Outrora, quando as pessoas tinham mais fé, o que se fazia em tempo de catástrofes?

  • Frank Seidl

Há um ano o mundo se revolve na pandemia denominada COVID-19. Soluções humanas, muitas delas estapafúrdias são apresentadas, sem que se encontre a porta de saída.

Em outros tempos, como se comportavam pessoas de fé em tais circunstâncias ou ainda durante guerras ou solução diante de grandes perigos? Erguiam suas preces aos céus, muito frequentemente construíam capelas e igrejas como ex-votos.

Eis alguns casos históricos:

Em 1853, o imperador Francisco José, da Áustria, sobreviveu a um atentado. No local da tragédia quase fatal mandou construir uma igreja votiva (Votivkirche), que até hoje existe.

Em Veneza, a igreja do Redentor foi construída em ação de graças pela libertação de um grande surto de peste que dizimou Veneza entre 1575 e 1576, no qual cerca de 46 mil pessoas (quase um terço da população) pereceu.

Catedral de Szeged (Hungria). A construção desta igreja começou em 1913, como pagamento de uma promessa feita por fiéis, depois de uma grande inundação no ano de 1879, destruindo 90% das habitações.

Basílica de Nossa Senhora das Vitórias em Paris [foto acima]: No dia 8 de dezembro de 1629 o então Arcebispo de Paris, Jean-François de Gondi abençoava os fundamentos do primeiro projeto de construção da Basílica. O rei Luiz XIII pessoalmente colocou a pedra fundamental, na presença de muitos nobres da corte. A construção de esse templo era um preito de gratidão à Santíssima Virgem pela Sua intercessão para obter a vitória contra os huguenotes no cerco de La Rochelle.

No Brasil, temos a Basílica do Senhor do Bonfim [foto ao lado], na capital baiana. A construção do templo foi um ex-voto de um fidalgo português. Anos mais tarde, aos pés do Senhor do Bonfim, acorreram fiéis em busca do fim da Guerra da Independência. O hino ao Senhor do Bonfim, composto no centenário da Independência, rememora tal prodigioso fato.

Na Flórida, assolada por furacões, é notável que o ponto mais meridional da nação americana, seja especialmente protegida contra este fenômeno climático. Frequentemente, os furacões desviam-se para o Golfo do México ou para o Atlântico. E qual é o segredo?

No pátio da Basílica dedicada a Nossa Senhora Estrela do Mar, existe uma gruta dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, erigida a pedido de uma religiosa chamada Irmã Louis Gabriel. Até hoje, para lá acorrem fiéis nos momentos de iminente catástrofe. Note-se que Key West fica bem avançado dentro do mar caribenho.

Não será que a Providência Divina estaria esperando que em outros locais: capelas, oratórios ou igrejas sejam construídas como ex-votos para nos livrar da aflitiva situação pandêmica em que nos encontramos?