RÚSSIA-UCRÂNIA — A guerra religiosa que a mídia oculta

Vídeo divulgado pelo canal de Youtube Uma Fé sitiada (A Faith Under Siege), traz uma visão de conjunto dos piores crimes contra o clero e os fiéis católicos ucranianos cometidos pelo exército comunista russo.

Ao noticiar a guerra de invasão russa da Ucrânia, a grande mídia silencia obstinadamente um fato relevante: está em curso uma guerra religiosa contra a Igreja Católica.

  • Luis Dufaur

Em Fátima, quando Nossa Senhora apontou a Rússia como o flagelo que se abateria sobre a humanidade se esta não fizesse penitência e se convertesse, a Ucrânia fazia parte do império czarista depois substituído criminosamente pela URSS, nome oficial do regime comunista bolchevista.

Pacto da “Igreja Ortodoxa” com a revolução marxista

Kirill com Vladimir Putin, em 26 de novembro de 2022 [King of religions / Creative Commons]

O comunismo, para se estabelecer, propôs um acordo com a mal chamada Igreja Ortodoxa (IO), resíduo do Cisma de Constantinopla de 1054. O regime dos sovietes lhe ofereceu restabelecer o Patriarca de Todas as Rússias — cargo abolido havia dois séculos pelo czar Pedro o Grande — em troca da lealdade ao comunismo e de ajudá-lo a se propagar.

A IO, que já era vil vassala do czarismo, aceitou o iníquo pacto, colhendo vantagens materiais. Desde então, os Patriarcas de Moscou — entidade jamais instituída pelos Papas — e seus principais acólitos passaram a ser treinados e nomeados pela polícia política comunista, a famigerada KGB. É o caso do atual Patriarca Kiril, atrevido propagandista da guerra de Putin contra a Ucrânia e arauto insincero do tradicionalismo cismático.

Lenine confiscou todos os bens das igrejas e os entregou ao Patriarcado de Moscou. A Igreja Católica, muito presente no Oeste ucraniano, foi suprimida, seus bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis martirizados e seus bens entregues aos cismáticos colaboracionistas.

Os católicos sobreviventes foram a alma da Igreja das Catacumbas, resistindo clandestinamente ao comunismo, transmitindo a Fé a seus filhos e mantendo a fidelidade ao Papado. A perseguição marxista a Jesus Cristo foi tão espantosa que o Arcebispo-mor dos católicos de rito grego, Mons. André Sheptytskyi, pediu ao Papa Pio XII que exorcizasse a Rússia, porque “aquele regime só se explica como caso de possessão diabólica coletiva”[1]. Nesse período, os agentes vermelhos praticaram o Holodomor, o massacre pela fome e violência de aproximadamente oito milhões de ucranianos católicos ou cristãos em geral.

Católicos tomam a iniciativa

Após a queda da União Soviética e a independência da Ucrânia, cerca de 300.000 católicos saíram da clandestinidade. Trinta e cinco anos depois, o Pe. Andrij Zelinskyi calcula que eles são hoje mais de 3,6 milhões, cifra confirmada pelo arcebispo católico Dom Borys Gudziak. Três regiões da Ucrânia são mais católicas do que a maioria dos países europeus. A cidade de Lviv, perto da Polônia, é majoritariamente católica. E esse número não para de crescer, pois muitos viram que as “igrejas” cismáticas, em suas variadas subdivisões, cooperaram com a perseguição marxista. Ademais, o clero cismático não tem formação religiosa alguma, vive entregue a vícios e com a guerra abandonou as igrejas para salvar suas famílias e atividades econômicas.

A quase totalidade dos capelães militares ucranianos é católica, tendo os popes, ou padres cismáticos, fugido de qualquer tarefa religiosa. Os padres católicos dos ritos greco-ucraniano e latino dão a catequese, regularizam a situação canônica dos leigos, muitos esquecidos mesmo das obrigações do cristianismo após décadas de ateísmo, e cuidam dos doentes, anciãos e órfãos. Moscou odeia este renascer católico e, especialmente através do Patriarcado IO de Moscou, excita a Rússia a se assanhar na cruel e injusta invasão da Ucrânia, transformando a guerra de mero conflito territorial em guerra religiosa.

Nas partes da Ucrânia ocupadas pelo invasor russo, Putin e seu colega de escola da KGB, o Patriarca de Moscou Kiril, excitam a soldadesca a praticar os piores crimes contra o clero e os fiéis católicos, como no tempo da União Soviética.

Um interessante vídeo divulgado pelo canal de Youtube Uma Fé sitiada (A Faith Under Siege)[2], traz uma visão de conjunto dessa perseguição que deveria estar na boca de todos os pregadores católicos do mundo, e com maior razão da Santa Sé. Extraímos desse vídeo os testemunhos que seguem.

A cruel perseguição atual

Padres foram presos, interrogados e espancados em câmaras de tortura. Quando saíam desse cativeiro pareciam os sobreviventes de um campo de extermínio de Auschwitz, como se pode ver nas fotos do Pe. Bohdan Geleta.

Os métodos policialescos são os do regime soviético, explica o arcebispo Dom Borys Gudziak. Putin, no século XXI, proíbe as igrejas católicas de qualquer ação. Estas se viram obrigadas a entrar na clandestinidade. Ser católico representa perigo de morte.

