MESQUITAS SUBSTITUINDO IGREJAS

  • Paulo Henrique Américo de Araújo

Causou alvoroço internacional a decisão do presidente da Turquia, Recep Erdogan, de converter novamente em mesquita a outrora Igreja de Santa Sofia, a qual vinha sendo utilizada havia décadas como museu. O fato vem carregado de simbolismo histórico, e podemos relacioná-lo com outros eventos atuais, que provocam inevitavelmente dolorosas lágrimas na Virgem Santíssima.

A antiga catedral da Santa Sabedoria (sophia, em grego) foi erigida no século VI, muito antes da triste revolta dos cristãos gregos (ortodoxos) contra a autoridade do Romano Pontífice, ocorrida em 1054. Durante séculos a igreja havia sido, portanto, um templo católico dedicado à Sabedoria Encarnada, Nosso Senhor Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Em 1453 os turcos destroçaram o decadente Império Romano do Oriente e conquistaram sua capital, Bizâncio, a atual Istambul. Depois de ordenar o massacre dos cristãos que haviam se refugiado na catedral de Santa Sofia, o sultão turco Maomé II mandou transformar o templo em mesquita, e assim permaneceu a bela catedral durante quase 500 anos, dessacralizada e usada para culto ilícito. Em 1934, o governo republicano laicista da Turquia decidiu fazer dela um museu. Com a revogação de tal medida, foi ela devolvida agora à condição de mesquita, provocando algumas reações de personalidades de todo o mundo.

O presidente da Turquia, Recep Erdogan (centro), participa da primeira cerimônia islâmica em Santa Sofia depois de convertida novamente em mesquita.

A história de Santa Sofia serve bem como analogia para a atual situação da Cristandade, cujos restos desapareceram quase inteiramente neste mundo neopaganizado. Aquela igreja-símbolo foi violentamente conquistada pelo Islã há quase 600 anos, e na atualidade outras igrejas vão tendo o mesmo destino trágico. A diferença, a enorme e inimaginável diferença, é que agora isso ocorre sem conquistas violentas, sem guerras. E, o que é muito pior, com o desinteresse e até conivência daqueles mesmos que a isso se deveriam opor. Veremos alguns exemplos.

Na cidade de Siracusa, nos Estados Unidos, a igreja católica da Santíssima Trindade foi vendida em 2014 para uma entidade de acolhimento de imigrantes, e depois transformada em mesquita. De acordo com a diocese, não havia católicos suficientes na localidade para manter a igreja. As imagens divulgadas1 causam consternação: na bela nave interior, em estilo gótico, dezenas de muçulmanos rezam ajoelhados sobre um enorme tapete, voltados para Meca. Os belos vitrais com motivos católicos ainda permanecem, mas foram cobertos por tecidos. Centenas de cruzes foram substituídas pelos crescentes (meia-lua) muçulmanos, inclusive nas torres externas.

Artífices da atual miscelânea religiosa interconfessional, empenhados em demolir até os fundamentos a fidelidade ao ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, decidiram renomear a igreja da Santíssima Trindade como “Mesquita de Jesus, filho de Maria”. Para um católico leviano, penetrado de conceitos “ecumênicos” interconfessionais, pouco cioso da integridade doutrinária da Igreja Católica, isso pode parecer aceitável, até louvável, pois leva em consideração que o Islã reconhece Nosso Senhor Jesus Cristo, nega “só” a sua divindade.

Talvez fosse menos maléfico essa igreja tornar-se logo um templo declaradamente satânico, pois assim não haveria o perigo de enganar os fiéis desprevenidos. Quanto estará sofrendo o Coração Imaculado de Maria com esses sinais de destruição da Santa Igreja Católica!?

Ainda nos Estados Unidos, em 2017 o Pe. Francis Mazur ficou satisfeito ao saber que a igreja de São Gerardo, na cidade de Buffalo, seria vendida para maometanos, pois assim o prédio continuaria como local de culto: “Estou feliz porque o grupo que está comprando é a comunidade muçulmana, eles serão muito ativos nas questões da comunidade … Serão muito bons vizinhos. Trarão negócios, artistas, e serão uma parte vital da comunidade”.2 A enormidade do disparate é até difícil de medir, pois Nosso Senhor Jesus Cristo foi expulso de sua própria Casa, e em seu lugar será cultuado Alá, inimigo ferrenho da Cristandade. E o padre “católico” alegra-se com isso, pois os muçulmanos “trarão negócios”…

Na França, durante anos a igreja de Santo Elói, em Vierzon, vinha perdendo fiéis.3 Em 2013, eles praticamente não mais existiam, e a diocese decidiu vender o prédio. Os primeiros interessados não demoraram a aparecer – um grupo de muçulmanos. Ao contrário da criminosa limitação de nascimentos dos católicos, os muçulmanos se multiplicam cheios de vitalidade, com suas proles numerosas subsidiadas pelo erário público. Os maometanos precisavam de um lugar para a mesquita, e o edifício da igreja se mostrava ideal para eles.

