75 ANOS DE UMA CRUZADA

Primeiro número de Catolicismo, janeiro de 1951.

Fonte: Revista Catolicismo, Nº 901, Janeiro/2026

Raríssimas são as revistas que conseguem chegar perto de completar meio século de existência. Entretanto, com a presente edição, Catolicismo chega aos 75 anos!

É um momento de comemoração, mas também de agradecimentos e pedidos de orações.

Agradecemos a Deus e à Santíssima Virgem por este jubileu, ao mesmo tempo em que Lhes suplicamos o prolongamento de sua poderosa e contínua proteção, para que possamos atingir outros jubileus.

Sem essa proteção estaríamos fechados, como tantos outros órgãos de imprensa, tão grandes foram as dificuldades ao longo do nosso percurso permeado de cruzes. Mas, com o auxílio dos Céus, continuamos a jornada de modo ininterrupto… e sem ‘crises de identidade’.

Ou seja, continuamos sempre no mesmo rumo, seguindo a orientação que nos legou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira na difusão do pensamento autenticamente católico, tanto no campo espiritual quanto no campo temporal. Suas orientações se transformaram para nós em “jurisprudência”.

         Agradecemos também aos demais colaboradores por seus artigos, assim como a todos da redação e da administração da revista.

Agradecemos a todos os propagandistas e aos nossos diletos assinantes e leitores, sem os quais seria impossível esta longa e árdua caminhada no bom combate católico contra-revolucionário. Árdua também por não ser financiada com publicidade comercial, a fim de manter nossa independência e não sofrer censuras.

Rogamos a Nossa Senhora, Medianeira de todas as Graças, que recompense de modo materno e generoso todos que nos auxiliaram.

Nossa finalidade, nosso grande ideal

A missão do Grupo de Catolicismo foi explicitada várias vezes pelo saudoso Prof. Plinio. Por exemplo, no primeiro número de nossa publicação, que se iniciava em formato de jornal, ele escreveu o artigo “A Cruzada do Século XX”, cujo texto nos toca especialmente, pois representa bem a missão de jornalistas católicos militantes e indica nosso programa e meta. Dele segue um trecho, mas pode ser lido integralmente no link abaixo indicado:1

“O próprio da Igreja é de produzir uma cultura e uma civilização cristã. É de produzir todos os seus frutos numa atmosfera social plenamente católica. O católico deve aspirar a uma civilização católica como o homem encarcerado num subterrâneo deseja o ar livre, e o pássaro aprisionado anseia por recuperar os espaços infinitos do Céu.

“E é esta nossa finalidade, nosso grande ideal. Caminhamos para a civilização católica que poderá nascer dos escombros do mundo de hoje, como dos escombros do mundo romano nasceu a civilização medieval. Caminhamos para a conquista deste ideal, com a coragem, a perseverança, a resolução de enfrentar e vencer todos os obstáculos, com que os Cruzados marcharam para Jerusalém. Porque, se nossos maiores souberam morrer para reconquistar o sepulcro de Cristo, como não querermos nós — filhos da Igreja como eles — lutar e morrer para restaurar algo que vale infinitamente mais do que o preciosíssimo Sepulcro do Salvador, isto é, seu reinado sobre as almas e as sociedades, que Ele criou e salvou para O amarem eternamente?”.

Assistiremos a restauração da Cristandade

Ao longo dos nossos 75 anos de luta sem quartel, mesmo em meio a intensas polêmicas, pode-se dizer que combatemos destemidamente os principais erros que ameaçaram a civilização católica (como os erros da ideologia comunista espalhados por toda parte) e a Igreja (como os erros do modernismo/progressismo infiltrados nos ambientes católicos). Também se pode dizer que sempre alertamos nossos leitores para os erros da contracultura e da subcultura, assim como para os erros dissimulados pela Revolução gnóstica e igualitária que visa a destruição da Civilização. Com o mesmo destemor, sempre louvamos, aglutinamos e impulsionamos as principais boas reações que despontaram a favor da restauração da Cristandade como desejada por Deus.

Para a efetivação de tal restauração, nosso combate não é senão o zelo pela glória d´Ele. Infelizmente, estamos assistindo o ocaso da Cristandade, mas temos a certeza de que logo presenciaremos o seu raiar, como um sol que se levanta em todo seu esplendor.

