos verdadeiros católicos à Rainha do Céu. Ele nos mostra o papel fundamental da Mãe de Deus no Corpo Místico de Cristo e na vida espiritual de cada cristão. Ele nos ensina a viver nossa vida espiritual em consonância com essas verdades. E nos inicia em um processo tão sublime, tão doce, tão absolutamente maravilhoso e perfeito, de nos unirmos a Maria Santíssima, que nada há na literatura cristã de todos os séculos, que o exceda neste ponto.
Esta devoção, diz Grignion de Montfort, unindo o mundo a Nossa Senhora, uni-lo-á a Deus. No dia em que os homens conhecerem, apreciarem, viverem essa devoção, nesse dia Nossa Senhora reinará em todos os corações, e a face da Terra será renovada.
De que forma? Grignion de Montfort esclarece que seu livro suscitaria mil oposições, seria caluniado, escondido, negado; que sua doutrina seria difamada, ocultada, perseguida; que ela suscitaria automaticamente uma antipatia profunda nos que não têm o espírito da Igreja. Mas que um dia viria, em que os homens por fim compreenderiam sua obra. Nesse dia, escolhido por Deus, a restauração do Reino de Cristo estaria assegurada.

Durante séculos, a canonização do Beato Grignion vem caminhando. Por fim, ela chegou a seu termo. É absolutamente impossível que esse fato não tenha um nexo profundo com a dilatação da Verdadeira Devoção no mundo.
E, nós o repetimos, é essa Verdadeira Devoção a bomba atômica que, não para matar mas para ressuscitar, Deus pôs nas mãos da Igreja em previsão das amarguras deste século.
Pois bem, nosso otimismo é este: confiamos imensamente mais na bomba atômica de Grignion de Montfort, e em seu poder, do que nós receamos da ação devastadora de todas as forças humanas.

4 Responses to "SÃO LUIS GRIGNION DE MONTFORT — na Terra, uma das maiores glórias de Maria Santíssima"