A controvérsia ganhou espaço nos jornais, quando a entidade caritativa “Confraria de Santo Elói” lançou uma campanha de assinaturas intitulada Pare a mesquita! Chegou inclusive a coletar donativos para a aquisição do prédio. Entretanto, antes de se efetivar a compra, a prefeitura de Vierzon interveio e adquiriu o prédio da igreja.4

Aparentemente, a rápida interferência da prefeitura se deu para impedir que a entidade católica se tornasse proprietária do edifício, no qual se realizam agora atividades sociais e esportivas, seguindo as normas da municipalidade que limitam o uso a atividades “não confessionais”.

Os muçulmanos interessados não deixaram essa intervenção sem protesto, naturalmente, e era mesmo de se esperar. O mais incrível, no entanto, é que o Pe. Alain Krauth, responsável pela igreja, ergueu sua voz contra a intervenção da entidade católica. Segundo ele, teria sido melhor a igreja tornar-se mesquita, pois assim os muçulmanos disporiam de um local apropriado para seu culto…

Diante de atitudes como essas, como não surpreender que o número de católicos diminua cada vez mais, e que os islâmicos se instalem nas nossas igrejas? Lembremos também que várias igrejas na Europa já foram vendidas, transformando-se em bares e locais de festas profanas.

Todos esses fatos, apesar de preocupantes, seriam de pouca importância se não houvesse a traição dos próprios católicos. Assistimos nos últimos anos às tristes cenas de vandalização de igrejas no Chile, na Argentina, e mais recentemente nos Estados Unidos, perpetradas em muitos casos pelos próprios cristãos ocidentais. São eles os atuais apoiadores da invasão islâmica, grande arma do Islã contra as nações cristãs.

Entrada do sultão Maomé II em Constantinopla, em 29 de maio de 1453 – Jean-Joseph-Benjamin Constant (1876). Museu dos Agostinianos de Toulouse, França.

Historicamente, o islamismo só teve sua expansão bem sucedida quando facilitada pela decadência dos povos cristãos, envolvidos em lutas internas, heresias, traições e revoltas. É sabido que os cristãos do norte da África abriram no século VII as portas de suas cidades aos invasores muçulmanos, considerando-os seus libertadores contra o governo dos cristãos de Bizâncio. Em 711, na Península Ibérica, os muçulmanos só conseguiram a vitória militar esmagadora sobre o rei Rodrigo quando contaram com hereges traidores infiltrados no exército cristão.

O mesmo pode-se dizer dos cristãos do Império Bizantino. A separação de Roma, com o famigerado cisma do Oriente, foi sem dúvida uma das causas remotas da derrota de Bizâncio pelos turcos, e a consequente transformação da Catedral de Santa Sofia em mesquita.

No Brasil as mesquitas ainda não estão tomando o lugar das igrejas, porém os traidores já se fazem notar. A título de exemplo, no início de 2020 duas igrejas em Florianópolis (SC) foram pichadas com inscrições Salve Satanás.5 Também na mesma ocasião uma imagem de Nossa Senhora foi vandalizada. Como não conjecturar que tais atos tenham sido executados por traidores que renegaram sua crença cristã, e assim vão preparando remotamente a invasão islâmica nesta Terra de Santa Cruz? Considerando que o número de católicos brasileiros vai decrescendo rapidamente, e que por causa da covid-19 nossas igrejas permaneceram praticamente vazias, quanto tempo nos restará antes de as vermos transformadas em mesquitas?

No passado, os sequazes de Maomé invadiam e conquistavam as igrejas católicas pela força e pelo sangue. Hoje continuam fazendo o mesmo, só que as compram e nelas se instalam pacificamente. Enquanto isso, os próprios cristãos — melhor diríamos, ex-cristãos — promovem a destruição de seus próprios templos e aplaudem os que as transformam em mesquitas. Se não houver uma intervenção de Deus, nada poderá evitar o fim da Cristandade.

Podemos batalhar para que isso não aconteça, fazendo atos de reparação ao Imaculado Coração de Maria por tantos sinais de destruição da civilização cristã e da Santa Igreja. Nossa Senhora quer o triunfo do seu Imaculado Coração, mas precisamos ajudá-La com nossas preces, e também com nossas atividades em favor da ampliação da Cristandade contra seus inimigos declarados e traidores infiéis.

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Notas:

Fonte: Revista Catolicismo, Nº 838, Outubro/2020

  1. Cfr. https://www.youtube.com/watch?v=SV4pURZYOy0
  2. Cfr.https://www.wnycatholic.org/news/article/featured/2017/01/19/102135/an-ending-for-st.-gerards-sees-two-new-beginnings
  3. Cfr. https://www.youtube.com/watch?v=l82jXj5tHos
  4. Cfr. https://www.la-croix.com/Religion/Actualite/Vierzon-rachete-l-eglise-Saint-Eloi-2013-09-09-1010936
  5. Cfr. https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2020/02/24/fachada-de-igreja-e-imagem-de-santa-sao-vandalizados-em-florianopolis.ghtml