Poder-se-ia objetar que somos suspeitos para falar de nosso próprio combate. Replicamos afirmando que muitos o atestam, sobretudo nossos leitores. Basta ver as cartas, e-mails, mensagens e/ou comentários que temos recebido, e em parte publicado (por falta de espaço), em nossa seção “Comentários dos Leitores”. A título de exemplo, apenas um desses comentários:

Catolicismo é considerada a melhor revista da atualidade (a única que a gente tem vontade de ler da primeira à última palavra). Apesar de nunca ter ouvido falar de certas temáticas que defendem, foi como por um susto eu sentir como se o que vocês defendem/preconizam/divulgam é exatamente o que eu sempre quis encontrar, mas não ouvia o eco.

“Abracei a causa como se fosse invenção minha (aderi irrestritamente a todas as promoções que me são passadas), e continuamente estou divulgando por palavras, atos, doação de assinaturas e exemplos, principalmente no intuito de fortalecer a fé de quem já a tem, e despertar naqueles que não a têm.

“Sinto-me muitas vezes acuado pela incompreensão, mas na maioria das vezes vejo o fruto que se tem obtido, o que é um alento, principalmente no seio da família de onde me originei. Sinto apenas não ter sido melhor despertado no tempo em que eu estava na ativa (hoje estou aposentado), pois perdi a oportunidade de atuar no meio empresarial, onde ocupei os mais altos cargos em carreira executiva de mais de uma grande empresa.

“Mas ainda podemos fazer muito por tantos, neste nosso imenso Brasil, destruído pela República catadora de votos venais. Para terminar, parabenizando a persistência de todos aqueles que com santa dedicação dão continuidade à obra daquele de quem sou xará, Plínio.”

“Catolicismo é sua única expressão autêntica”

Outra objeção que se poderia levantar: Em vez do nome CATOLICISMO, não seria melhor CRISTIANISMO, por ser mais abrangente na inclusão de muito mais gente? Respondemos com as palavras de Plinio Corrêa de Oliveira:

“Seria melhor falar claramente em Catolicismo, do que em Cristianismo. Catolicismo é a palavra que distingue o Cristianismo autêntico das falsificações heréticas ou cismáticas: Cristianismo é uma palavra usada indistintamente por inúmeros fautores de erros e de heresias, como, por exemplo, os protestantes.

“No Brasil, a palavra ‘Cristianismo’ só tem seu som nacional e seu sabor de autenticidade quando acompanhada do adjetivo ‘católico’. Em matéria religiosa, dever-se-ia dizer sempre Catolicismo; ou, o que seria melhor, ‘Cristianismo Católico’.

“Simples questão de forma? Não. A palavra ‘católico’ dá um significado preciso e altamente expressivo à palavra ‘cristianismo’. Há uma apreciável dose de ecletismo religioso no simples vocábulo ‘cristianismo’, quando ele aflora aos lábios de nossos políticos.

“E é contra este ecletismo que protestamos. Porque, se o Brasil tiver de se salvar, sua tábua de salvação não será um vago ‘cristianismo’, diluído segundo o paladar variável de cada um de nossos estadistas, mas o Catolicismo, que é sua única expressão autêntica.”2

Aos pés da Virgem, os 75 anos de uma Cruzada

         O Papa Pio XI declarou São Francisco de Sales patrono dos escritores católicos, por pregar o catolicismo autêntico, sem véus nem respeito humano, sem diluir a verdade da doutrina católica. O Pontífice disse que esse Santo Doutor da Igreja, bispo de Genebra do século XVII, deveria ser exemplo para nós:

“Estudar com o maior cuidado a doutrina católica e possuí-la na medida das próprias forças; evitar, seja alterada a verdade, seja atenuá-la ou dissimulá-la, sob pretexto de não ferir os adversários; cuidar da forma e da beleza do estilo, realçar e ornar as ideias com o brilho da linguagem, de modo a tornar a verdade atraente ao leitor; saber, quando um ataque se impõe, refutar os erros e se opor à malícia dos artífices do mal, de maneira a sempre mostrar que se está animado de intenções retas e que se age antes de tudo em um sentimento de caridade.”3

         É bem exatamente isso que pretendemos em nossas colaborações para a revista Catolicismo, para sermos arautos da Santa Igreja Católica Apostólica Romana e paladinos na luta contra a Revolução gnóstica, satânica e igualitária.

Com toda confiança na Santíssima Virgem, depositamos a seus pés os 75 anos desta Cruzada, pedindo a Ela que nos anime cada vez mais na luta da imprensa católica, cubra com seu manto protetor nossos esforços imperfeitos e os aperfeiçoe, a fim de melhor os oferecer a Deus. A Ele toda honra e toda glória!

Da Redação de Catolicismo

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Notas:

1. https://catolicismo.com.br/acervo/num/0001/P01.html

2. “Legionário”, Nº 215, 25-10-1936.

3. Encíclica Rerum Omnium, de 26 de janeiro de 1923.