
“Então foi Jesus da Galiléia ao Jordão ter com João, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Sou eu que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim? E, respondendo Jesus, disse-lhe: Deixa por agora, pois convém que cumpramos assim toda a justiça. Ele então deixou-o (aproximar-se). E, depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como pomba, e vir sobre ele. E eis (que se ouviu) uma voz do céu, que dizia: Este é meu filho amado, no qual pus as minhas complacências” (São Mateus 3, 13-17).
- Comentários do Padre Luís Cláudio Fillion
- (Excertos)
Um dia viu João Batista aproximar-se dele um homem de cerca de 30 anos, cuja fisionomia irradiava reflexos de uma majestade e santidade que vivamente o impressionaram. Era Jesus, que havia deixado seu retiro de Nazaré, tendo caminhado pelas margens do Jordão para receber o batismo do Precursor.
À primeira vista, esta atitude parecia singularmente estranha. Que necessidade tinha o Salvador do mundo, Ele que era a própria pureza, de semelhante cerimônia que implicava pecado e penitência? Mas, precisamente, o Verbo havia se encarnado para carregar os pecados dos homens e expiá-los, adequava-se, pois, a seu encargo ou missão de Redentor tomar as aparências de pecador e penitente, no momento em que ia começar seu ministério, até que chegasse o tempo de ser nossa vítima sobre a Cruz.
Quando João O viu adiantar-se para receber o batismo, resistiu a isto como pôde dizendo: “Eu é que devo ser batizado por Ti, e és Tu que vens a mim?” Ao que Jesus respondeu: “Deixa-me fazer agora; pois convém que cumpramos toda a justiça”. João não mais protestou e batizou o Messias. Mas, como em outras circunstâncias humilhantes de sua vida, recebeu Jesus então de seu eterno Pai um testemunho brilhante. Apenas saiu das águas do rio, o Céu pareceu se abrir e viu-se o Espírito Santo descer sobre Ele em forma de pomba, enquanto uma voz vinda do Céu dizia: “Este é meu Filho amado, no qual pus a minha complacência”. Houve pois, nesse momento, como que uma segunda Epifania* de Jesus, e, por assim dizer, sua ordenação, sua consagração como Messias Redentor.
N. da R.: Epifania significa a manifestação de Nosso Senhor ao mundo inteiro, ocorrida por ocasião da adoração do Menino-Deus pelos Reis Magos. (“Nuestro Señor Jesucristo según los Evangelios”, Ed. Difusión, Buenos Aires, 1917, pp. 95-96).
Comentários compilados por Santo Tomás de Aquino
na “Catena Aurea”
São Jerônimo –– O mistério da Santíssima Trindade se patenteia no batismo. Jesus Cristo [o Filho] é batizado, o Espírito Santo baixa em forma de pomba e ouve-se a voz do Padre dando testemunho do Filho.
Santo Agostinho –– Não deve causar admiração que se patenteie o mistério da Santíssima Trindade no batismo de Nosso Senhor, posto que nosso batismo não é outra coisa senão a representação de tão augusto mistério. Quis Deus que primeiro se verificasse junto a Ele, o que depois haveria de ordenar a todo o gênero humano.
O Pai ama o Filho; mas como um pai ama a um filho, não como um amo estima seu servo; como unigênito, não como filho adotado, e por isso acrescenta: no qual pus as minhas complacências.