Parlamento europeu: debate o tema do trabalho no domingo

  • Heitor Abdalla Buchaul (*)

Mais ou menos 350 pessoas participaram da Conferência Por um Domingo sem Trabalho, realizada no Parlamento Europeu no dia 24 de março. Falaram representantes da Alemanha, Áustria, República Checa, Itália, Eslováquia e Portugal.

Representava a Igreja o prelado Dr. Ludwig Schwarz, bispo diocesano de Linz, que ressaltou a importância do descanso dominical, como prática milenar instituída pela Igreja Católica, com efeitos benéficos para a boa convivência entre as pessoas e repouso necessário, devido ao trabalho semanal.

Thomas Mann (EPP/CDU), vice-presidente da Comissão do Emprego e Assuntos Sociais no Parlamento Europeu [foto], foi quem propôs a realização da conferência, cabendo-lhe a abertura e também foi o moderador.

Estava presente o comissionario da E.U., Lázló Andor, que prometeu ouvir todos os lados envolvidos na questão, tendo afirmado anteriormente que cada país pode decidir o que desejar quanto à questão do domingo.

Foi interessante a exposição do Prof. Dr. Friedhelm Nachreiner, lente de psicologia experimental na Universidade de Oldenburg (Alemanha). Ele comprovou, baseado em estatísticas, a importância do repouso dominical para a saúde, produtividade e mesmo quanto aos acidentes de trabalho, muito mais numerosos entre os que trabalham aos domingos.

O deputado Elmar Brok (EPP/CDU) ressaltou a importância do repouso dominical como fator da indiscutível herança da tradição cristã na Europa.Vários representantes pronunciaram-se no mesmo sentido. Uma das deputadas salientou que o povo europeu é em sua maioria conservador no que se refere ao repouso dominical.

Martin Kastler tomou a iniciativa de recolher assinaturas no site http://www.freesunday.eu/ , contra o trabalho aos domingos.

Praticamente todos os discursos ressaltaram a importância das reuniões sociais e familiares aos domingos, como fator fundamental para a educação das crianças e estabilidade familiar.

Alguns poucos oradores abordaram o tema das minorias na Europa e as pontes que devem ser estabelecidas para a integração das mesmas, que é um dos objetivos da União Européia. Dentre essas minorias destacam-se os muçulmanos. Sendo o repouso dominical uma prescrição cristã, segundo tais oradores, deve ser ele abolido em nome da anti-discriminação de minorias. O que a Europa fará então em face dessa situação?
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(*) Heitor Abdalla Buchaul é colaborar da ABIM

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