O Pe. Petro Krenitsky, auxiliado pelo Pe. Oleksander Bogomaz, narra que pouco antes da invasão, serviu em Melitopol, temendo a repressão. Nenhum padre fugiu da cidade e ele respondia aos fiéis que seria o último a sair.

O Pe. Petro distribuía remédios e pão nas aldeias. Nos postos de controle, a soldadesca o intimidava, humilhava e ameaçava. Por fim, a FSB, a polícia russa sucessora da sinistra KGB, prendeu-o na igreja enquanto celebrava. Eles usavam máscaras e carregavam armas como a dizerem: “Você pode servir ao seu ‘Deusinho’, ao seu ‘Cristosinho’. Mas nós somos mais fortes que o seu Deus, mais fortes que a sua fé.”

Roubaram seu carro e tudo o que havia em sua casa. Exigiram-lhe que contasse segredos de confissão, mas ele se recusou por ser um dever sagrado. No cárcere, começaram a gritar agressivamente contra ele e a agredi-lo. Obrigaram-no a tirar toda a roupa e o puseram de joelhos. Então ele pediu ao Espírito Santo: “Senhor, dai-me força. Estai mais perto de mim do que todo este inferno.”

Padres foram presos, interrogados e espancados em câmaras de tortura. Quando saíam desse cativeiro — prossegue o Pe. Petro —, pareciam os sobreviventes de um campo de extermínio de Auschwitz, como se pode ver nas fotos do Pe. Bohdan Geleta. E, na verdade, muitos martirizados nunca mais saíram.

Houve momentos em que, sozinho na sua cela de prisão, ficava no chão chorando e clamando: “Deus, esqueceu-se de nós?” Mas, de manhã, Deus lhe dava forças para sorrir para os presos e animá-los. Os gritos e os golpes eram um pano de fundo no qual ele sentia que Alguém muito poderoso o estava abraçando. Ali o padre entendeu de onde os mártires tiravam sua força quando torturados.

Colocaram um saco na sua cabeça e lhe disseram que a Rússia o deportaria porque a Igreja Católica não se alinha com a política de Moscou. Então foi forçado a fugir por uma zona “cinzenta”, semeada de minas terrestres, onde as pessoas morriam em quantidade. Era noite fechada e ele rezou: “Virgem Maria! Se eu chegar ao outro lado, prometo dizer a todos que rezem o rosário.”

Finalmente, do outro lado de um morro, ouviu que alguém o chamava pelo seu apelido “Padre Shashko!”. Era um soldado ucraniano que fora seu aluno. Este o levou até seus comandantes que o ajudaram a chegar em segurança a Zaporíjia.

O catolicismo perseguido persevera

Dom Borys Gudziak explica que nas quatro regiões orientais ucranianas ocupadas pelos russos, 100 paróquias foram fechadas, muitas destruídas e saqueadas, tendo a Igreja Católica sido quase completamente eliminada. Não há padres atuando ostensivamente. Há fiéis que são enterrados sem a presença de um padre católico.

Em alguns lugares os fiéis se reúnem secretamente, coisa muito perigosa, pois se os descobrirem serão torturados. A Igreja Católica ucraniana é mártir e os apoios morais que chegam do exterior contribuem a este belo fruto de força espiritual para sobreviver e resistir.

O Pe. Mykhailo Romaniv conta que há 4 milhões de refugiados internos no país, mas não se veem campos de concentração, pois são acolhidos pelas famílias. Muitos refugiados passam a noite em seu centro de atendimento sob controle ucraniano. Todas as noites, chegam cerca de 100 pessoas fugindo dos russos. Recebem ali mais de 600 crianças para reabilitação. Reabilita também famílias de militares e espera fornecer assistência profissional aos próprios soldados.

Dom Borys Gudziak sublinha que a Igreja Católica ucraniana ressurgiu várias vezes porque Cristo ressuscitou, e que Deus não deseja que seus seguidores batizados vivam sob a Federação Russa.

Essa superpotência imperial, armada até os dentes com bombas nucleares e recursos ilimitados para a supressão de igrejas, particularmente a Igreja Greco-Católica Ucraniana, entretanto falhou. O mundo já viu tantos impérios. — Onde estão eles? Desmoronam e seus líderes estão na lata de lixo da História, enquanto os mártires são celebrados como modelos. A igreja não será esmagada. Ela não pode ser morta. É o corpo de Cristo, conclui o arcebispo.

O Pe. Petro foi orientado pelo seu bispo a ir de paróquia em paróquia pregando a necessidade de rezar o rosário com o terço na mão. Foi a promessa que ele fizera a Nossa Senhora! Reconhece emocionado! Visitou então quase todas as paróquias da região de Donetsk, e assim a Santíssima Virgem lhe permitiu cumprir a promessa feita no campo minado em que os russos anticristãos o jogaram. É o momento de, com renovado fervor, acrescentarmos em nosso terço as intenções da causa católica na Ucrânia!

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Fonte:

Youtube, Canal A Faith Under Siege

(acessado em 12-4-26, às 13:56:34).


[1]) Pe. Alfredo Sáenz S.J., De la Rusia de Vladimir al hombre nuevo soviético, Ediciones Gladius, Buenos Aires, 1989, pp. 438-439.

[2]) https://www.youtube.com/watch?v=R-j_SUu9NsY