Um comunista no centro histórico

  • Paulo Henrique Américo de Araújo

No último mês de janeiro, a caravana de jovens do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira percorreu a Região Nordeste [vide artigo anterior]. Em meio ao apoio caloroso da maioria da população, no Centro Histórico de Salvador (BA) os caravanistas foram surpreendidos por uma explosão de ódio. Vinda de um personagem isolado, é bem verdade, mas muito barulhento [foto acima]. Era um comunista, como se verá, apesar de ele mesmo se insurgir contra esse qualificativo. Tive ocasião de acompanhar os jovens voluntários naqueles dias, e compartilho com o leitor o ocorrido, bastante revelador das tendências e ‘chiliques’ dos movimentos esquerdistas no Brasil de hoje.

Antes de descrever o fato, gostaria de ressaltar algo um tanto evidente: a esquerda vem tomando atitudes cada vez mais disparatadas diante da chamada ‘onda conservadora’. Numa primeira fase ela demonstrou perplexidade, desorientação. Basta recordar as declarações aflitas do governo Dilma logo após as multitudinárias manifestações anti-PT, de 2015 e além. Diziam então os porta-vozes do Palácio do Planalto: “Nada há com que se preocupar. Dois milhões de pessoas na Avenida Paulista não têm muita importância, afinal tivemos 50 milhões de votos nas eleições!”.

Numa segunda fase, quando aquelas ‘insignificantes’ multidões já haviam provocado, ao menos indiretamente, o impeachment da presidente petista, a atitude da esquerda se converteu em fúria. Passou a demonizar de todos os modos os ‘direitistas’; e após 2018, os que passaram a ser classificados de ‘bolsonaristas’. Tal demonização, arquitetada pela esquerda, vai desde mentiras e calúnias até ataques que beiram a histeria. Qualificar de genocida o presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, tornou-se um truque válido para os agentes dessa paranoia.1

Essa esquerda furiosa estava representada no Centro Histórico de Salvador. Os voluntários do Instituto tinham iniciado a campanha no conhecido Largo do Pelourinho, divulgando ao simpático público baiano a obra Psicose Ambientalista, de autoria do Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança. Os caravanistas se encaminharam então para as proximidades do Convento de Nossa Senhora do Carmo, e ali um embirrado manifestante deu as caras. Já de longe veio gritando, descarregando seu ódio com xingatórios, palavras vulgares e calúnias: “Radicais, extremistas de direita! Conservadores de (*palavrão). É por causa de gente como vocês que o País está (*palavrão)!”.

A cantilena era pobre, muito pobre, mas não parava: “Fascistas, racistas, imbecis, conservadorzinhos de (*palavrão)!”. Argumentos? Nenhum. Provas? Nada. Pode-se medir pelo palavreado o nível intelectual do raivoso manifestante. Apenas destampatórios indignados, desrespeitosos e vazios.

Um dos caravanistas, tentando elevar um pouco o nível, perguntou: “Você não sabe dizer nada além de palavrões? Mostre algum respeito para consigo mesmo!”. Resposta: mais e mais xingatórios, e em dado momento ele vociferou, gesticulando um sinal obsceno: “Tradição, família e propriedade é o (*palavrão)”. Dizendo isso, demonstrava conhecer a nossa atuação e escancarava sua ideologia.

Um dos nossos jovens aproveitou a ‘deixa’: “Ah! Então, você é comunista!”. A conclusão era lógica, a partir das próprias palavras do furioso agitador, mas isso atiçou ainda mais sua cólera: “Comunista é (*Palavrão)! Quem falou em comunismo? De onde você tirou que eu sou comunista?”.

 Estranha essa alegação: ou o ruidoso provocador não conhece a ideologia que professa, ou quer evitar o rótulo por causa do desprestígio a que ele chegou nos nossos dias. Quem usa um palavrão para se referir à famosa trilogia ‘Tradição, Família e Propriedade’, cunhada pelo Prof. Plinio, coloca-se imediatamente, querendo ou não, no espectro ideológico comunista. A classificação, portanto, tinha fundamento.

Para abafar os xingatórios imundos do agitador, um dos caravanistas bradou o lema de campanha, três vezes repetido por todos eles a uma só voz: “O Brasil é Terra de Santa Cruz”. Ao comunista desconcertado, só restou tomar atitude de deboche e confusão. Logo depois, numa atitude ‘corajosa’, resolveu dar as costas e fugir.

Um soteropolitano autêntico, de raça negra [foto], passava por ali na hora do confronto e tomou posição ao lado dos caravanistas, procurando afastar e silenciar o agressor. Com largo sorriso, recebeu depois uma bela estampa de Nossa Senhora de Fátima, que lhe foi presenteada por um jovem do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

Outra manifestação de repúdio ao agitador veio de uma senhora, moradora de uma das casas próximas. Disse ela a um dos integrantes da caravana: “Eu acho um absurdo tantos palavrões ditos assim publicamente. Pode ter crianças ouvindo. Isso é uma falta de respeito”.

Aí estão atitudes típicas de nosso povo, nitidamente contrárias aos desatinos esquerdistas. Tudo indica que a esquerda não quer enxergar ou não consegue perceber tal realidade. Prosseguindo na sua arenga eivada de luta de classes, os esquerdistas irão aumentando cada vez mais o abismo entre eles e o Brasil autêntico.

Vale lembrar o que Plinio Corrêa de Oliveira escreveu em artigo para a “Folha de S. Paulo”: “Se a esquerda for açodada na efetivação das reivindicações ‘populares’ […], se for persecutória através do mesquinho casuísmo legislativo, da picuinha administrativa ou da devastação policialesca dos adversários, o Brasil se sentirá frustrado na sua apetência de um regime bon enfant, de uma vida distendida e despreocupada. Num primeiro momento, se distanciará então da esquerda. Depois ficará ressentido. E, por fim, furioso. A esquerda terá perdido a partida da popularidade”.2

O fato ocorrido em Salvador é mais um exemplo da confusão e disparate da esquerda derrotada pelo bom-senso brasileiro.

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Notas

  1. https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/02/nos-encontramos-em-22-diz-bolsonaro-ao-ser-chamado-de-genocida-e-fascista-no-congresso.shtml
  2. Cuidado com os Pacatos, Plinio Corrêa de Oliveira, “Folha de S. Paulo”, 14 de dezembro de 1982.