Se o Brasil não quiser ser China

Publicado em “O Legionário” de 8 de novembro de 1936, o artigo com o título em epígrafe trata de questões políticas daquele ano, mas o trecho que segue pode ser aplicado à posição que devemos tomar atualmente em defesa da Igreja e do Brasil.

  • Plinio Corrêa de Oliveira

Nós católicos não podemos admitir um cristianismo diluído, só nos contentamos com o cristianismo total. Isto é, só nos damos por satisfeitos quando nos apresentam propostas claras e positivamente de acordo com o catolicismo. Como cidadãos, é certo que poderemos sentir nossas preferências por um ou por outro candidato; porém, como católicos, só pode obter nossa simpatia o respeito ao nosso direito de consciência.

Com um olhar de inteira neutralidade, assistimos por enquanto às manobras tendentes a consolidar as diversas candidaturas. Desde já devemos declarar, porém, que todos os brasileiros devem colocar acima dos interesses pessoais e mesquinhos, ligados à sucessão presidencial, questões fundamentais cuja solução não poderá e não deverá ser prejudicada pelas lutas políticas, por mais violentas que venham a ser.

Não cruzaremos os braços enquanto não aparecer uma candidatura que nos fale em alto e bom tom dos direitos da Igreja Católica, Apostólica, Romana, prometendo respeitá-los e apresentando garantias morais suficientes para nos convencer de que tais promessas serão cumpridas.

Em primeiro lugar, é necessário os dirigentes de todas as forças políticas anticomunistas não se esquecerem de que a Pátria espera deles um combate sem tréguas aos inimigos da Civilização. Mas se a ambição de politiqueiros vulgares puser em risco a paz nacional, a unidade da pátria ou a estabilidade da propriedade e da família, devemos saber que o Brasil só teria diante de si um único destino — o da China. Mas se os brasileiros souberem manter incólumes os grandes princípios católicos que devem nortear sua atividade política, o Brasil poderá enfrentar a tormenta.